
Um mar de números. É o dia-a-dia de quem analisa a economia americana. Os Estados Unidos são o país das estatísticas, o que torna ao mesmo tempo fácil e difícil analisar o desempeno de sua economia. Nesta quarta-feira, dia 27 de agosto, o número que animou o mercado foi o das encomendas de bens duráveis de julho, que subiu mais do que o esperado.
Essas encomendas subiram 1,3% no mês passado para quase 220 bilhões de dólares. A expectativa era de uma queda de 0,4%. Isso significa que as compras de automóveis, eletrodomésticos, móveis, máquinas e equipamentos sem contar aviões subiram mais do que o esperado, e foram melhores do que as expectativas do mercado. Por isso, as ações subiram.
Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones avançou 0,8%. Em São Paulo, o Índice Bovespa subiu mais de 2%. A bolsa brasileira também foi beneficiada pela alta de Petrobras e Vale, as duas principais ações do pregão. Petrobras PN subiu quase 3% e Vale PNA subiu quase 4%, beneficiadas pela alta dos preços do petróleo (que subiu 1,4%) e dos minérios.
Uma notícia boa? Sem dúvida. A única? Não. Outro número foi divulgado nesta quarta-feira. os pedidos de falência no segundo trimestre de 2008 atingiram o nível mais alto desde 2005. Entre abril e junho, 276 mil pessoas e empresas pediram concordata nos Estados Unidos. Sim, a legislação americana permite que pessoas peçam concordata se não conseguirem pagar suas dívidas.
Por que as ações americanas - e as brasileiras - subiram? Encomendas em alta significam empresas investindo e consumidores confiantes o bastante para trocar seus carros, geladeiras e televisores por modelos mais novos. Isso quer dizer uma economia mais aquecida do que o esperado, o que é melhor para os investimentos.
Sempre é bom lembrar que as líderes absolutas em negociação no mercado são as expectativas. O mercado, formado por investidores individuais e gestores de recursos, acreditou nesta quarta-feira que as encomendas são mais importantes do que as falências. Se estivesse de mau-humor, poderia ter acreditado justamente no contrário.
Publicado em 27/08/2008 - 18:12
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Jornalista, economista, ele escreve regularmente sobre investimentos e finanças pessoais claudio.gradilone@gmail.com ![]() |
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