Líder brasileira em telefonia celular, a Vivo teve um ótimo desempenho no primeiro trimestre -- foi a operadora mais rentável do país, com uma margem de lucro da ordem de 30% (leia aqui matéria publicada em EXAME pela jornalista Carolina Meyer). E para melhorar, continuava ganhando clientes. Em abril, porém, a concorrência deu um certo "calor" na Vivo. Dados da Anatel, a agência que regula o setor, compilados pela consultoria Teleco, mostram que, naquele mês, a base da operadora encolheu em cerca de 38 000 clientes no estado de São Paulo -- a região mais disputada pelas empresas do setor. Para tentar reverter a situação, a operadora teria formado uma equipe multidiscplinar cuja tarefa era recuperar mercado (oficialmente, a operadora nega que essa equipe tenha sido formada). O esforço deu resultado. Em maio, o saldo voltou a ser positivo -- 82 000 clientes.
O acirramento da concorrência pode ser percebido também pelos dados de participação de mercado da empresa. No estado de São Paulo, o share da operadora caiu de 37,37% em janeiro deste ano para 36,34% em maio. Nesse mesmo período, quem mais ganhou espaço foi a Oi, que aumentou a participação de 5,71% para 8,35%.
Vamos ver o que os resultados de junho, que devem ser divulgados daqui alguns dias, vai mostrar sobre a evolução dessa disputa...
Enquanto a Vale anuncia mais algumas centenas demissões, algumas empresas brasileiras seguem na contramão. Conversei ontem com Bernardo Hees, presidente da empresa de logística ALL, e ele contou que está em fase de contratação acelerada por lá. Como a empresa deve crescer 10% em carga transportada este ano, a companhia está aumentando também o quadro de funcionários e deve chegar a quase 300 contratações.
Como a empresa está crescendo tanto mesmo nesse cenário turbulento? Hees explica que a crise obrigou a maioria das empresas a olhar cuidadosamente seus custos. E como o transporte ferroviário é, em geral, mais barato que o rodoviário (sobretudo para distâncias superiores a 300 quilômetros), muitas companhias estão optando pelas ferrovias.
No início do mês a AmBev começou a veicular um filme sobre o Guaraná Antarctica que mostrava que para cada ocasião havia uma embalagem adequada do produto -- de latinha à garrafa de 3,3 litros. No meio do filme, um Godzilla aparecia diversas vezes. Até aí, nada demais. Só que a fabricante de refrigerante decidiu criar um viral em cima da campanha. Chamou seu garoto-propaganda, Ronaldo, e gravou uma espécie de making of em que o jogador aparecia tirando a fantasia de Godzilla (para entender a sacada é mais fácil e bem mais legal você assistir o vídeo abaixo do que ler minha explicação...). Aí, colocou o vídeo no Youtube no começo desta semana e rapidamente o filme virou uma febre. Segundo a assessoria de imprensa da AmBev, ontem às 17h o vídeo se tornou o mais assistido do mundo (já foram quase 400 000 exibições) e foi parar na home page de jornais internacionais como El Mundo Deportivo (Espanha), do El Comercio (Peru) e Gazetta Dello Esporte (Itália).
Eis aí um exemplo de viral bem feito. A AmBev aproveitou que tinha uma "diária" de seu contrato com o jogador para gastar, e decidiu investir num vídeo despretensioso...
Veja aqui o filme em que Ronaldo revela sua "verdadeira identidade" e, abaixo, o comercial do Guaraná.
Vocês devem ter visto dias atrás a notícia de que o presidente mundial da British Airways pediu que os funcionários trabalhassem de graça por um mês para ajudar a tirar a empresa do buraco -- a companhia aérea teve um prejuízo recorde de 362 milhões de dólares no ano passado. Pois bem, dos 30 000 empregados, cerca de 800 resolveram aderir. Ontem conversei com José Antonio Coimbra, diretor geral comercial da British Airways no Brasil e perguntei como os funcionários da operação local reagiram à sugestão. Coimbra me contou que a proposta ainda não foi aberta por aqui -- a empresa está em fase de negociação com o sindicato local para decidir como essa opção poderia ser colocada para seus quase 150 funcionários.
Ok. Entendo que a empresa está enfrentando dificuldades e que a mão-de-obra tem um peso importante nos seus custos totais. Mas acho um pouco demais pedir que um funcionário trabalhe de graça -- e pelo visto os 29 200 empregados que não aderiram à proposta também não se sensibilizaram com o pedido do presidente.
Dá para transformar seu ganha-pão em voluntariado?
Você trabalharia de graça se seu empregador precisasse?
Eu detesto gurus.
Exceto um: o americano Jim Collins, autor do clássico livro Feitas para Durar
Ainda me lembro da primeira vez que o entrevistei, em 2001. Ao desligar o telefone tive a certeza de que havia falado com alguém completamente fora da curva.
Por que eu admiro seu trabalho? Porque muito mais que guru, Collins é um pesquisador. Seus livros não se baseiam em "insights", mas em análises detalhadas do desempenho de empresas americanas. Junto com um time de pesquisadores ele analisa o comportamento de grandes companhias (e de suas concorrentes) ao longo de diversos anos. É desses mergulhos profundos que nascem suas teses.
No dia 1 de junho tive a chance de conhecer Collins pessoalmente. Ele acabou de lançar o livro How the Mighty Fall (numa tradução livre "Como as poderosas Caem") e fui conversar com ele em seu escritório, na pequena cidade de Boulder, no Colorado (ironicamente, a entrevista se deu no mesmo dia em que a GM, que já foi a mais poderosa empresa dos Estados Unidos, pediu concordata).
Quando liguei o gravador ele me interrompeu e disse que antes de começarmos gostaria de me fazer algumas perguntas. Pois ele passou os 20 minutos seguintes questionando por que decidi me tornei jornalista, se sempre quis trabalhar com jornalismo de negócios, como a EXAME fazia coberturas internacionais. Quando contei a ele que visitei a Toyota dois anos atrás ele me encheu de perguntas sobre a montadora. Por incrível que possa parecer, o maior especialista em gestão do mundo queria saber minhas impressões sobre a Toyota. E, cá entre nós, eu adorei! Nunca tinha conversado com um interlocutor tão curioso e que parecesse tão interessado.
Quando fui embora, aproveitando uma carona com a secretária dele, Kathy, comentei com ela que tinha ficado impressionada com esse comportamento dele. Ela respondeu: "Ele é assim com todo mundo. Está sempre interessado em ouvir o que os outros têm a dizer".
Será que esse é o segredo desse guru que mais parece um antiguru?
Os melhores trechos da entrevista, em que fala sobre crise, liderança e como gerir empresas daqui para frente, podem ser lidos na edição de EXAME que começa a circular hoje (veja aqui).
