
Eu tendo a desconfiar de gurus. Depois de quase uma década entrevistando autores de livros de negócios e professores de administração das melhores universidades do mundo é cada vez mais raro que eu me surpreenda com o que essas pessoas têm a dizer.
Hoje, um desses raros momentos aconteceu. Às 8 horas da manhã comecei uma conversa com o indiano Vijay Govindarajan, professor da Tuck School of Business, uma prestigiada escola de negócios americana. O que era para durar 15 minutos se transformou num papo de quase uma hora. VG, como é mais conhecido, consegue falar sobre estratégia e inovação -- temas cruciais para qualquer empresa -- de uma forma simples e objetiva. Não é dado à empáfia e arrogância típica dos gurus (o também indiano Ram Charan é um dos melhores representantes desse estilo). Para ele, uma das questões que define o sucesso ou o fracasso de uma empresa é: "Como você responde às oportunidades que aparecem?" Os erros mais comuns, segundo o professor, são mergulhar cegamente ou deixar as chances passarem -- em qualquer um dos casos, a falta da estratégia costuma ser fatal.
Ao conversar com ele não pude deixar de pensar que os indianos estão cada vez mais fortes no mundo dos negócios, tanto em termos de "produção" de gurus (C.K. Prahalad e o próprio Charan, só para citar dois dos mais conhecidos) quanto na administração das empresas. A indiana Indra Nooyi, por exemplo, assumiu o comando da PepsiCo há dois anos. Ontem, uma reportagem do Wall Street Journal falava que o próximo presidente da Unilever também pode vir da Índia.
Por que o Brasil, tão emergente quanto a Índia, não é capaz de produzir acadêmicos que ganhem o mundo nem de formar executivos que sejam contratados para comandar gigantes globais (não vale citar Carlos Brito, da Inbev, porque a empresa é controlada por brasileiros)?
P.S. Quem quiser ver de perto VG terá uma oportunidade semana que vem. Em sua primeira visita ao Brasil, ele vai participar do Fórum Mundial de Estratégia, organizado pela HSM e que acontece dias 5 e 6 de agosto em São Paulo
Publicado em 30/07/2008 - 12:35
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Anteontem o brasileiro Carlos Brito, presidente da Inbev, esteve na sede da Anheuser-Busch, em St Louis, para conversar com um grupo de funcionários da cervejaria (a primeira conversa desde a aquisição da AB pela InBev).
Brito não fez nenhuma revelação bombástica. Disse que a InBev está nesse ramo há séculos e que quer se perpetuar por muitas gerações. Político, afirmou que a chegada de August Busch IV ao conselho de administração da InBev será positiva para a cervejaria. Ele também fez questão de ressaltar alguns pontos da cultura da companhia belgo-brasileira que agora serão levados para os Estados Unidos. "É uma cultura de bom senso, alta performance, frugalidade e em que os funcionários são donos do negócio. Nós acreditamos em meritocracia, franqueza e informalidade. Nós acreditamos que ser justos é tratar as pessoas de forma diferente. Se alguém é mais comprometido e entrega mais resultado é preciso tratar essa pessoas de um modo diferente do sujeito que apenas comparece ao trabalho", disse ele.
Tem funcionário da AB que pode até se assustar com esse jeitão direto de falar. Mas, honestamente, acho que sem meritocracia não se chega a lugar nenhum. Pelo menos até agora essa fórmula forjada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira (os maiores investidores individuais da InBev) tem se mostrado vitoriosa.
Publicado em 23/07/2008 - 18:35
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Publicado em 22/07/2008 - 16:13
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Pressionada pelo aumento de preços no Brasil, a Suzano Papel e Celulose acaba de contratar um executivo na China cuja missão é buscar fornecedores locais -- mais baratos que os brasileiros, claro. Entre os produtos que estão na mira do executivo estão derivados de petróleo e peças de reposição para equipamentos para as fábricas.
Segundo Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano, a inflação sentida pela empresa esse ano já bate a casa dos 10%.
Publicado em 21/07/2008 - 17:15
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Uma das obsessões das empresas hoje é descobrir maneiras de usar a internet para se aproximar dos consumidores. No entanto, são raras as ações que realmente pegam -- uma das mais poderosas é aquela campanha pela beleza real, da Dove, que mostra uma mulher comum sendo transformada numa top model.
Bom, uma nova campanha está virando febre na internet -- sobretudo entre a mulherada. Recebi ontem da Luciene Antunes, uma colega aqui da redação, um email sugerindo que desse uma olhada no site "O que está acontecendo com a Grazi?" (a Grazi em questão é a atriz Grazielli Massafera). Obviamente, curiosa que sou, fui direto para lá. Ao entrar no site, o internauta é convidado a descobrir sobre o que a atriz anda conversando com as amigas ultimamente. Quem quiser saber a fofoca, deve deixar seu nome e telefone ali. Sabe o que acontece em seguida? Imediatamente a pessoa que se inscreveu recebe um telefonema com uma gravação da Grazi em que ela conta a grande novidade: sua nova tintura de cabelo.
Com essa brincadeira, a L´Oreal, fabricante da tintura, já recebeu inscrições de mais de 220 000 pessoas desde que a campanha entrou no ar, em 27 de junho.
Marketing viral é isso aí.
P.S. Desculpem o sumiço. Estive viajando a trabalho, com acesso restrito a internet.
Publicado em 18/07/2008 - 18:02
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Cristiane Correa, editora executiva de EXAME, escreve sobre o que acontece no mundo das empresas. ccorrea@abril.com.br ![]() |
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