O dólar estava cotado a 1,83 reais no fim da manhã fechou a 1,815 reais nesta quinta-feira, dia 11 de setembro. As cotações da moeda americana estavam subindo subiram 1,7% em relação ao fechamento da véspera. No acumulado de setembro, o dólar está subindo assustadores 11%, retornando aos níveis registrados em janeiro deste ano. Desde o ponto mais baixo, no início de agosto, a alta foi de 16%
A alta está sendo provocada por um movimento especulativo das tesourarias de bancos, que estão comprando muitos dólares no mercado futuro de câmbio negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
Segundo informações da Agência Estado, entre a terça-feira, dia 9 de setembro, e ontem, os bancos - principalmente os estrangeiros - triplicaram sua posição comprada em contratos futuros de câmbio. Essa posição - que ganha com a alta do dólar e também pressiona as cotações para cima - subiu de 40 mil para 125 mil contratos.
Outro motivo para a queda do dólar é a baixa dos preços internacionais das commodities. O petróleo apresentou a desvalorização mais acentuada, de 144 dólares por barril em julho para 100 dólares o barril nesta manhã no fechamento.
O que isso significa? O dólar está subindo porque os investidores esperam que, em breve, haverá menos dólares no mercado brasileiro. Prevalece, aqui, a lógica da feira-livre. Se hoje desabar uma tempestade que acabar com as plantações de alface, os preços da alface vão subir amanhã, mesmo que haja estoques para mais três dias nos caminhões dos feirantes.
No caso do dólar, o mercado de câmbio - que, além dos suspeitos habituais, é formado por grandes empresas exportadoras e importadoras e companhias que têm dívidas em dólar - está imaginando que a queda dos preços das commodities vai reduzir o saldo da balança comercial brasileira. Como vai diminuir a entrada de dólares, seu preço vai subir.
Qual o problema dessa alta? O dólar em alta joga generosas porções de querosene e gasolina na fogueira da inflação, pressionando para cima os preços no mercado interno. Ou seja, bom para os juros e ruim para a bolsa.
EM TEMPO: pela primeira vez em quase um ano, desde 5 de outubro de 2007, o Banco Central (BC) não atuou no mercado comprando dólares. A autoridade monetária deixou o câmbio flutuar livremente, sem agir para conter a contínua desvalorização das cotações.
Isso quer dizer que o BC está desconfortável com a alta do dólar? Provavelmente, pois sua ausência no mercado é um forte sinal de que a autoridade monetária espera que o câmbio ceda parte da alta dos últimos dias. Não pelo dólar em si, mas pelo impacto que a alta do câmbio deverá ter na inflação.

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