Rodriguez desenvolveu uma série de produtos para fazer da lavagem a seco de carros uma realidade - de polidores de vidro a removedores de manchas em carpetes. Ao todo, são 40 itens que, além de utilizados pelas franquias, são vendidos a profissionais do setor, como donos de concessionárias e de oficinas mecânicas. Os produtos são responsáveis por mais de metade do faturamento. Agora, Rodriguez quer vendê-los também no varejo, ao consumidor final. "O varejo poderá trazer um crescimento de 10% em receitas ainda neste ano", diz ele, que já desenvolveu o primeiro produto a ser lançado no mercado - um lenço umedecido para limpar carros.
Ao longo dos 15 anos de vida da Dry Wash, a lavagem a seco permitiu a Rodriguez diferenciar sua rede da concorrência e fugir de custos típicos desse mercado - as máquinas de bombear água dos lava-rápidos comuns requerem espaços amplos, caros e difíceis de encontrar em boa parte das capitais. O sistema revelou-se também apropriado ao momento de preocupação com os recursos naturais - a água deverá se tornar uma matéria-prima nobre demais para ser desperdiçada. Rodriguez acredita que, agora que a marca Dry Wash se tornou mais conhecida, seja possível avançar nas prateleiras dos supermercados. "O negócio está suficientemente maduro para dar mais esse passo", diz.
Antes de pôr seu plano em prática, porém, Rodriguez tem de resolver um impasse que, volta e meia, aparece no caminho de muitos empreendedores que precisam se relacionar com o varejo - é melhor distribuir os produtos com uma equipe própria ou recorrer a representantes especializados?
Uma vantagem dos representantes é compensar a falta de experiência de Rodriguez com o varejo - antes de fundar a Dry Wash, em 1994, ele era sócio de uma fundição de estanho. Além disso, trazer essa tarefa para dentro de casa significa investir em logística e equipes próprias, que podem se tornar grandes demais para dar conta de um setor tão pulverizado como o comércio. Por outro lado, Rodriguez acha que pode ser estratégico ter total controle do processo neste momento de estreia. "Posso ver de perto se os vendedores estão fazendo realmente de tudo para obter bons espaços nas prateleiras", diz ele. Seu receio é aquele que também aflige outros empreendedores que usam os mesmos representantes de grandes empresas - será que eles não preferem dirigir seus esforços para marcas já conhecidas e mais fáceis de vender? Para ajudar Rodriguez a decidir o que é melhor agora, EXAME PME ouviu os consultores Roberto de Lacerda, da Terco Grant Thornton, e Alexandre Nunes, da DealMaker, especializados em pequenas e médias empresas, além de Milton Souza, diretor da marca italiana de produtos esportivos Fila no Brasil, que já lidou com esse tipo de dilema. Leia, a seguir, o que cada um recomenda.
O DILEMA
1. Assumir a distribuição
Vantagem: Ter certeza de que os vendedores estão de fato lutando por um bom lugar na prateleira
Desvantagem: A falta de conhecimento sobre o varejo aumenta o risco de priorizar pontos pouco importantes
2. Contratar distribuidores
Vantagem: Alcançar grande abrangência logo no início das operações mesmo com um produto desconhecido
Desvantagem: Dividir uma parte dos ganhos com os representantes e ainda correr o risco de que eles priorizem a venda de produtos dos concorrentes
E AGORA?? O QUE FAZER?
Na última edição há um caso divertido e bastante didático. O empreendedor catarinense Everton Gubert (foto) morou durante 50 dias numa casinha ao lado de uma granja de porcos. Ele queria conhecer o dia-a-dia dos criadores antes de fundar a Agriness, que desenvolve softwares de gestão para suinocultura. Mesmo assim, ele enfrentou um desafio comum a muitos pequenos e médios empresários - não desperdiçar tanta energia em negociações. "Os donos das granjas adoravam o software, mas diziam que era caro demais", diz Gubert. "Era preciso falar a língua deles." Falar o mesmo idioma, no caso, significava usar um símbolo bem intuitivo para os granjeiros - o próprio porco. Há cinco anos, o preço do software da Agriness foi atrelado à cotação do quilo de porco. Em vez de oferecer o programa por uma mensalidade de, digamos, 80 reais, Gubert passou a dizer que custaria 50 quilos de porco por mês. "É o equivalente a dois leitões", diz ele.
Resultados: Desde então, a Agriness conquistou quase 1 000 clientes, responsáveis por 70% das receitas.
Já aconteceu algo assim numa negociação de vocês? Ou com um pequeno ou médio empresário que vocês conheçam?
Tenho encontrado muita gente que comprou a última EXAME PME, que traz histórias reais de empreendedores que encontraram caminhos para tornar suas empresas mais eficientes. Todo mundo elogia. Eu deveria estar feliz, mas confesso que estou chateada. É que, apesar de todos os cuidados que tomamos, conferindo, checando e procurando pelo em ovo, duas fotos saíram trocadas... O sujeito de terno azul, que aparece junto do case da Sênior Solution, é, na verdade, o Ricardo Giudice, da Softcorp. E o que está junto com uma persiana é o Luciano Camargo, da Sênior Solution. Entenderam? Os textos estão corretos. Pedimos muitas desculpas aos dois e aos leitores também. Quando passar a vergonha quero conhecê-los pessoalmente.
A rede social da Exame PME não pára de crescer. Já são mais de 1000 pessoas trocando diariamente contatos e idéias sobre diversos assuntos importantes para o crescimento das pequenas e médias empresas. Formamos vários grupos. O que mais tem gente é o que trata de vendas e negociações. O Renato Romeo, fundador do grupo, colocou em discussão um tema tão interessante que resolvi trazer aqui para o blog: erros em negociações.
Na opinião de vocês, quais são os principais erros cometidos na hora de fazer uma negociação?
PS1: Não esqueci dos logos. Assim que der, faremos a nossa logoteca na rede. Logos que não apareceram aqui irão aparecer lá
PS2: Por enquanto, para entrar na rede é necessário um convite. Para recebê-lo, mande seu nome, nome da empresa e setor para exame.pme@abril.com.br
