
As empresas estão sempre procurando uma nova estratégia para ficar bem frente à opinião pública. Nesse esforço já se fez quase tudo. Tempos atrás, fazer doações a orfanatos ou instituições de caridade resolvia a questão. Depois, a moda foi integrar populações ribeirinhas a grandes empresas, de modo a fabricar produtos politicamente corretos. Mais recentemente, o melhor negócio passou a ser o envolvimento com questões ambientais.
Agora surge uma nova fronteira: ajudar a combater a inflação de alimentos e o possível colapso no abastecimento mundial. Uma das primeiras grandes empresas a se apropriar do tema foi a IBM. Acabo de ler uma matéria do site da revista Business Week sobre uma parceria entre a gigante de tecnologia e a Universidade de Washington que visa acelerar a pesquisa de novas variedades de arroz. A parceria faz parte de um projeto mais amplo da IBM, o World Community Grid, que oferece a diversos pesquisadores a possibilidade de usar computadores para processar dados. Basicamente, o WCG funciona da seguinte maneira: por meio de uma tecnologia conhecida como computação em grade é possível aproveitar a capacidade ociosa de 1 milhão de computadores ligados em rede para realizar cálculos e projeções complexas. No caso da pesquisa com tipo de arroz, estima-se que o uso dos computadores vá ajudar a diminuir o tempo de pesquisa de 200 para 2 anos (não me pergunte como os envolvidos fizeram a previsão...).
Quando terminei de ler a notícia não pude deixar de pensar que a fome está longe de ser um problema novo. Milhares de pessoas na África morrem por causa de desnutrição. A diferença agora é que o problema pode afetar as nações ricas -- e com isso ganhou uma visibilidade como jamais teve.
É claro que a iniciativa da IBM em participar dessa cruzada contra a fome tem um lado que merece elogiado -- afinal, é melhor entrar na batalha que simplesmente cruzar os braços. Mas me pareceu também um tanto oportunista -- e uma bela estratégia de RP...
Aliás, se quiser entender melhor como funciona o projeto, é só dar uma olhada neste vídeo. A IBM já colocou no YouTube, claro.
Publicado em 16/05/2008 - 11:39
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É cada vez mais comum que presidentes de empresas usem a internet para se comunicar com seus clientes. Alguns, como o CEO da americana Sun, Jonathan Schwartz, decidiram montar um blog. Já houve quem criasse seu próprio avatar no hoje praticamente sepultado Second Life. O presidente mundial do Citibank, Vikram Pandit, decidiu mandar recentemente um email para os clientes do banco. Na mensagem, ele dizia que queria contar aos correntistas os "passos arrojados" que a instituição estava dando para se tornar ainda melhor. O problema é que o texto parecia uma peça publicitária e não falava concretamente sobre nada que o banco estava fazendo.
Sabe o que aconteceu? Um dos correntistas do banco mandou o email para o The Consumerist, um site que é uma espécie de ponto de encontro dos consumidores irados americanos (leia aqui a carta na íntegra). Assim que ela foi colocada no ar, virou motivo de piada (ou, em alguns casos de raiva), de dezenas de clientes do Citi. Vários deles diziam ter recebido o mesmo email e achado a iniciativa ridícula.
Pandit poderia estar muito bem-intencionado, mas acabou dando um tiro no pé.
Publicado em 14/05/2008 - 19:51
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Você já foi assistir ao filme "Homem de Ferro"? Aproveite o final de semana e vá. Primeiro, porque é muito, muito legal -- e o ator Robert Downey Jr. brilha na pele do bilionário empresário fabricante de armas de guerra que acaba se tornando um super-herói. Segundo, porque o filme transformou-se num estrondoso sucesso -- 100 milhões de dólares de bilheteria no final de semana de estréia -- e está mudando o destino da Marvel, empresa que detém os direitos do personagem.
