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Sobre o consumo das máquinas de lavar e secar

As vendas das máquinas de lavar e secar roupa com abertura na frente, as chamadas "front-loading", estão crescendo no país. Em 2006, foram vendidas 5 400 unidades. Em 2007, esse número saltou para 22.844 - um crescimento de 323% ( tudo bem, sei que a base ainda é ridícula) Mas qual a importância disso? Para quem não sabe, essas máquinas consomem menos energia e menos água que as lavadoras com abertura na parte superior. "Devagarzinho vamos chegar lá", afirma Edson Grottoli, presidente da BSH, empresa dona das marcas de eletrodomésticos de linha branca Bosch e Continental, e entusiasta das "front-loading". Como já disse lá trás, num outro post, as máquinas desse modelo já dominam o mercado da Europa, onde os consumidores são mais parcimoniosos com o uso dos recursos naturais e do dinheiro.

Publicado em 15/08/2008 - 20:24


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O verde que não é etanol

Um combustível líquido feito de plantas, quimicamente idêntico ao petróleo e, tchan, tchan, tchan ... ecologicamente correto. Trata-se do etanol? Não. Esse não exige grandes extensões de terra. Além do quê, a matéria-prima usada para produzi-lo não poderia ser mais abundante. Quem tem o produto mágico, segundo o jornal inglês The Guardian, é a Sapphire Energy, uma empresa sediada em San Diego, nos Estados Unidos. Ela teria descoberto o que batizou de "petróleo verde" - uma mistura à base de algas da qual é possível extrair combustível para movimentar carros e aviões. Ao ser queimado, o "petróleo verde" só emitiria a quantidade de dióxido de carbono que foi captada durante o período de crescimento da alga - ou seja, o processo de queima seria "carbono-neutro". A Sapphire recebeu recentemente cerca de 50 milhões de dólares em investimentos de venture capital. É muita grana! Infelizmente, teremos de esperar um pouco pela tal maravilha: a produção em escala comercial do petróleo à base de algas deve acontecer num prazo mínimo de três anos.

E já que falei em investimento em tecnologias verdes ... coloco abaixo o link da reportagem que fiz em junho na EXAME sobre o "que existe de espuma e de concreto" por trás dessa onda. Se não leram ...

http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0919/gestaoepessoas/m0160509.html


Publicado em 06/08/2008 - 16:43


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Depois da China, as mazelas da Índia

Depois de muito deslumbramento com o crescimento econômico da China, felizmente o mundo acordou para as suas mazelas ambientais e sociais, certo? Sim, hoje fala-se muito da pujança econômica do país, mas também dos seus rios sujos - muitos deles mortos - do seu ar irrespirável, da sua política de tolerência zero aos direitos civis. Ufa! Antes tarde do que nunca fomos libertados da síndrome do "viva o crescimento econômico burro - ou a qualquer custo". Ou, pelo menos, alguns de nós ...

Bem, agora é a vez da Índia também entrar na berlinda. Felizmente! Depois de muito deslumbramento - justificável, é bom que fique claro - com a indústria de tecnologia do país, Sr.Tata, Sr. Mittal e afins ... voltamos a ouvir falar do lado menos moderno e glamoroso do país. Numa das suas últimas edições, a revista inglesa The Economist dedica pouco mais de uma página - o que pra essa publicação é muita coisa - a uma reportagem sobre a poluição dos rios no país e os seus baixos índices de coleta e tratamento de esgoto. Leiam e fiquem pasmos. Afinal, o mesmo país que domina a indústria mundial de terceirização de serviços de tecnologia tem instalações para tratar apenas 18% dos bilhões de litros de esgoto que as suas cidades produzem diariamente, segundo dados oficiais. Devido às ineficiências do sistema, porém, o que é tratado, na prática, se resume a 13% - e isso numa estimativa super otimista (a título de comparação, a coisa no Brasil também é feia, mas estamos, sim, um pouco melhores: nosso índice de tratamento e coleta de esgoto é de cerca de 35%)

E pra onde vão os outros 87% que não são tratados na Índia? Para os rios. Entre eles, o Ganges. Por isso, a frase que melhor resume o cenário do país hoje é de Sunita Narain, uma ambientalista renomada no país e fora dele: "Incredible India, drowning in its excreta". Vamos à tradução: Fantástica Índia, afogando nos seus excrementos. E a uma informação importante para saber que a frase carrega uma boa dose de ironia: "Incredible India" é o slogan do Ministério do Turismo do país.


