Por Taís Fuoco
SÃO PAULO (Reuters) - A engenheira Fátima Raimondi, que assumiu nesta semana a presidência da Ericsson Brasil, espera um crescimento entre 5 e 10 por cento na receita da subsidiária brasileira este ano, o que levará o faturamento para pouco além dos 2 bilhões de reais.
Admitindo que a postura é conservadora, a executiva explicou que a companhia "está repensando essa idéia de grandes crescimentos que não sejam sustentáveis".
A projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), por exemplo, é que todo o setor de telecomunicações, incluindo a venda de celulares, cresça 18 por cento este ano.
"Um índice entre 5 e 10 por cento é um bom patamar para um crescimento sustentado. Temos de buscar manter a rentabilidade para continuar a investir", afirmou a executiva, em encontro com a imprensa nesta quarta-feira.
Ela lembrou que, apesar da companhia ter ganhado boa parte dos contratos de redes 3G do país, "são contratos de longo prazo onde o faturamento não acontece em um ano só".
Além disso, muitos fabricantes de equipamentos têm apresentado resultados menores diante da acirrada competição e da redução no número de operadoras, com o movimento de consolidação.
Fátima é a primeira mulher a assumir a presidência da Ericsson no país e uma das poucas brasileiras que ocupou o posto nos 80 anos em que a Ericsson tem subsidiária brasileira.
Segundo ela, "não haverá mudanças drásticas" em sua gestão, mas sua prioridade será "programas de formação de pessoal e revisão de processos que tornem a companhia mais rápida".
Em 2006, por exemplo, a receita da Ericsson no país chegou a encolher entre 5 e 10 por cento sobre o ano anterior, mas a partir de 2006 os negócios voltaram, com a decisão da Vivo de implantar uma rede GSM e com a consequente chegada da terceira geração de celular em 2007.
LIVRE DE IMPACTO ATÉ 2009
A nova presidente da Ericsson acredita que o Brasil estará imune à crise das instituições financeiras norte-americanas neste ano e em 2009. "Mas isso não quer dizer que não estamos atentos, estamos constantemente monitorando todo o mundo", afirmou.
Ela acredita, inclusive, que "as telecomunicações ajudam em momentos de crise, otimizando as operações e permitindo redução de custos".
A companhia também tem planos de elevar as exportações, apesar das oscilações do câmbio. Sem revelar previsões, Fátima afirmou que a empresa quer elevar o volume exportado para os vizinhos da América Latina. Em 2007, as exportações geraram 170 milhões de reais à companhia.
Em outros mercados, a Ericsson espera conseguir negócios com "a nova possível empresa brasileira", disse Carlos Duprat, vice-presidente da companhia, em referência à nova Oi após a compra da Brasil Telecom .
Ele lembrou que a Oi já divulgou ao mercado planos de interesse em regiões como África e Europa. "Estamos sugerindo a Ericsson como parceira de exportações", disse ele.