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Dólar flerta com R$1,999 por ingressos e disputa de Ptax

27 de Maio de 2009 | 17:21

Por José de Castro e Paula Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, em meio ao contínuo ingresso de recursos no mercado doméstico, depois de chegar a cair abaixo do nível psicológico de 2,00 reais no início do dia.

A moeda norte-americana recuou 0,25 por cento, a 2,016 reais para venda. Logo na abertura, a cotação chegou a cair mais de 1 por cento, a 1,999 real --menor patamar desde o início de outubro.

"O que a gente tem visto é muita oferta de dólares, e essa oferta tem sido maior do que a demanda", avaliou o analista de câmbio da Corretora Liquidez Mario Paiva. De acordo com ele, os recursos estão entrando tanto pelo segmento comercial quanto pelo financeiro.

Dados divulgados pelo Banco Central na véspera mostraram que o Brasil acumula em maio entrada líquida de recursos externos de 3,086 bilhões de dólares.

O ingresso leva em conta dados até o dia 22, mas, caso maio já estivesse fechado, seria a maior entrada mensal desde abril de 2008, quando o saldo positivo ficou em 6,723 bilhões de dólares.

Para o economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, o ingresso de dólares no mercado local via segmento financeiro deve continuar pelos próximos meses caso as perspectivas positivas para o Brasil permaneçam.

Ele lembrou os números divulgados pela Bovespa, revelando que o saldo líquido entre compras e vendas de ações por parte de investidores estrangeiros no mês, também até 22 de maio, atingiu 4,4 bilhões de reais. No ano, esse número sobe para 9,5 bilhões de reais.

"Sem dúvida é um número surpreendente, e isso tem contribuído para a queda do dólar", destacou.

Em meio a esse cenário, o Banco Central realizou nesta tarde mais um leilão de compra de dólares no mercado à vista. O BC retomou esses leilões no dia 8 de maio, depois de um jejum de cerca de oito meses.

VENCIMENTOS DO FIM DO MÊS

Não bastasse o contexto favorável à queda do dólar, operações no mercado de opção ajudaram a forçar a taxa para baixo. De acordo com um operador, que preferiu não ser identificado, há cerca de 80 mil contratos de opção em aberto na BM&F na faixa de 1,900 real e 2,050 reais, a vencer neste mês, com um grande volume concentrado na taxa de 2,000 reais.

Esses contratos serão liquidados pela Ptax (taxa média das cotações ponderada pelo BC) do dia anterior ao vencimento, ou seja, da próxima sexta-feira.

Assim, interessa a alguns players que compraram esse contrato que a taxa à vista caia e influencie a Ptax, para eles lucrarem com a operação se houver exercício.

"Se cair a 2,000 reais, esses players não ganham nada, mas se a cotação recuar abaixo disso, o ganho é proporcional, uma vez que eles ficarão vendidos nessa taxa", explicou.

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