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A cada edição, EXAME convida um especialista para comentar uma de suas reportagens e esclarecer as dúvidas dos leitores sobre o assunto. Neste número, o professor da FGV Eduardo Lozardo comenta a globalização e seu impacto no Brasil.
 

Questionável governança bancária dos EUA

A inquietude é geral. Investidores, comerciantes, banqueiros e economistas estão atentos quanto à extensão da crise de liquidez dos principais bancos do mundo. A avalanche de inadimplência de crédito específica do setor de hipotecas residenciais de segunda linha, os subprimes, acarretou uma crise de liquidez no sistema bancário dos EUA, a qual se estende a alguns bancos europeus.

O mercado dos subprimes corresponde a 10% do PIB e a 13% do total das hipotecas residenciais dos EUA. O estoque de hipotecas residenciais corresponde a 80% do PIB norte-americano. Portanto, o mercado dos subprimes não é tão desprezível como se pode imaginar. A crise de crédito no mercado dos subprimes denota a fragilidade dos sistemas de avaliação de risco de crédito, de operações que envolvem instrumentos financeiros derivados de um produto real, bem como da qualidade da governança corporativa bancária nos EUA.


Publicado em 05/12/2007 - 13:31


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O real continuará valorizado

A crise de liquidez no mercado bancário dos EUA, com respingos no europeu, está motivando muitos analistas do mercado financeiro a desenharem um cenário nebuloso para a economia brasileira em 2008. A principal preocupação dos investidores, empresários e exportadores tem sido a valorização da moeda nacional em relação ao dólar. Mesmo com uma queda no crescimento da economia mundial, o real ficará em torno de R$ 1,65 no final do próximo ano.

Dificilmente os responsáveis pela política econômica poderão evitar essa tendência de valorização do real. Ela está diretamente ligada tanto à credibilidade da política econômica, da solidez do sistema bancário, do aumento das reservas internacionais, em torno de U$ 175 bilhões, como às oportunidades que os investidores têm em uma economia que está se estruturando para uma fase de crescimento compatível ao da economia global. Ademais, o país deverá obter o "grau de investimento" em 2008, o que, seguramente, aumentará os fluxos de entrada de investimentos diretos e financeiros, valorizando, ainda mais, o real. Fazer qualquer restrição à entrada de capitais internacionais será um tiro no pé da credibilidade das reformas institucionais.


Publicado em 03/12/2007 - 11:49


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Um mundo menos acelerado, mas bom para o Brasil

As previsões feitas pelo FMI e Banco Mundial sobre o crescimento da economia mundial em 5,2% em 2008, certamente, não ocorrerão. O mais provável será uma taxa de crescimento em torno de 4,2%. Crescimento menor significa uma demanda menor, com redução da pressão sobre a alta de preços das commodities mais demandadas. No próximo ano, os investimentos diretos internacionais sofrerão uma pequena retração, serão mais seletivos, priorizando as economias que estão promovendo reformas institucionais, taxa de crescimento sustentável e preços estáveis. O Brasil será um forte candidato para receber expressivos investimentos diretos estrangeiros.

Se a crise de liquidez internacional afetar as economias emergentes, no Brasil seu efeito será menor. Isso se deve ao fato de que os bancos brasileiros estiveram distantes das operações de riscos dos subprimes dos EUA. As políticas monetária e fiscal têm sido consistentes com a sustentabilidade do crescimento, queda gradual dos juros com estabilidade de preços e câmbio flexível.

Publicado em 29/11/2007 - 15:59


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É professor de economia da FGV desde 1977. Foi secretário de planejamento e de economia do Estado de São Paulo. Publicou recentemente Globalização: a certeza imprevisível das nações. Livraria Cultura.






 
 
 
 

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