
Cá entre nós não é sempre que se enche a boca para recomendar a leitura de um livro de negócios. A combinação entre conteúdo relevante e uma fluência que torne a experiência de vencer as páginas até o final da obra, nesses casos, é rara. Ou tropeça no conteúdo (sobretudo nos milhares de títulos de auto-ajuda corporativa que inundam as prateleiras todos os meses) ou na forma.
Eis uma exceção -- The Game Changer, escrito a quatro mãos por A. G. Lafley, presidente mundial da Procter & Gamble, e o guru indiano Ram Charan. Leia um trecho da versão em português, que acaba de chegar às livrarias com o título O Jogo da Liderança.
O primeiro bom motivo para ler a obra até o final é seu protagonista. O americano Alan George Lafley (mais conhecido pela sigla A.G.) descreve no livro o caminho que percorreu para deixar de ser um azarão à frente da companhia para se tornar um dos mais incensados executivos da atualidade.
Poucos apostavam que o veterano com quase três décadas de casa seria capaz de virar o jogo da gigante em apuros, com vendas e ações em queda livre, em 2000. De lá para cá Lafley dobrou as vendas da empresa, que chegaram a 76 bilhões de dólares em 2007, e as ações valorizaram cerca de 150% desde que ele assumiu o cargo.
No livro ele coloca alguns detalhes saborosos dessa transição, em que uma das peças-chave foi reaproximar a companhia de seus consumidores e transformar a Procter numa máquina de inovar. Hoje, 70% dos executivos na matriz americana já passaram, por exemplo, pela experiência de trabalhar atrás do caixa de uma loja.
Boa leitura! (E, ah... quem tiver outras dicas tão saborosas quanto, por favor, deixe um comentário neste blog.)
Publicado em 04/07/2008 - 20:10
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Um dilema clássico para quem planeja ascender rapidamente na carreira consiste na decisão entre galgar os passos dentro da mesma empresa ou tentar acelerar a subida trocando de posição de uma companhia para outra. O senso comum aponta que, em geral, a segunda alternativa é mais eficiente. Eu mesma sempre acreditei nisso. Até agora há pouco, quando deparei com uma pesquisa fresquinha coordenada nos Estados Unidos por Peter Cappelli, de Wharton, um dos mais reconhecidos especialistas em gestão de pessoas do mundo. O levantamento considerou as 500 maiores companhias abertas dos Estados Unidos e as 300 maiores da Europa.
Os veteranos (chamados de lifers) chegaram ao topo em 22 anos nos Estados Unidos e em 24 anos na Europa. Os forasteiros incondicionais, que passaram por quatro ou mais empresas antes de chegar ao topo, tornaram-se presidentes após 26 anos de troca-troca. Claro, como qualquer estatística, não se trata de uma regra. Mas pelo menos agora existe um dado mais científico para balizar a decisão.
Publicado em 12/06/2008 - 11:48
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Quem ganha mais: um diretor comercial da subsidiária brasileira de multinacional ou seu chefe na matriz? Sim, a resposta é o título deste post. Em muitas empresas instaladas no país, o salário dos executivos está maior do que o de seus pares -- ou mesmo chefes -- nas matrizes. Trata-se de um momento inédito na história do país -- efeito colateral do real mais forte.
Desde 2004 os salários dos executivos brasileiros aumentaram 25%, calculados em reais. Se considerarmos os valores em dólares, a variação salta para impressionantes 134%, segundo dados da consultoria Watson Wyatt.
Hoje os executivos brasileiros ganham em média 30% mais que
seus pares americanos e 10% que seus pares ingleses. O Brasil aparece no topo de uma lista de remuneração realizada pela consultoria que considera cerca de 20 países entre eles Estados Unidos, Inglaterra, Japão, México e China. (Importante: a pesquisa compara apenas cargos de magnitude semelhante, portanto os salários exorbitantes dos CEOs americanos estão excluídos desta conta.)
"O revés dessa liderança é que está cada vez mais difícil nas subsidiárias justificar um aumento de salário de qualquer executivo para mantê-lo na empresa", diz o consultor Christian Mattos, especialista em remuneração da Watson Wyatt. Um problema e tanto no atual cenário de crescimento e disputa pelos melhores talentos.
Publicado em 29/05/2008 - 19:58
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É assim que o Financial Times tenta traduzir o nome do estado de Minas Gerais, onde está a Fundação Dom Cabral, uma das 20 melhores escolas de negócios do mundo segundo o conceituado jornal inglês (desde 2006, diga-se).
Decidi começar este post pela pitoresca tentativa de tradução para chamar atenção para o fato mais curioso dessa proeza (sim, já que nenhuma outra escola brasileira tinha conseguido chegar à 15º posição antes -- acima do MIT!). A escola geograficamente mais distante de quase todas as grandes empresas brasileiras conseguiu se tornar uma das que mais se aproximou delas para produzir pesquisas e também promover cursos sob encomenda. Louvável.
(Leia a matéria do Financial Times sobre a Fundação Dom Cabral aqui.)
Publicado em 12/05/2008 - 17:09
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Sabe quem são os gurus de negócios mais influentes da atualidade? A resposta já foi mais óbvia. Ao longo de décadas pensadores como Michael Porter e Peter Drucker dominaram o ideário da gestão. Os gurus de hoje não estão mais apenas nas universidades mais conceituadas. É o que mostra a lista dos gurus de negócios mais influentes realizada nesta semana pelo jornal Wall Street Journal, noticiada pelo Portal EXAME (leia aqui a lista na íntegra). Entre os cinco primeiros, estão dois jornalistas, Thomas Friedman (o número 2) e Malcolm Gladwell (4), e um empresário, Bill Gates (3). Howard Gardner (5), de Harvard, não se classifica como um tradicional especialista em negócios e sim em psicologia e comportamento (que recentemente cruzou as duas áreas em estudos e livros). A exceção é Gary Hamel (o número 1), professor da London Business School.
Peter Senge, do MIT, está em 11º, Michael Porter, de Harvard, está em 14º. Vale notar que o badalado Ram Charan, também professor de Harvard, passou longe da lista. Os critérios são citações em registros acadêmicos, em jornais e revistas e também a popularidade em pesquisas do Google.
É curioso imaginar por que, afinal, os acadêmicos perderam o brilho. Arrisco um palpite. Num mundo já superlotado de informação, mais do que criar idéias e teorias novas, hoje em dia parece prevalecer a habilidade de agrupar e interpretar as que já estão por aí. Quem mais se arrisca?
Publicado em 09/05/2008 - 21:16
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