
Steve Jobs, conhecido como um chefe prepotente (e onipotente), parece ter se rendido ao modelo de formação de executivos que se consagrou em empresas como General Electric e McDonald's, a universidade corporativa. A Apple acaba de contratar o reitor da Universidade Yale, uma das mais prestigiadas escolas de negócios dos Estados Unidos, para coordenar a nova Apple University.
Joel Podolny, que era reitor desde 2005, será vice-presidente e reitor da Apple University a partir de 2009.
Por enquanto a empresa mantém segredo sobre o escopo na nova universidade.
Mas é possível imaginar que Jobs esteja preocupado em garantir que gente boa possa sucedê-lo no futuro. Recentemente o mercado passou a se preocupar com estado de saúde de Jobs, após uma apresentação em que ele pareceu muito mais magro do que o habitual. A pergunta que se fez era a clássica para empresas com um fundador com presença forte -- há futuro depois de Jobs (leia mais aqui). Esta parece ser a primeira resposta.
O vice-presidente executivo da área comercial do Itaú Ronald Anton Jongh deixou o banco na semana passada, após mais de duas décadas de carreira no Itaú. Jongh subordinava-se diretamente a Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, desde abril deste ano -- quando foi anunciada uma reestruturação das áreas do banco (leia mais aqui). Antes disso, ele se reportava diretamente a Roberto Setubal. A saída do executivo causou surpresa dentro do banco e, no mercado, comenta-se que se trata do primeiro efeito-Carbone visível para quem está fora da empresa.
A Sadia acaba de confirmar a volta de Luiz Furlan à presidência do conselho da empresa, seis anos após deixar o cargo para assumir o Ministério do Desenvolvimento (leia detalhes aqui).
Embora o episódio que causou a mudança no comando da empresa tenha deixado clara uma falha na governança da Sadia, a reação pode ser vista como exemplar. A Aracruz, em situação semelhante (saiba mais), ainda não divulgou oficialmente o tamanho exato do prejuízo que deve superar 1 bilhão de reais nem puniu publicamente diretores responsáveis pelo rombo.
Furlan era uma escolha óbvia para suceder o primo Walter Fontana Filho não apenas porque já havia ocupado o cargo por quase dez anos. Furlan, neto do fundador da companhia Attilio Fontana, também é um dos maiores acionistas individuais da Sadia -- seu pai, Osório Furlan, decidiu recentemente passar em vida suas ações para os cinco filhos.
O ex-ministro possui também outra credencial. Embora tenha aparecido mais nos últimos tempos por comandar a ONG Fundação Amazonas Sustentável, criada pelo governo do Amazonas, ele faz parte hoje do conselho de administração da Telefónica na Espanha e, no Brasil, de empresas como Redecard e Amil.
A princípio as perdas da empresa com a especulação no mercado futuro de câmbio não deverão respingar no comitê de finanças da companhia, comandado por Cássio Casseb, ex-presidente do Pão de Açúcar. Os integrantes deste comitê não teriam sido informados sobre a operação de risco. As investigações de uma auditoria, empreendida pela KPMG, deverão chegar a uma conclusão nas próximas semanas.
As atenções da empresa agora se voltam também para a busca de um novo diretor financeiro, com a ajuda da empresa de headhunting Egon Zehnder.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sadia nega que haverá qualquer mudança em seu conselho de administração. Mas fontes próximas à empresa afirmam que a saída de Walter Fontana Filho da presidência do conselho poderá ser inevitável. Isso poderia representar a volta de Luiz Furlan à empresa, após seis anos, desde que assumiu o Ministério do Desenvolvimento.
As ações da Sadia caíram espantosos 25% nas primeiras horas do pregão de hoje. É a reação do mercado a uma desastrosa manobra financeira que causou da noite para o dia um rombo de 760 milhões de reais no caixa da empresa. O motivo: o diretor financeiro da Sadia Adriano Ferreira (já demitido) descumpriu uma norma interna e comprou o dobro da cota de dólares pré-estabelecida como suficiente para cobrir o risco financeiro da companhia -- e decidiu especular. Ferreira provavelmente contava que a cotação do dólar cairia. Mas aconteceu justamente o contrário.
O episódio esconde um tropeço de governança que passou despercebido até o momento. Numa estrutura atípica, o diretor financeiro reportava-se diretamente ao presidente do conselho de administração da empresa, Walter Fontana Filho, e não a Gilberto Tomazoni, presidente da companhia há três anos. A estrutura permanecera assim porque na época em que o acionista Fontana Filho passou o bastão para Tomazoni, o então influente diretor financeiro Luiz Murat (demitido há pouco mais de um ano por negociar ações da empresa com informação privilegiada) não ficou subordinado ao novo presidente.
A mudança de estrutura -- com o diretor financeiro subordinado a Tomazoni -- estava prevista para o início de 2009. Com a emergência da situação, a mudança deverá passar a valer a partir de já.
Conclusão do episódio: trata-se de uma (enorme) perda para os resultados financeiros da empresa, mas de certa forma a empresa pode acelerar a melhora de sua governança.

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