
Publicado em 15/08/2008 - 20:24
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Um combustível líquido feito de plantas, quimicamente idêntico ao petróleo e, tchan, tchan, tchan ... ecologicamente correto. Trata-se do etanol? Não. Esse não exige grandes extensões de terra. Além do quê, a matéria-prima usada para produzi-lo não poderia ser mais abundante. Quem tem o produto mágico, segundo o jornal inglês The Guardian, é a Sapphire Energy, uma empresa sediada em San Diego, nos Estados Unidos. Ela teria descoberto o que batizou de "petróleo verde" - uma mistura à base de algas da qual é possível extrair combustível para movimentar carros e aviões. Ao ser queimado, o "petróleo verde" só emitiria a quantidade de dióxido de carbono que foi captada durante o período de crescimento da alga - ou seja, o processo de queima seria "carbono-neutro". A Sapphire recebeu recentemente cerca de 50 milhões de dólares em investimentos de venture capital. É muita grana! Infelizmente, teremos de esperar um pouco pela tal maravilha: a produção em escala comercial do petróleo à base de algas deve acontecer num prazo mínimo de três anos.
E já que falei em investimento em tecnologias verdes ... coloco abaixo o link da reportagem que fiz em junho na EXAME sobre o "que existe de espuma e de concreto" por trás dessa onda. Se não leram ...
http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0919/gestaoepessoas/m0160509.html
Publicado em 06/08/2008 - 16:43
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Depois de muito deslumbramento com o crescimento econômico da China, felizmente o mundo acordou para as suas mazelas ambientais e sociais, certo? Sim, hoje fala-se muito da pujança econômica do país, mas também dos seus rios sujos - muitos deles mortos - do seu ar irrespirável, da sua política de tolerência zero aos direitos civis. Ufa! Antes tarde do que nunca fomos libertados da síndrome do "viva o crescimento econômico burro - ou a qualquer custo". Ou, pelo menos, alguns de nós ...
Bem, agora é a vez da Índia também entrar na berlinda. Felizmente! Depois de muito deslumbramento - justificável, é bom que fique claro - com a indústria de tecnologia do país, Sr.Tata, Sr. Mittal e afins ... voltamos a ouvir falar do lado menos moderno e glamoroso do país. Numa das suas últimas edições, a revista inglesa The Economist dedica pouco mais de uma página - o que pra essa publicação é muita coisa - a uma reportagem sobre a poluição dos rios no país e os seus baixos índices de coleta e tratamento de esgoto. Leiam e fiquem pasmos. Afinal, o mesmo país que domina a indústria mundial de terceirização de serviços de tecnologia tem instalações para tratar apenas 18% dos bilhões de litros de esgoto que as suas cidades produzem diariamente, segundo dados oficiais. Devido às ineficiências do sistema, porém, o que é tratado, na prática, se resume a 13% - e isso numa estimativa super otimista (a título de comparação, a coisa no Brasil também é feia, mas estamos, sim, um pouco melhores: nosso índice de tratamento e coleta de esgoto é de cerca de 35%)
E pra onde vão os outros 87% que não são tratados na Índia? Para os rios. Entre eles, o Ganges. Por isso, a frase que melhor resume o cenário do país hoje é de Sunita Narain, uma ambientalista renomada no país e fora dele: "Incredible India, drowning in its excreta". Vamos à tradução: Fantástica Índia, afogando nos seus excrementos. E a uma informação importante para saber que a frase carrega uma boa dose de ironia: "Incredible India" é o slogan do Ministério do Turismo do país.
Publicado em 03/08/2008 - 23:45
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Publicado em 28/07/2008 - 00:09
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Depois de meses de ataque ao etanol brasileiro - e o papel nefasto que ele desempenharia na questão da fome mundial e blá blá blá - começam a ficar claros os sinais de que os esforços da UNICA ( União da Indústria de Cana-de-Açúcar) - para provar a idoneidade do nosso combustível lá fora estão funcionando. Em abril, a minha colega Fabiane Stefano escreveu no seu blog sobre o sociólogo suíço Jean Ziegler - que de inimigo ferrenho do setor sucroalcooleiro passou a defender o etanol brasileiro. Mais recentemente, foi a vez da renomada revista inglesa The Economist sair em defesa do combustível: "Alguns ambientalistas dizem que o crescimento da cana-de-açúcar está causando desmatamento na Amazônia. Isso não é verdade". O blog verde do jornal The Wall Street Journal, o Enviromental Capital, também comentou o apoio do senador americano republicano Richard Lugar ao nosso combustível.
Bem, agora é a hora de seduzir os consumidores americanos a respeito das vantagens do "sugarcane ethanol". Para isso, a Unica começou a veicular nos Estados Unidos, na sexta-feira, dia 4 de julho - dia da Independência e feriado mais importante do país - uma campanha publicitária. A idéia dos anúncios é alertar os cidadãos do país, que estão comendo o pão que o diabo amassou com a alta do preço do petróleo, sobre o quanto o etanol brasileiro poderia ajudá-los a economizar. Desde que .... tchan tchan tchan, a tarifa de 54 centavos de dólar por galão, imposta ao combustível brasileiro, deixasse de existir.
Dêem uma olhada na campanha. Não achei lá grande coisa o anúncio para TV, mas não deixa de ser interessante ver os interesses do país sendo defendidos lá fora ...
http://www.sugarcaneethanolfacts.com/media-room.html
( ah ... e a Europa também vem sendo alvo de uma campanha da Unica, desde junho. Lá, porém, o apelo do etanol é menos o bolso e mais o lado "ecologicamente correto" do combustível)
Publicado em 07/07/2008 - 12:42
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