Por Fabio Gehrke
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar seguiu no mercado doméstico o movimento internacional da moeda e fechou em alta pela oitava sessão consecutiva. Com a forte valorização dos últimos dias, a moeda norte-americana zerou a baixa acumulada no ano.
Nesta quarta-feira, o dólar subiu 0,68 por cento, a 1,785 real, e agora acumula alta de 0,45 por cento em 2008.
Em mais uma sessão bastante volátil, o dólar chegou a operar em queda durante a manhã refletindo o otimismo dos mercados financeiros com a divulgação pelo Lehman Brothers de medidas a serem tomadas para fortalecer a posição do banco.
Mas o bom humor não sustentou a valorização do real que voltou a seguir os mercados cambiais internacionais. Frente a uma cesta com as principais moedas globais, o dólar subia 0,50 por cento, para o maior patamar em 12 meses.
"Ele (o dólar) chegou a cair de manhã com a expectativa dos dados (do Lehman)... mas nem os números ajudaram muito", afirmou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora.
Segundo Carreira, a alta do principal índice da Bovespa não foi suficiente para segurar o dólar, pois a moeda tem estado mais atrelada aos movimentos externos.
A Bolsa de Valores de São Paulo operava em alta de 2,5 por cento e o risco-país recuava 2 pontos básicos.
"Aqui dentro não está tão ruim, mas é lá fora que preocupa", afirmou Carreira citando a forte queda das commodities. O índice Reuters-Jefferies caía 0,73 por cento, enquanto que o petróleo também operava em território negativo.
Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora, tem avaliação semelhante, afirmando que "hoje o dólar (internamente) está subindo seguindo o petróleo e o euro". Na sessão o euro perdia mais de 0,70 por cento frente ao dólar.
Para o analista, o mercado cambial opera puxado por duas forças distintas e contrárias, o fortalecimento do dólar no exterior e os altos juros domésticos pressionando a cotação para baixo internamente.
Mas no curto prazo, Forgione alerta que a aversão ao risco tem força superior e nem mesmo a expectativa de alta de 0,75 ponto percentual nos juros esperada para a reunião do Copom deve mudar este cenário. E ressalta que "o dólar só volta a cair quando tiver uma melhora internacional".
Nesta quarta-feira, após o fechamento dos mercados, o Comité de Política Monetária irá anunciar a sua decisão sobre a taxa básica de juro do país. Pesquisa Reuters mostrou unanimidade na aposta de que o Banco Central irá elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual.
No meio da sessão, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu a taxa de corte a 1,7812 real, e aceitou, segundo operadores, duas propostas.