Publicado em 03/08/2008 - 23:45


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Sobre um tal vazamento e a dificuldade nossa de sair da inércia

Às vezes a gente se enche de ânimo e decide ser um cidadão assim ... digamos, consciente. Há pelo menos três dias, tenho observado em frente ao prédio onde moro uma pequena cachoeira de água descendo entre o meio-fio (aqui em São Paulo chamam de "guia") e o asfalto da rua. Saio e entro no prédio e lá está o filetão de água, aparentemente limpa, descendo morro abaixo. Não é a primeira vez que isso acontece e o meu impulso é sempre o mesmo: vou ligar para a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). O que acabo fazendo? Nada. Desta vez, impulsionada por uma neurose crescente em relação à escassez de água, venci a inércia e liguei para o 0800 da empresa. Confesso que estava me achando a rainha da cocada e pensei: com apenas uma ligação vou ajudar a Sabesp a resolver essa porcaria de vazamento. Não foi assim tão fácil. Depois de discar esse e aquele número e finalmente chegar numa atendente, escuto mais ou menos o seguinte: "A senhora precisa nos informar o local exato do vazamento, caso contrário, não podemos fazer nada". Não entendi e argumentei: "Você está dizendo que EU devo sair pela rua seguindo o filete de água para descobrir onde diabos está o vazamento?" Ela respondeu: "Sim. A Sabesp agradece a sua ajuda, mas só podemos mandar um técnico até aí se a senhora nos informar o lugar exato do vazamento". Fiquei brava e perdi um pouco a linha: "Eu não sei de onde está vindo o vazamento, mas achei que bastaria informá-los de que há uma cachoeira passando em frente ao meu prédio há três dias e blá blá blá". Bem, entendi que não bastava e desliguei o telefone. Agora há pouco, vi que a água continuava a correr e comecei a elocubrar: "De repente você tem de ir mesmo atrás da origem do vazamento. Essa cidade é um mundo e vai ver os caras recebem trotes todos os dias de gente reclamando de vazamento. Deve existir uma razão plausível pra eles agirem assim. Quer ajudar? Ajuda direito. Mexa o seu popozão Ana Luiza!". Decidi então seguir a água e, bingo, achei facinho a origem do vazamento sem andar nem mesmo um quarteirão. Imaginei então o que a atendente da Sabesp diria: "Viu moça, precisava dar piti?" Por outro lado, também pensei: "Ora bolas, se o técnico tivesse vindo até o meu prédio teria tido a mesma facilidade. E se eu fosse uma senhora de 80 anos? E se o vazamento estivesse localizado cinco quarteirões acima?". Bem, parei de divagar, liguei para a Sabesp de novo e informei o local certinho do bendito vazamento. A moça pediu que eu anotasse o protocolo do atendimento e disse que, no prazo máximo de 24 horas, tomariam as providências. Agora é só esperar. E chega agora desse assunto que parece que eu estou sem assunto.


Publicado em 28/07/2008 - 00:09


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É o nosso etanol lá fora ...

Depois de meses de ataque ao etanol brasileiro - e o papel nefasto que ele desempenharia na questão da fome mundial e blá blá blá - começam a ficar claros os sinais de que os esforços da UNICA ( União da Indústria de Cana-de-Açúcar) - para provar a idoneidade do nosso combustível lá fora estão funcionando. Em abril, a minha colega Fabiane Stefano escreveu no seu blog sobre o sociólogo suíço Jean Ziegler - que de inimigo ferrenho do setor sucroalcooleiro passou a defender o etanol brasileiro. Mais recentemente, foi a vez da renomada revista inglesa The Economist sair em defesa do combustível: "Alguns ambientalistas dizem que o crescimento da cana-de-açúcar está causando desmatamento na Amazônia. Isso não é verdade". O blog verde do jornal The Wall Street Journal, o Enviromental Capital, também comentou o apoio do senador americano republicano Richard Lugar ao nosso combustível.

Bem, agora é a hora de seduzir os consumidores americanos a respeito das vantagens do "sugarcane ethanol". Para isso, a Unica começou a veicular nos Estados Unidos, na sexta-feira, dia 4 de julho - dia da Independência e feriado mais importante do país - uma campanha publicitária. A idéia dos anúncios é alertar os cidadãos do país, que estão comendo o pão que o diabo amassou com a alta do preço do petróleo, sobre o quanto o etanol brasileiro poderia ajudá-los a economizar. Desde que .... tchan tchan tchan, a tarifa de 54 centavos de dólar por galão, imposta ao combustível brasileiro, deixasse de existir.

Dêem uma olhada na campanha. Não achei lá grande coisa o anúncio para TV, mas não deixa de ser interessante ver os interesses do país sendo defendidos lá fora ...

http://www.sugarcaneethanolfacts.com/media-room.html

( ah ... e a Europa também vem sendo alvo de uma campanha da Unica, desde junho. Lá, porém, o apelo do etanol é menos o bolso e mais o lado "ecologicamente correto" do combustível)


Publicado em 07/07/2008 - 12:42


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A repórter Ana Luiza Herzog escreve sobre sustentabilidade

aherzog@abril.com.br








 
 
 
 

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