A fábrica de gente da Apple

Steve Jobs, conhecido como um chefe prepotente (e onipotente), parece ter se rendido ao modelo de formação de executivos que se consagrou em empresas como General Electric e McDonald's, a universidade corporativa. A Apple acaba de contratar o reitor da Universidade Yale, uma das mais prestigiadas escolas de negócios dos Estados Unidos, para coordenar a nova Apple University.

Joel Podolny, que era reitor desde 2005, será vice-presidente e reitor da Apple University a partir de 2009.

Por enquanto a empresa mantém segredo sobre o escopo na nova universidade.

Mas é possível imaginar que Jobs esteja preocupado em garantir que gente boa possa sucedê-lo no futuro. Recentemente o mercado passou a se preocupar com estado de saúde de Jobs, após uma apresentação em que ele pareceu muito mais magro do que o habitual. A pergunta que se fez era a clássica para empresas com um fundador com presença forte -- há futuro depois de Jobs (leia mais aqui). Esta parece ser a primeira resposta.

Por Cristiane Mano
Publicado em 28/10/2008 - 17:38
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Efeito Carbone

O vice-presidente executivo da área comercial do Itaú Ronald Anton Jongh deixou o banco na semana passada, após mais de duas décadas de carreira no Itaú. Jongh subordinava-se diretamente a Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, desde abril deste ano -- quando foi anunciada uma reestruturação das áreas do banco (leia mais aqui). Antes disso, ele se reportava diretamente a Roberto Setubal. A saída do executivo causou surpresa dentro do banco e, no mercado, comenta-se que se trata do primeiro efeito-Carbone visível para quem está fora da empresa. 

Por Cristiane Mano
Publicado em 07/10/2008 - 13:06
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Uma reação exemplar

A Sadia acaba de confirmar a volta de Luiz Furlan à presidência do conselho da empresa, seis anos após deixar o cargo para assumir o Ministério do Desenvolvimento (leia detalhes aqui).

Embora o episódio que causou a mudança no comando da empresa tenha deixado clara uma falha na governança da Sadia, a reação pode ser vista como exemplar. A Aracruz, em situação semelhante (saiba mais), ainda não divulgou oficialmente o tamanho exato do prejuízo —  que deve superar 1 bilhão de reais — nem puniu publicamente diretores responsáveis pelo rombo.

Furlan era uma escolha óbvia para suceder o primo Walter Fontana Filho não apenas porque já havia ocupado o cargo por quase dez anos. Furlan, neto do fundador da companhia Attilio Fontana, também é um dos maiores acionistas individuais da Sadia -- seu pai, Osório Furlan, decidiu recentemente passar em vida suas ações para os cinco filhos.

O ex-ministro possui também outra credencial. Embora tenha aparecido mais nos últimos tempos por comandar a ONG Fundação Amazonas Sustentável, criada pelo governo do Amazonas, ele faz parte hoje do conselho de administração da Telefónica na Espanha e, no Brasil, de empresas como Redecard e Amil.

A princípio as perdas da empresa com a especulação no mercado futuro de câmbio não deverão respingar no comitê de finanças da companhia, comandado por Cássio Casseb, ex-presidente do Pão de Açúcar. Os integrantes deste comitê não teriam sido informados sobre a operação de risco. As investigações de uma auditoria, empreendida pela KPMG, deverão chegar a uma conclusão nas próximas semanas.

As atenções da empresa agora se voltam também para a busca de um novo diretor financeiro, com a ajuda da empresa de headhunting Egon Zehnder.

Por Cristiane Mano
Publicado em 06/10/2008 - 20:08
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O tropeço da Sadia 2

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sadia nega que haverá qualquer mudança em seu conselho de administração. Mas fontes próximas à empresa afirmam que a saída de Walter Fontana Filho da presidência do conselho poderá ser inevitável. Isso poderia representar a volta de Luiz Furlan à empresa, após seis anos, desde que assumiu o Ministério do Desenvolvimento.

Por Cristiane Mano
Publicado em 26/09/2008 - 12:13
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O tropeço da Sadia

As ações da Sadia caíram espantosos 25% nas primeiras horas do pregão de hoje. É a reação do mercado a uma desastrosa manobra financeira que causou da noite para o dia um rombo de 760 milhões de reais no caixa da empresa. O motivo: o diretor financeiro da Sadia Adriano Ferreira (já demitido) descumpriu uma norma interna e comprou o dobro da cota de dólares pré-estabelecida como suficiente para cobrir o risco financeiro da companhia -- e decidiu especular. Ferreira provavelmente contava que a cotação do dólar cairia. Mas aconteceu justamente o contrário.

O episódio esconde um tropeço de governança que passou despercebido até o momento. Numa estrutura atípica, o diretor financeiro reportava-se diretamente ao presidente do conselho de administração da empresa, Walter Fontana Filho, e não a Gilberto Tomazoni, presidente da companhia há três anos. A estrutura permanecera assim porque na época em que o acionista Fontana Filho passou o bastão para Tomazoni, o então influente diretor financeiro Luiz Murat (demitido há pouco mais de um ano por negociar ações da empresa com informação privilegiada) não ficou subordinado ao novo presidente.

A mudança de estrutura -- com o diretor financeiro subordinado a Tomazoni -- estava prevista para o início de 2009. Com a emergência da situação, a mudança deverá passar a valer a partir de já.

Conclusão do episódio: trata-se de uma (enorme) perda para os resultados financeiros da empresa, mas de certa forma a empresa pode acelerar a melhora de sua governança.

Por Cristiane Mano
Publicado em 26/09/2008 - 11:35
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