Bons livros de negócios escritos no Brasil são raros. Não sei exatamente porque, mas são. Por isso é sempre muito legal quando me deparo com uma obra que vale a pena. É o caso de Fazer Acontecer.com.br, que o publicitário Julio Ribeiro, fundador da Talent, uma das agências mais bacanas do país, está lançando hoje. Na obra (uma reedição atualizado de um livro publicado por Ribeiro na década de 90), o publicitário conta vários episódios interessantes que marcaram sua carreira.
Gostei de diversos trechos do livro, mas um capítulo em especial me chamou a atenção: "O sonho é a parte mais importante da realidade". Nele, Ribeiro fala um pouco sobre sua decisão de abandonar uma agência grande para começar, sozinho (ou melhor, com um office boy e um motorista), a Talent. "Clientes? Nenhum. Capital? Algum dinheiro no banco, duas resmas de papel, um conjunto vazio, uma mesa e o meu talento. Mas era como nascer de novo", diz ele.
Algumas outras frases do livro refletem bem o estilo de Ribeiro:
"Não existe produto invendável"
"As megafusões são fatos importantes para o mundo empresarial. Os consumidores, no entanto, se interessam mais pelo que estas novas empresas vão propor de bom para eles"
"Você honestamente crê que alguém possa ser comovido ao saber que a sua empresa está fazendo 25 anos?"
"Quando cada um corre para um lado, dificilmente a empresa chega a algum lugar"
"Para algumas empresas soa complicado demais modificar sua forma de operação para obter ganhos em desempenho"
Vale a leitura!
À parte as discussões ideológicas, o episódio envolvendo a Uniban e a estudante Geisy Arruda, hostilizada por ir às aulas com um mini-vestido Pink, tem todos os elementos para se tornar um case de desastre no que se refere à administração de uma crise.
Basicamente tudo o que poderia ser feito errado, a administração da Uniban fez. Primeiro, deixou a manifestação dos alunos contra Geisy tomar uma proporção próxima do linchamento -- até a polícia teve de intervir. Depois, expulsou a aluna. Ah? A menina é atacada e ela é quem é penalizada? Finalmente, resolveu voltar atrás. Ou seja, um samba do criolo doido sem precedentes.
A sucessão de equívocos acabou por fazer com que a opinião pública ficasse ao lado de Geisy e demonizasse a Uniban. Na internet, os comentários sobre o assunto não param e há até vídeos no YouTube sacaneando a universidade. Um dos melhores é o que está abaixo, que me foi enviado pela colega Fabiane Stefano. Trata-se de uma paródia que mostra Hitler altamente irritado ao saber que os estudantes da Uniban agora são chamados de nazista. "Nós não perseguimos mulheres!", diz ele.
O pior de tudo nessa história é que os maiores prejudicados serão os estudantes sérios da Uniban. Hoje de manhã ouvi uma universitária dando entrevista na televisão. Ela dizia que todo esse imbróglio prejudicou a imagem da faculdade e que os alunos que se formarem esse ano terão dificuldades de conseguir emprego. Eu honestamente acho que ela está certa. E você? Enquanto pensa na resposta, assista o filme abaixo:
