A A A

Transgênico 100% nacional

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Depois de 10 anos, a Basf e a Embrapa anunciaram finalmente que receberam a aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para comercializar a soja tolerante a herbicidas desenvolvida em parceria pelas duas empresas. O novo transgênico é o primeiro 100% desenvolvido no Brasil. É também o primeiro lançamento mundial de um produto geneticamente modificado com a marca Basf  – que desenvolve parcerias com outras empresas na área de transgênicos, mas que ainda não resultaram em produtos aprovados. “O Brasil é o país da agricultura e fazia todo o sentido criar um produto do zero aqui”, diz Walter Dissinger, presidente da Basf no Brasil. Até hoje, todos os lançamentos de transgênicos no país eram adaptações de produtos criados para outros mercados agrícolas. A soja da Basf e da Embrapa irá fazer o caminho contrário. Está previsto o lançamento da variedade tolerante a herbicidas na Argentina, Bolívia, Colômbia e Paraguai.

A nova variedade, que custou 20 milhões de dólares para ser desenvolvida, chega para valer ao mercado em 2012 (a safra 2011 será reservada para a produção das sementes). A expectativa da Basf é que ela atinja cerca de 20% do mercado de sementes transgênicas de soja nos próximos seis anos – o que equivaleria a plantar 3 milhões de hectares. A estratégia da empresa alemã é vender a nova soja como uma alternativa complementar à tecnologia Roundup Ready da Monsanto, líder absoluta nas lavouras geneticamente modificadas do Brasil. “Nenhuma variedade transgênica consegue atacar 100% das plantas invasoras, que no caso da soja são mais de 30. É importante o agricultor alternar as tecnologias em campo”, diz Luiz Louzano, diretor de biotecnologia da empresa alemã.

Publicidade
A A A

Uma boa notícia – mas só no longo prazo

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

O governo americano incluiu ontem o etanol brasileiro na lista dos biocombustíveis avançados – aqueles que podem contribuir para a redução da emissão de gases de efeito estufa. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental, órgão que regulamenta a produção e uso de biocombustíveis nos Estados Unidos, o álcool de cana reduz as emissões em 61% em comparação com a gasolina – contra redução de 20% do etanol feito de milho. Até 2022, os Estados Unidos deverão alcançar um consumo mínimo de 136 bilhões de litros de biocombustíveis por ano – sendo que 15 bilhões de litros anuais deverão ser da versão avançada, categoria no qual o etanol brasileiro foi listado. Uma boa notícia? Sim, mas seu impacto é nulo no curto prazo.

A medida chega num momento em que a oferta para exportação do álcool é praticamente zero. As chuvas que atingiram a região Centro-Sul do Brasil afetaram a qualidade da safra, reduzindo o volume disponível para a produção de açúcar e etanol em 2,2%. Somado a isso, a frota de carros flex continua aumentando – só em 2009, as vendas cresceram 14%. Nos últimos dois anos, quase 5 milhões de automóveis flex foram vendidos no Brasil, pressionando a demanda nos postos de abastecimento. O resultado de menos produção e mais consumo é que o álcool ficou caro na bomba – o que levou à redução temporária de 25% para 20% na mistura da gasolina. Diante do cenário no mercado doméstico, a exportação foi duramente afetada. “Hoje, o etanol brasileiro está caro para o mundo inteiro. Ninguém está comprando no mercado à vista”, diz Manfred Wefer, gerente de etanol da trading Delta.

Por isso, a notícia do aval que o álcool brasileiro nos Estados Unidos é muitíssimo bem-vinda – mas ela será efetivamente sentida só no longo prazo.

A A A

Vale nos fertilizantes

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

A Vale comunicou hoje ao mercado a compra dos ativos da Bunge na área de fertilizantes - que detinha 42% das ações da Fosfértil, líder no mercado de fertilizantes no Brasil. O negócio de 3,8 bilhões de dólares traz de volta uma das maiores empresas do país para a produção de insumos essenciais para o campo. Em 2003, a Vale vendeu 11,3% da Fosfértil para a Bunge, uma das maiores na comercialização de grãos no Brasil. O desfecho também põe fim a uma das mais duras batalhas entre acionistas do país: Bunge versus Cargill. Leia mais »

A A A

O drama da laranja

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Há alguns anos, a citricultura brasileira vive uma batalha inglória. O greening, doença que tem devastado pomares Estados Unidos, também vem atacando violentamente as fazendas que produzem laranja no estado de São Paulo. Não há tratamento para a doença - considerada o câncer da laranja - que diminui a produtividade das lavouras. A solução recomendada pelo Ministério da Agricultura é arrancar o pé infectado. No estado de São Paulo, mais de 4 milhões de árvores já foram derrubadas. Em algumas regiões do estado, como Araraquara, os níveis da infestação são alarmantes.

Paradoxalmente, à medida que o greening avança, alguns produtores têm conseguido liminares na Justiça para manter os pomares doentes intocados. Eles preferem manter as lavouras infectadas - mesmo produzindo a baixa carga. Alegam que a erradicação dos pés de laranja não resolve o problema (embora seja o único protocolo de combate à doença hoje no mundo) e ainda deixa um rastro de prejuízos. O fato é que as liminares manterão focos da doença no interior de São Paulo. “É uma atitude de desespero”, disse João Sampaio, secretário de Agricultura de São Paulo. “Somam-se ao problema do greening dois anos de renda negativa na citricultura”. Ainda assim, acho bastante perigoso que o imediatismo da questão da renda tenha se sobreposto à discussão sanitária do greening. E você, leitor, o que acha?

PS: Mundo Agro também está no Twitter! Siga o blog: http://twitter.com/mundo_agro

A A A

Terceirização no agronegócio

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

No último dia de 2009, a Cosan, líder na produção de açúcar no Brasil, foi incluída na chamada lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego, que relaciona empresas e pessoas que foram autuadas por exploração de trabalho escravo. Em comunicado ao mercado, a Cosan – controlada pelo empresário Rubens Ometto, informou que as irregularidades apontadas pelos fiscais do ministério, em 2007, ocorreram numa empresa terceirizada (a José Luiz Bispo Colheita), que prestava serviços de corte de cana no interior de São Paulo. Apesar de alegar que os problemas eram localizados num fornecedor, o episódio já rendeu - e ainda deve ser motivo - de muitas dores de cabeça para Ometto. Ontem, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou que estariam suspensas todas as operações de financiamento da empresa. No fim da tarde de hoje, o Walmart Brasil divulgou nota informando que suspendeu temporariamente o contrato de compra da Cosan, fabricante do Açúcar União e Açúcar da Barra. Leia mais »

A A A

Exemplos de um mundo sem fome

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

O International Food Policy Research Institute, grupo de análise de agricultura sustentável, acabou de lançar o livro “Millions Fed: Proven Successes in Agricultural Development (numa tradução livre seria “Milhões alimentados: sucesso comprovado no desenvolvimento agrícola”). Patrocinado pela Fundação Bill & Melina Gates, o livro apresenta 20 casos de sucesso no desenvolvimento agrícola ao redor do mundo nos últimos 50 anos. Leia mais »

A A A

Porco de estimação

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Você teria um porco como animal de estimação? Bom, os ingleses têm. No Reino Unido, a moda é ter micro porcos como pets. O jogador de futebol David Beckham ganhou dois desses porquinhos da mulher, Victoria. A edição de ontem do jornal inglês Guardian trazia uma reportagem sobre uma fazenda que cria esses animais, com o sugestivo nome de The Little Pig Farm. Leia mais »

A A A

Agricultura sem agroindústria?

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Ontem, um comercial de 30 segundos na TV aberta me chamou a atenção. Dizia assim: “Se você planta cana, mas não tem usina. Ou cria gado, mas não tem frigorífico. Se você planta laranja e não exporta suco. Ou colhe soja e não vende torta ou óleo. Você sabe a diferença entre ser ruralista e representante do agronegócio. O ruralista movimenta a economia verde do Brasil. Enquanto o agronegócio fica com os lucros e o reconhecimento do governo.” Leia mais »

A A A

Combinando com os russos

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Implantar um projeto de papel e celulose não é uma tarefa fácil. Além da complexidade natural para construir qualquer empreendimento agroindustrial, cultivar extensas áreas de eucalipto costuma gerar muita polêmica. A Suzano Papel e Celulose tem chamado as organizações não-governamentais do Maranhão e do Piauí - estados onde serão construídas duas fábricas da empresa - para conversar. A ideia é explicar para ONGs (tanto locais como nacionais) como serão os projetos, englobando desde o impacto econômico até as compensações ambientais e sociais. Leia mais »

A A A

Abrindo a caixa preta

por Fabiane Rodrigues Stefano
Retweet Distribua

Amanhã, terça-feira, a Confederação Nacional da Agricultura promete divulgar dados consolidados sobre os assentamentos rurais provenientes da reforma agrária. Aqui estão alguns highligths da pesquisa realizada pelo Ibope:

- 48% dos assentados não produzem o suficiente para sobreviver;
- 75% não têm acesso aos programas de crédito do governo;
- 46% compraram suas terras ilegalmente de terceiros. Leia mais »