
Publicado em 06/08/2008 - 19:06
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Todos os setores da economia querem ser sustentáveis. O agronegócio também. Acabei de receber o manual de boas práticas socioambientais do agronegócio, guia confeccionado pela filial brasileira do banco holandês Rabobank. O manual traz informações de legislação ambiental e trabalhista, além de um roteiro para deixar a propriedade rural em conformidade com as regras. A iniciativa do Rabobank no Brasil despertou o interesse da matriz e deve ser reproduzida - e adaptada - em outras filias do banco no exterior.
O guia também traz o valor de todas as multas a que estão sujeitos os produtores que não andarem na linha. Quem não tiver licença ambiental para, por exemplo, a construção ou reforma de uma unidade de processamento dentro da fazenda corre o risco de pagar uma multa que varia de 500 reais a 10 milhões de reais (não há incentivo maior à sustentabilidade do que o próprio bolso). O manual será distribuído para os clientes agro do banco.
A questão da sustentabilidade no agronegócio também foi contemplada pelo Plano Agrícola e Pecuário. O governo federal vai destinar 1 bilhão de reais para produtores que adotarem programas de sustentabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O conceito de sustentabilidade do Ministério engloba iniciativas para a promoção do agronegócio socialmente justo e preservação dos recursos naturais. Entre os programas, há iniciativas para o desenvolvimento da agricultura orgânica e de integração lavoura-pecuária.
Publicado em 01/08/2008 - 21:35
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O fracasso de Doha não tirou as esperanças de alguns executivos de verem uma abertura comercial aos produtos agrícolas brasileiros. Jerry O'Callaghan, diretor de relações com investidores do JBS Friboi, acredita que a rodada ressuscite em 2009. Ele acha que depois das eleições americana e indiana - os países que emperraram a reunião de Genebra - será inevitável voltar ao tema. A União Européia é uma das maiores interessadas em usar a rodada Doha para rediscutir os seus subsídios agrícolas. Eles encarecem o custo de vida dos europeus e pesam nas contas dos governos. Por isso, muitos países da UE querem aproveitar as reuniões da Organização Mundial do Comércio para se livrar desse peso extra. Nem todos, é claro. A França é ainda um foco de resistência. E, em 2009, o país será o representante da União Européia na rodada, o que pode complicar ainda mais. Para quem já esperou tanto tempo, a esperança é a última que morre.
Os usineiros brasileiros, no entanto, não pensam assim. Saíram irritados de Genebra e avisam que podem discutir na OMC as sobretaxas que impedem o livre acesso do etanol brasileiro em diversos mercados - sobretudo os Estados Unidos. A esperança deles é brigar por um pedaço maior (bem maior) do mercado externo.
Publicado em 31/07/2008 - 20:17
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Acabei de conversar com André Nassar, diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais. Ele está em Genebra para acompanhar as reuniões da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio. O clima que impera na OMC é que Doha não trará grandes avanços ao comércio mundial. Para Nassar, o grande problema da rodada é que as ambições na negociação diminuíram. É provável que venham ganhos pontuais como, por exemplo, o aumento de cota para exportação de frango brasileiro para a União Européia - o que está muito aquém das propostas originais.
De um lado, os países emergentes brigam pela redução de subsídios agrícolas nos Estados Unidos e União Européia. Já os países ricos cedem pouco na pauta agrícola, mas olham com enorme interesse para bens industriais e serviços nas nações emergentes. Nassar avalia que Doha é importante, mas o comércio irá crescer muito mais pelo aumento da demanda mundial e pela expansão dos emergentes - do que por um acordo multilateral.
Hoje, as negociações entram madrugada adentro em Genebra, na tentativa de abarcar todos os temas da pauta. Mas ninguém espera por notícias bombásticas ao longo da semana. Por maiores que sejam os esforços dos negociadores, já se sabe que os resultados serão pequenos. A maior ambição da OMC é que Doha apenas termine.
Publicado em 23/07/2008 - 20:43
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Joesley Mendonça Batista, presidente do JBS Friboi e um dos sócios do maior grupo frigorífico do mundo, já tentou convencer cinco grandes bancos brasileiros e estrangeiros a ampliar o crédito aos pecuaristas. Afinal, criador capitalizado produz mais gado para os frigoríficos. Não deu certo. Os bancos não se interessavam em financiar bois e vacas. Qual foi a solução? Batista acabou de criar o primeiro banco voltado para a pecuária: o JBS Banco. Com capital de 30 milhões de reais, a instituição financeira pertence à família dona do grupo - e não está subordinada à estrutura do JBS Friboi. No entanto, as duas empresas vão andar de braços dados. Apenas pecuaristas poderão abrir uma conta corrente e utilizar as diferentes modalidades de financiamento. A prioridade de crédito será dada aos mais de 15 mil fornecedores do próprio JBS. E quem não negocia animais com a empresa será sutilmente convidado a se tornar um fornecedor em troca das facilidades prometidas pelo banco.
Ao abrir uma instituição financeira focada na pecuária, o JBS Friboi cria uma estratégia única de captação de gado, sobretudo, em tempos de baixa oferta de animais no mercado. O banco vai oferecer recursos para financiamento de aquisição de bovinos, custeio de engorda de animais e construção ou reforma de confinamentos. Serão abertas agências próximas às unidades frigoríficas. Boa parte das operações do banco será alavancada pelas Cédulas de Produto Rural (CPRs) que a própria empresa emite. Nos próximos 12 meses, o JBS Friboi deverá desembolsar cerca de 6 bilhões de reais em pagamentos pela aquisição de matéria-prima. Antes, todo esse dinheiro passava pelas principais instituições financeiras do mercado. A partir de agora, esse generoso fluxo de recursos estará no banco da família Batista. Quem não deve estar gostando dessa história são os bancos tradicionais que certamente perderão clientes.
Publicado em 17/07/2008 - 22:26
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