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MySpace Brasil fecha as portas
Por Sérgio Teixeira Jr. | 22/06/2009 - 19:53
O MySpace Brasil vai fechar as portas a partir de 1º de julho. Na realidade, se depender do humor da equipe daqui, já a partir de amanhã todos os funcionários vão querer esquecer a empresa.

A notícia chegou hoje no final da tarde à sede do MySpace Brasil, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo. Nem sequer o diretor da operação brasileira, Emerson Calegaretti, sabia da movimentação.

Segundo o relato que ouvi, Calegaretti primeiro foi surpreendido pela demissão do seu chefe, Victor Kong, o responsável pela América Latina. Algum tempo depois, soube que o escritório brasileiro também seria fechado.

Seus superiores enviaram um arquivo em Power Point que deveria ser exibido aos funcionários. Segundo os relatos que ouvimos, Calegaretti se recusou a fazê-lo. (Estamos tentando contato com ele, mas até agora não conseguimos.)

Calegaretti reuniu os funcionários e contou a novidade. "Fomos pegos de calças curtas", disse um dos demitidos. "É possível que um ou outro fique na Fox (empresa dona do MySpace) para manter o site em português, mas agora ninguém sabe de nada."

Embora a crise do MySpace não fosse novidade para ninguém, havia a expectativa de que a operação brasileira sobrevivesse. Há dez dias, num almoço que eu e a Camila Fusco tivemos com Calegaretti, ele confirmou que o MySpace Brasil dava lucro e era responsável pelo oitavo maior faturamento da empresa, entre os 30 escritórios mundiais da empresa.

Além do Brasil, México e Argentina também terão seus escritórios fechados.

Nenhuma palavra sobre o que será do acordo anunciado na quarta-feira passada com o iG, depois de longos meses de negociação. Nada, também, sobre outras parcerias que o site tinha com empresas de mídia e anunciantes.

Calegaretti havia comentado que tinha viagem marcada aos Estados Unidos, para conhecer o novo CEO da empresa, Owen Van Natta. "A passagem estava até comprada", disse nosso informante.

Pelo jeito, não vai acontecer. Antes que pudéssemos confirmar a informação, a assessoria de imprensa do MySpace Brasil nos disse que deve haver um comunicado sobre a empresa amanhã. Continuaremos tentando um contato com Calegaretti para obter mais detalhes.

Atualização: Notei que muitas pessoas andam comentando no Twitter que o MySpace vai desaparecer aqui. Não é isso. Embora ainda não tenha confirmação nenhuma, suponho que as páginas pessoais (e de bandas) que já existem continuarão no ar, e novas poderão ser criadas.

O que vai deixar de existir é a representação comercial do MySpace por aqui, além de toda a geração de conteúdo local.

Antes de o MySpace abrir um escritório brasileiro, muita gente já tinha um perfil no site. O Facebook não tem nenhum representante aqui, mas um monte de gente tem seu perfil lá. Idem para o Twitter.

De qualquer modo, essa é certamente uma das perguntas que faremos assim que conseguirmos contato com o pessoal do MySpace.
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A volta de Jobs (ou da máquina de RP da Apple?)
Por Sérgio Teixeira Jr. | 22/06/2009 - 12:19
"Os clientes estão votando, e o iPhone está vencendo. Com mais de 50 000 programas disponíveis na revolucionária Apple App Store, o embalo do iPhone está mais forte que nunca."

Steve Jobs está volta.

Está mesmo?

A frase acima foi retirada de um comunicado de imprensa da Apple divulgado hoje pela manhã para comemorar 1 milhão de iPhone 3GS vendidos entre sexta e domingo. O número, de fato, é inacreditavelmente grande, o dobro do que projetavam os analistas.

Mas o assunto aqui é outro. 

Na noite de sexta-feira, o The Wall Street Journal publicou uma reportagem afirmando que Steve Jobs, o CEO da Apple, foi submetido a um transplante de fígado

A notícia foi um dos assuntos preferidos do Twitter e dos blogs de tecnologia no final de semana. Mas a verdade é que, mais uma vez, pouquíssimo se sabe a respeito da real condição de saúde de Jobs.

Como notaram vários leitores atentos, a reportagem do WSJ não cita fonte alguma, nem sequer faz as referências tradicionais a "pessoas próximas de Jobs" ou "ligadas à empresa".

É claro que não se trata de colocar em dúvida a qualidade do jornal, muito pelo contrário. Tenho certeza absoluta de que o WSJ tinha absoluta segurança das informação  que publicou. Podem ter falado com alguém do hospital onde ocorreu a cirurgia? O anestesista, ou então um enfermeiro? Talvez tenham colocado as mãos no prontuário médico? Afinal de contas, ninguém passa por um procedimento desses sem ser visto por pelo menos uma dezena de pessoas.

O que eu acredito é que a informação tenha sido vazada propositalmente pela Apple para o jornal. Esse tipo de coisa acontece. Não é a regra, e pode envolver conflitos éticos para os jornalistas -- mas acontece. E acontece bastante com a Apple.

Em julho do ano passado, logo depois de Jobs aparecer magro, um colunista do New York Times recebeu uma dessas ligações. Era o próprio Jobs do outro lado da linha, com uma condição bizarra: ele contaria a verdade, desde que o jornalista não publicasse o conteúdo da conversa.

Dan Lyons, colunista da Newsweek e autor do blog do "Falso Steve Jobs", disse em entrevista à Camila Fusco que esse tipo de tentativa de manipular a imprensa faz parte do modo de operar da Apple.

O fato é que o timing da "divulgação" da operação de Jobs era mais que oportuno. O lançamento do novo iPhone foi um sucesso. Todos os que puseram as mãos no aparelho dizem que ele é excelente. Apesar de não ser uma nova revolução, é uma evolução considerável.

Além disso, o prazo declarado para a volta de Jobs está aí: o fim de junho. Nada como preparar o terreno dizendo que ele foi tratado e está bem e, na sequência, emendar com um release triunfal.

Jobs está de volta. E a poderosa máquina de relações públicas da Apple, também.
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Sérgio Teixeira Jr.
Editor executivo de Exame, escreve sobre as novidades no mundo da tecnologia.


Camila Fusco
Repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.




Luiza Dalmazo
Repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.
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