Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A proposta apresentada pela estatal venezuelana PDVSA para uma parceria na construção em Pernambuco da refinaria Abreu Lima, de 230 mil barris/dia, é inviável, afirmou nesta quinta-feira o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Segundo ele, há dois impasses inviabilizando o acordo. O primeiro se refere ao preço do petróleo que seria vendido pela PDVSA para processamento na refinaria.
O segundo envolve a comercialização dos produtos resultantes do processamento.
"A posição da Petrobras é fechar acordo desde que seja viável. Hoje, é inviável", afirmou Costa a jornalistas em evento na sede da empresa.
"Sem resolver esses dois impasses, não há acordo".
O investimento inicial na unidade é estimado em 4 bilhões de dólares.
Sobre o preço do petróleo venezuelano, a Petrobras defende a fórmula que considera a cotação do Brent e um deságio, já que o petróleo da Venezuela é mais pesado que o Brent.
Os venezuelanos não concordam e querem um cálculo diferente, com outros fatores, segundo Costa.
"Não posso fazer um contrato de 15 anos que não tenha o Brent como referência. Eles querem incluir um fator financeiro", afirmou.
Na questão da comercialização dos derivados que serão produzidos na Abreu Lima, a PDVSA gostaria de pegar o equivalente à sua participação de 40 por cento e vender no mercado brasileiro.
"Se isso acontecer, o mercado local vai entrar em parafuso. Pode quebrar muitas distribuidoras pequenas no Nordeste, e isso nós não queremos", acrescentou Costa. A Petrobras defende a exportação da produção.
AUTOSSUFICIÊNCIA EM DIESEL
Com a entrada da refinaria Abreu Lima em operação, prevista para 2011, e a antecipação das etapas das refinarias Premium 1 e Premium 2 (Ceará e Maranhão), com produção inicial em 2013 e conclusão em 2015, a Petrobras se tornará autossuficiente e exportadora de diesel a partir de 2013, disse Costa.
Segundo ele, mais de 40 por cento da demanda por derivados no Brasil é por diesel. No ano passado, a Petrobras importou em média 15 por cento do diesel consumido. A demanda média diária por diesel no Brasil foi de 780 mil barris em 2008.
Com a refinaria de Pernambuco, e as duas Premiuns, serão agregados mais 150 mil barris/dia de diesel ao suprimento doméstico.
"A autossuficiência de diesel no Brasil ocorrerá com a entrada da Renest (Abreu Lima) em 2011 e com o início das operações das Premiuns em 2013. Neste ano deixaremos de ser importadores de diesel e passaremos a ser exportadores. É uma nova página na história da companhia e uma importante reversão para a balança comercial brasileira", disse o diretor.
A área de Abastecimento da Petrobras deverá investir 47,8 bilhões de dólares de 2009 a 2013. Além das 3 refinarias citadas acima, também haverá investimento em uma quarta unidade, a Clara Camarão, no Rio Grande do Norte.
A carga de petróleo processada deverá passar dos atuais 1,791 milhão de barris para 2,270 milhões em 2013 e 3,012 milhões em 2020, com um aumento médio anual de 4,8 por cento.
A Petrobras prevê um crescimento anual de 3 por cento para os derivados no mercado interno, subindo de 1,945 milhão de barris por dia em 2008 para 2,257 milhões diários em 2013 e 2,876 milhões por dia em 2020.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Marcelo Teixeira)