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Um banco para chamar de seu

Joesley Mendonça Batista, presidente do JBS Friboi e um dos sócios do maior grupo frigorífico do mundo, já tentou convencer cinco grandes bancos brasileiros e estrangeiros a ampliar o crédito aos pecuaristas. Afinal, criador capitalizado produz mais gado para os frigoríficos. Não deu certo. Os bancos não se interessavam em financiar bois e vacas. Qual foi a solução? Batista acabou de criar o primeiro banco voltado para a pecuária: o JBS Banco. Com capital de 30 milhões de reais, a instituição financeira pertence à família dona do grupo - e não está subordinada à estrutura do JBS Friboi. No entanto, as duas empresas vão andar de braços dados. Apenas pecuaristas poderão abrir uma conta corrente e utilizar as diferentes modalidades de financiamento. A prioridade de crédito será dada aos mais de 15 mil fornecedores do próprio JBS. E quem não negocia animais com a empresa será sutilmente convidado a se tornar um fornecedor em troca das facilidades prometidas pelo banco.


Ao abrir uma instituição financeira focada na pecuária, o JBS Friboi cria uma estratégia única de captação de gado, sobretudo, em tempos de baixa oferta de animais no mercado. O banco vai oferecer recursos para financiamento de aquisição de bovinos, custeio de engorda de animais e construção ou reforma de confinamentos. Serão abertas agências próximas às unidades frigoríficas. Boa parte das operações do banco será alavancada pelas Cédulas de Produto Rural (CPRs) que a própria empresa emite. Nos próximos 12 meses, o JBS Friboi deverá desembolsar cerca de 6 bilhões de reais em pagamentos pela aquisição de matéria-prima. Antes, todo esse dinheiro passava pelas principais instituições financeiras do mercado. A partir de agora, esse generoso fluxo de recursos estará no banco da família Batista. Quem não deve estar gostando dessa história são os bancos tradicionais que certamente perderão clientes.


Publicado em 17/07/2008 - 22:26


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A fazenda virou condomínio

Nas grandes cidades do interior de São Paulo, como Araçatuba, São José do Rio Preto e Bauru, a expansão da área dos municípios está ocorrendo sobre as propriedades agrícolas. As fazendas próximas às áreas urbanas dessas cidades estão se transformando em bairros populares ou mesmo condomínios de classe alta. A demanda por moradia tem aumentado no interior paulista em função do crescimento econômico - boa parte dele gerado pelas oportunidades no próprio agronegócio. O preço da terra também disparou. E em muitos casos, a atividade rural não tem remunerado a contento o dono da terra.


O resultado é que os fazendeiros vêm sendo seduzidos pelas incorporadoras. A Scopel, empresa que desenvolve loteamentos, tem planos de ofertar 50 mil terrenos nos próximos dois anos no interior de São Paulo, o que exigirá uma área de 4 mil hectares. A inspiração da Scopel são os bairros e condomínios da Flórida, nos Estados Unidos, região em que o mercado imobiliário tem avançado sobre as fazendas de laranja. Mas ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde qualquer hectare a menos faz diferença, o Brasil ainda tem muita terra disponível. De acordo com estimativas do Icone, o Brasil tem uma área de 200 milhões de hectares aptos para a agricultura - sem tocar na Amazônia.


Publicado em 15/07/2008 - 20:42


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Menos burocracia

O Ministério da Agricultura acabou de aprovar a chamada Linha Verde, um regime especial de entrada de produtos agropecuários no país. A partir de agora, defensivos agrícolas, medicamentos e rações animais deixam de ser fiscalizados nos portos. O controle passará a ser feito dentro das próprias empresas. A Linha Verde vale apenas para insumos rurais considerados de baixo risco sanitário, divididos em 184 linhas tarifárias. Só em defensivos agrícolas serão cerca de 200 produtos que terão a entrada facilitada pela Linha Verde.

Antes, quem importava um insumo para o campo precisava aguardar pelo menos 10 dias para a liberação dos fiscais agropecuários - sobretudo nos portos de Santos e do Rio de Janeiro. Detalhe: a análise era restrita aos documentos e aos lacres das cargas, uma vez que esse tipo de produto não pode ser aberto em área portuária. O risco de demora, no entanto, era bem maior. Em 2007, os quase três meses de greve dos fiscais agropecuários somaram prejuízos de 100 milhões de reais para as empresas que importam os insumos. Boa parte dessas perdas ocorreu com armazenagem dos produtos nos portos. A Linha Verde, no entanto, só contempla o controle agropecuário das cargas. A fiscalização da Receita Federal continua nos mesmos moldes. Portanto, em caso de greves dos auditores fiscais, novos prejuízos estarão a caminho.


Publicado em 09/07/2008 - 14:04


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O bife mais caro do mundo

O agronegócio brasileiro nunca foi muito bom de marketing. Mas o setor frigorífico conseguia convencer os importadores estrangeiros com um argumento bem simples: a carne brasileira era a mais barata do mundo. Bom, era mesmo. Agora, entre os países exportadores de carne bovina, o produto brasileiro se transformou no mais caro do planeta. Isso porque a cotação do boi no Brasil superou a do animal nos Estados Unidos. De acordo com dados da JBS Friboi, nos pastos brasileiros, o quilo do boi em dólar passou de 1,75, em janeiro de 2007, para quase 3,50, em maio de 2008. Nos Estados Unidos, o mesmo quilo da carne em maio era cotado a 3,25 dólares.

Esse aumento da cotação do boi no Brasil é resultado de dois movimentos: a redução do rebanho bovino e a ampliação da capacidade de abate. O cenário criou uma disputa entre os frigoríficos pela matéria-prima. Para alguns empresários, esse preço do boi veio para ficar - o que deve mexer com a rentabilidade dos frigoríficos. Antes, o baixo custo de aquisição do animal no Brasil garantia às empresas margens superiores a 15%. Agora, o novo patamar seria de cerca de 5%. Portanto, os tempos da picanha barata teriam ficado para trás.


Publicado em 30/06/2008 - 18:09


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Previ e Funcef investem em usinas

Previ e Funcef, dois dos maiores fundos de pensão do Brasil, vão investir no setor sucroalcooleiro. Cada um deve aplicar cerca de 40 milhões de reais no fundo de private equity Terra Viva, administrado pela DGF Investimentos. A gestora está levantando 250 milhões de reais para investir na construção de novas usinas de açúcar e álcool e na compra de participação em usinas e empresas de equipamentos ligadas ao setor. Outros fundos de pensão analisam a entrada no Terra Viva, que já conta com 20 milhões da Finep, a agência financiadora de estudos e projetos vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Os primeiros investimentos devem ocorrer no segundo semestre deste ano. "Embora no curto prazo o setor sucroalcooleiro esteja indo mal, em função dos baixos preços do açúcar e do álcool, no longo prazo é um negócio muito promissor. Por isso, é uma boa hora para comprar", diz Humberto Casagrande, gestor da DGF, que já analisa alguns empreendimentos.

O objetivo do fundo Terra Viva seria construir e adquirir pelo menos quatro usinas de açúcar e álcool para formar um grande grupo sucroalcooleiro que, posteriormente, teria seu capital aberto na Bovespa. Além das usinas, os gestores da DGF também devem investir em duas empresas de bens de capital que produzem equipamentos para as empresas do setor. Com a expansão da atividade sucroalcooleira, a demanda por equipamentos está aquecida e a entrega de uma caldeira, por exemplo, pode demorar até dois anos.


Publicado em 12/06/2008 - 19:45


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Fabiane Stefano é repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio

fstefano@abril.com.br





 
 
 
 

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