A parceria de vendas de anúncios entre Microsoft e Yahoo! trará poucas alterações ao modelo comercial utilizado hoje pelas duas empresas aos grandes anunciantes.
Segundo Oswaldo Barbosa de Oliveira, diretor geral do Grupo de Serviços Online e Consumo da Microsoft, hoje a empresa não tem um Adcenter no Brasil, ou seja, uma divisão dedicada ao atendimento direto aos grandes anunciantes. A negociação é feita por um time do Yahoo!. Ao término do negócio, a campanha é colocada tanto na ferramenta do Yahoo! quanto na da Microsoft (Bing), cada empresa com sua plataforma própria.
Com a parceria anunciada hoje, os grandes anunciantes continuarão negociando com os executivos do Yahoo!. Os resultados continuarão aparecendo nas páginas de ambas as empresas, mas o motor de buscas por trás dessas duas ferramentas será a Bing, da Microsoft.
Hoje, o Adcenter, de venda de anúncios da Microsoft, está presente em cinco países. Embora a estrutura não esteja por aqui, a Microsoft deverá criar uma organização para atendimento aos clientes dos serviços de links patrocinados.
É cedo, porém, para falar em detalhes, segundo Oliveira, inclusive sobre como será a migração de plataforma do Yahoo ou sobre tamanho de equipes.
A aprovação ou veto por parte das agências reguladoras dos Estados Unidos e Europa deve sair em cerca de nove meses. A integração completa -- inclusive da plataforma Bing, que vai ser o motor de busca do Yahoo -- é prevista para cerca de dois anos.
No Brasil, atualmente, 32% dos usuários de internet utilizam o Yahoo! ou a plataforma Bing para fazer suas buscas, segundo dados do Ibope Nielsen.
O Yahoo! e a Microsoft anunciaram hoje uma parceria com duração de dez anos para buscas na internet, em um movimento claro para unir forças contra o Google.
Segundo o acordo, o Yahoo! utilizará a plataforma de buscas Bing, da Microsoft, nos websites e será o negociador exclusivo das duas empresas para anúncios vinculados a buscas para grandes clientes. A negociação vem consolidar um ciclo de aproximações da Microsoft, que começou no ano passado com uma proposta de compra de cerca de 48 bilhões de dólares e que foi recusada pelo Yahoo!.
O Wall Street Journal diz que a Microsoft vai pagar ao Yahoo! 88% das receitas com buscas geradas em seu site nos cinco primeiros anos do acordo.
De acordo com a empresa de pesquisas comScore, a Microsoft e o Yahoo! juntos tiveram menos da metade dos 65% de participação do Google nas buscas dos Estados Unidos em junho. Mesmo que a união não chegue a incomodar expressivamente o Google, por outro lado, a Microsoft conseguiu o que queria: ter os grandes volumes de requisições que são rodadas na plataforma do Yahoo!.
Em um comunicado, o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, afirmou que por meio desse acordo com o Yahoo!, a Microsoft vai "criar mais inovação nas buscas, melhor valor para os anunciantes e dará escolha real aos consumidor, em um mercado hoje dominado por uma única companhia".
O Yahoo! estima que, segundo os atuais níveis de receita e despesas operacionais, o acordo vai proporcionar lucro operacional de aproximadamente 500 milhões de dólares e economias de 200 milhões de dólares por ano às suas operações. A empresa também estima aumento de cerca de 275 milhões de dólares em seu fluxo de caixa anual.
Por enquanto não existem informações das duas empresas sobre as operações no Brasil, especialmente sobre como ficará a força de vendas de anúncios da Microsoft, já que a o Yahoo! centralizará essas atividades junto a grandes anunciantes.