A trajetória da Marvel é um ótimo exemplo do como uma empresa pode demorar a enxergar as oportunidades do mercado. No final da década de 90, a Marvel esteve prestes a quebrar, apesar de ser uma das maiores editoras de histórias em quadrinhos do mundo. A mudança de hábitos de consumo da garotada -- muito mais interessada em videogame, cinema e computador -- transformou as revistas em quadrinho em artigo de colecionador. Manter-se naquele mercado, portanto, poderia significar o suicídio. Onde estaria a saída? Na exploração de seus personagens de um jeito, digamos, diferente do tradicional. Em 2002, a empresa levou para as telas de cinema o "Homem Aranha". A história do tímido adolescente que ganha superpoderes após ser picado por uma aranha geneticamente modificada acabou se transformando na maior bilheteria daquele ano -- e a Marvel, que havia licenciado a imagem do super-herói para um estúdio, ficou com 5% da bilheteria.
A partir daí, a empresa decidiu tomar para si a responsabilidade de fazer um filme. Pediu dinheiro emprestado e formou um fundo para investir em diversos projetos no cinema. O "Homem de Ferro" é o primeiro deles e pode gerar um lucro de 200 milhões de dólares à empresa, segundo estimativas de analistas americanos. Outros, como o "Incrível Hulk", já estão no forno.
Se tivesse insistido nos quadrinhos, a Marvel hoje poderia não ser mais que uma lembrança de fãs nostálgicos...
Publicado em 09/05/2008 - 17:01
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Poucas empresa no Brasil têm um histórico de alta rentabilidade como a Redecard, a processadora de cartões controlada pelo Citibank, Itaú e Unibanco. Na última edição de Melhores & Maiores da revista Exame, a Redecard aparece como a campeã em rentabilidade no país em 2006, com 87% de retorno sobre o patrimônio líquido (a empresa já ganhou este título outras vezes nos últimos anos). Mesmo assim, seu novo presidente, o executivo Roberto Medeiros, acha que é fazer mais. Ex-executivo da Telefônica, Medeiros assumiu o cargo há três meses e está passando um pente fino nos processos da empresa para identificar onde é possível melhorar a eficiência (a consultoria Galeazzi & Associados acaba de ser contratada para ajudá-lo nessa empreitada). Uma dessas oportunidades já foi identificada. Até agora, quando fazia a cobrança de seus clientes (varejistas), a Redecard desprezava os centavos. Ou seja: uma conta hipotética de 100,09 reais era arredondada para 100 reais. Parecia uma atitude inofensiva -- afinal, o que são alguns centavos? O problema é que com a capilaridade da rede (hoje são mais de 1 milhão de estabelecimentos), esses centavos se transformavam num monte dinheiro. Feitas as contas, algo em torno de 12 milhões de reais por ano que a Redecard simplesmente ignorava.
A história me fez pensar em quantas empresas se deixam embalar pelo próprio sucesso e acabam levando um susto quando aparece um concorrente eficiente ou há uma mudança na legislação do mercado (pense na IBM na década de 80 ou no susto que o Google deu na Microsoft, por exemplo). Medeiros não quer ter esse tipo de surpresa Redecard. A partir de agora, todos os centavos serão contados -- e outras mudanças na empresa devem vir por aí.
Publicado em 08/05/2008 - 15:30
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Há 10 anos a Gradiente não tem lucro operacional. Isso significa que, há uma década, a empresa não consegue ganhar dinheiro com sua atividade principal, a produção de eletroeletrônicos. O empresário Eugenio Staub, dono da empresa, recebeu duas grandes boladas nos últimos anos com a venda de uma fábrica em Manaus para a finlandesa Nokia e com a venda da marca Philco pouco tempo atrás. Nem essas injeções de dinheiro foram capazes de fazer a companhia prosperar.
Apesar desse quadro desanimador, o presidente Lula está dizendo por aí que fará o que estiver a seu alcance para ajudar a Gradiente (Staub foi o primeiro empresário a apoiar Lula publicamente durante a campanha do então candidato à presidência da República, em 2001).
Chega a ser vergonhoso que o governo queira dar uma mãozinha a uma empresa claramente incapaz de atuar no mercado. Colocar mais dinheiro na Gradiente não vai tirá-la no buraco -- vai apenas estender a sangria às custas do dinheiro público. Em vez de tentar ajudar Staub, o governo deveria se preocupar com os milhares de microempresários que todos os anos têm de fechar seus negócios esmagados pelos altos impostos e por um sistema trabalhista ultrapassado.
Publicado em 07/05/2008 - 12:35
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Cristiane Correa, editora executiva de EXAME, escreve sobre o que acontece no mundo das empresas. ccorrea@abril.com.br ![]() |
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