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Diplomatas no campo
Por Fabiane Stefano | 03/07/2009 - 22:11

Na próxima semana, começa o primeiro treinamento de diplomatas brasileiros em temas do agronegócio. Promovido pelo Ministério da Agricultura em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, o programa levará profissionais que ocupam postos estratégicos em países da África, Américas, Europa, Ásia e Oriente Médio para conhecer propriedades rurais e agroindústrias, como frigoríficos, laticínios e usinas de etanol. Em duas semanas, os diplomatas passarão por municípios de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Paraná. A ideia do Ministério da Agricultura é que esses profissionais ajudem a solucionar problemas burocráticos que o Brasil enfrenta no comércio exterior.

A iniciativa - obviamente louvável - é uma reivindicação antiga do setor rural. Associações e empresários que lidam com as embaixadas brasileiras diziam que era assustadora a falta de conhecimento da chancelaria em relação ao agronegócio nacional. Só para se ter uma idéia os diplomatas brasileiros que estavam envolvidos nas disputadas do açúcar e do algodão na Organização Mundial do Comércio foram orientados por advogados americanos e europeus (pagos pelas respectivas associações de produtores) que conheciam os meandros da legislação internacional. Se o pelotão da diplomacia brasileira não tem conhecimento sobre o agronegócio nacional (e são eles que tocam o dia a dia das embaixadas), quem irá defender a produção agrícola brasileira na batalha do comércio global?

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O óbvio da infraestrutura
Por Fabiane Stefano | 30/06/2009 - 09:58
Converso quase que diariamente com empresários, executivos de grandes empresas e analistas ligados ao agronegócio. Invariavelmente, a infraestrutura é apontada como o maior entrave do setor. Hoje, vi um exemplo que retrata isso. Acabei de passar pela BR 230, no Maranhão. Pela rodovia, passa boa parte da soja produzida no sul do estado. Como vocês podem ver na foto ao lado, a situação da estrada é dramática. Os poucos mais de 100 quilômetros entre Riachão e Balsas estão repletos de buracos. Há trechos em que é melhor seguir pelo acostamento de terra. Na prática, o tempo para percorrer o trajeto aumenta em pelo menos 50% em função das condições de tráfego. É possível notar que há pouco tempo uma operação tapa-buracos passou por ali - que naturalmente não resistiu às chuvas e ao peso dos caminhões. A impressão que dá é que a estrada federal é uma fina camada de asfalto que corta o cerrado. Eu não sou engenheira, mas uma estrada no sul do Maranhão não parece ser uma obra complexa - especialmente numa área sem ocupação urbana. É claro que custa dinheiro. Mas esse investimento facilitaria o escoamento da produção agrícola, o que estimularia mais produção e mais investimento. Tudo parece tão óbvio. Mas por que será que as coisas não acontecem?
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Credibilidade em xeque
Por Fabiane Stefano | 24/06/2009 - 21:07
A crise financeira no setor de carne acabou gerando uma crise de credibilidade. Depois de calotes de frigoríficos como Independência e Margen, os pecuaristas decidiram que é hora de se prevenir. A Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, a Famato, lançou hoje a sugestiva campanha "Gado só à vista". De acordo com a Famato, a campanha tem o objetivo de conscientizar o produtor rural a negociar seu gado com maior segurança. Muitos frigoríficos forçavam a compra de rebanho a prazo, transformando o pecuarista no financiador do capital de giro da indústria. No auge da crise global, o crédito secou e o fluxo de dinheiro foi interrompido - deixando milhares de pecuaristas sem receber pelos animais abatidos. Esse modelo de financiamento dentro da própria cadeia produtiva não era uma exclusividade do setor de carnes - produtores de grãos e de cana também utilizam o dinheiro da indústria para alavancar sua lavoura. O que parece bastante razoável dado o nível de dependência entre os elos da cadeia agropecuária. O problema é que esse modelo parece funcionar apenas nas épocas de bonança. Nas horas de vacas magras (com perdão do trocadilho), perde sempre o elo mais fraco da cadeia.
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O açúcar voltou à moda
Por Fabiane Stefano | 22/06/2009 - 19:20
Há não muito tempo - menos de três anos - o etanol havia se transformado na cereja do bolo do setor sucroalcooleiro. Projetos de novas usinas inteiras foram concebidos para produzir apenas álcool combustível. Ninguém queria saber mais do açúcar - produto que remonta aos tempos do Brasil Colônia. Afinal, as perspectivas de exportação eram tão fantásticas que o açúcar tinha virado realmente coisa do passado. Mas a crise veio, o dinheiro sumiu do mercado e o açúcar mostrou que continua a ser o grande porto seguro do setor. A recente valorização do açúcar mexeu com o setor sucroalcooleiro. Em 12 meses, o açúcar valorizou 56% - sendo que nas últimas semanas o preço da commodity andou caindo. Outro sinal do bom momento do açúcar é a demanda por novas usinas. A Dedini tem propostas firmes de novas unidades apenas para produção de açúcar - coisa que não acontecia há muito tempo. As estatísticas da maior fabricante de bens de capital para o setor sucroalcooleiro apontam numa melhora de humor. Hoje, a empresa tem cerca de 200 propostas firmes em andamento - em janeiro, no auge da crise, eram apenas 80. Em 2006, essas propostas somavam quase 400. Uma época de euforia que deve demorar a voltar.
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Há males que vêm para o bem
Por Fabiane Stefano | 12/06/2009 - 18:59

Sabe aquela situação terrível, horrorosa mesmo, mas que no final pode solucionar para valer um problema? É assim que eu entendo a repercussão do relatório do Greenpeace sobre a pecuária na Amazônia. A ONG e o Ministério Público do Pará acusam 11 frigoríficos (entre eles Bertin e Minerva) de adquirir gado em áreas de desmatamento na região Amazônica. Obviamente, o clima pesou na pecuária. A reação mais onerosa veio dos três maiores varejistas no Brasil - Carrefour, Wal-mart e Pão de Açúcar-, que na quinta-feira anunciaram a suspensão de compras de carne desses abatedouros. Os grandes frigoríficos, naturalmente, começaram a se mexer. O Friboi acabou de enviar um comunicado para as redes afirmando que "proíbe a compra de animais vindos de propriedades que operam de forma ilegal no que diz respeito a responsabilidade socioambiental". Outros grandes frigoríficos devem estar se explicando para os seus clientes - dentro e fora do Brasil. E mais do que argumentos bem-intencionados, devem estar passando um pente fino na cadeia de fornecedores.

 

Quem perde com a situação? Os pecuaristas que produzem ilegalmente na região Amazônica - e não é pouca gente, não. Quando o Pão de Açúcar diz que não compra e o Bertin transmite o recado, não sobra espaço para o criador ilegal. É óbvio que, no curto prazo, o episódio deve causar algum prejuízo para o setor da carne - especialmente num momento em que a cadeia frigorífica tenta se recuperar do baque pós-crise. Mas, no longo prazo, quem não transformar o discurso de sustentabilidade no campo em ação de fato, será jogado para escanteio. Não adianta mais relutar.

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Fabiane Stefano
Repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio.


 
 
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