A empresa de telecomunicações Bell Canada tomou um rumo diferente, guiada pelo cenário econômico. A empresa decidiu comprar da falida Circuit City a rede varejista de eletrônicos The Source.
O movimento soa estranho para uma empresa do setor de serviços. O plano, porém, é continuar vendendo produtos eletrônicos e adicionar ao catálogo toda a linha (de serviços) da companhia. Isso vai desde serviços sem fio como Bell TV, Bell Internet, Bell Home Phone e possivelmente produtos da Virgin Mobile, que opera sua rede wireless.
A ideia parece boa. Muita gente compra um produto já pensando em resolver seus problemas o quanto antes, da maneira mais rápida e sem precisar fazer vários telefonemas. Se ao comprar um computador a loja oferecer um pacote de instalação e de acesso à internet por um preço interessante, vai soar tentador.
Aqui no Brasil, a TecTotal é o mais próximo disso. A empresa vende cartões de serviços nas redes varejistas, para ajudar os clientes na instalação dos produtos eletrônicos comprados. Ainda está longe da proposta da Bell, mas já mostra que o modelo da operadora pode dar certo -- a companhia obteve receita de 20 milhões de reais nos primeiros sete meses de atividade.
Entre as operadoras, esse não é um modelo praticado. As brasileiras têm, no máximo, quiosques e lojas para atendimento (que por sinal deixam a desejar). A ideia de vender os serviços no embalo dos equipamentos pode criar um novo padrão. Mas isso só vai acontecer se a fusão tiver aprovação dos órgãos canadenses responsável.
Depois dos reportes nas quedas nas vendas de PC e de chips, agora é a vez dos smartphones e celulares. Cerca de 315 milhões de telefones móveis foram vendidos globalmente no quarto trimestre de 2008. O valor representa 5% ano após ano, segundo o Gartner. Não é bom. Mas é melhor do que o previsto pelo IDC, de queda de 12,6% ano sobre ano, o que significaria que seriam 289 milhões de unidades.
Existe mais uma diferença no ano de vendas. O Gartner estimou 6% de aumento ano após ano, enquanto o IDC viu um crescimento de 3,5%, para 1,18 bilhões. A única coisa com que concordaram é que a queda nas vendas num aumento do inventário, que vai ter de ser reduzido. E até a Dow Jones já adiantou que os esforços na redução vão ser vistos até o segundo trimestre de 2009.
A primeira quinzena de março será marcada no Brasil e na América Latina pela realização de eventos das duas maiores empresas internacionais de software de gestão empresarial (ERP): Oracle e SAP. As duas empresas já protagonizaram cenas de sucesso nos anos 1990, com bilhões de dólares sendo movimentados durante os projetos de implementação de ERP.
Hoje, qualquer grande empresa está informatizada muito além das fronteiras do ERP e as necessidades mudaram. Por isso, ambas passaram a dar foco para o setor de pequenas e médias empresas e também diversificaram as ofertas. As duas, por exemplo, compraram empresas desenvolvedoras de sistemas de business intelligence, aquele programa que ajuda a monitorar os dados em tempo real. A SAP comprou a Business Objects e a Oracle, a Hyperion.
Mesmo assim, as gigantes alemã e americana estão apagadas. A Oracle já não está frequentemente nos jornais anunciando ofertas hostis de aquisições, como quando comprou a Peoplesoft e a JD Edwards. E a SAP, corre perseguida por desconfianças sobre sua capacidade de manter o ritmo de crescimento entre as médias empresas.
Nos próximos dias, aproveitarão o SAP Forum e o Oracle OpenWorld, respectivamente, para atrair a atenção de fornecedores, clientes e parceiros para seus novos negócios e rumos.
Tanto uma quanto a outra trouxe executivos internacionais de peso, numa tentativa de atrair mais holofotes e impactar os participantes. Ao SAP Forum, que começou nesta terça-feira (03/03) e vai até quinta-feira (05/03), vieram John Schwarz, especialista pioneiro em business intelligence, e Peter Graf, responsável mundial por soluções de sustentabilidade.
Ao Oracle Open World, que será de 10 a 12 de março, destaque para a presença de Safra Catz, presidente mundial da Oracle e Chuck Rozwat, vice-presidente executivo de desenvolvimento de produtos da corporação, que gerencia mais de 17 mil desenvolvedores.
Cada uma a seu modo, elas vão mostrar como pretendem sobreviver à crise.


