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Novo momento do mercado mundial de leite estimula empresas brasileiras

Por AE  | 14.09.2007 | 10h42

A seção Análises & Cenários do serviço AE Empresas e Setores traz a cada semana uma visão aprofundada dos temas mais relevantes para os principais segmentos da economia.

Leite em alta

A nova conjuntura do mercado mundial de leite, com demanda aquecida e perspectiva de déficit na oferta, aumenta o interesse das empresas brasileiras nesta área, segundo o cenário de Alimentos e Bebidas. Os altos preços estimulam a melhora na produtividade e o aumento dos investimentos, podendo aumentar exportações. A Parmalat, sob nova gestão, voltou a fazer publicidade e anunciou planos grandiosos de integração de sua cadeia produtiva, assim como a Perdigão, que revelou recentemente seu interesse de entrar para o mercado de leite em pó. A Eleva comprou na última quarta-feira a unidade industrial da CCL, em Itumbiara (GO) e a Nestlé iniciou a construção de uma fábrica de lácteos no Rio Grande do Sul.

Margem ameaçada

A eventual restrição do mix de produtos à venda em farmácias e drogarias brasileiras, proposta em uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deverá ter impacto significativo nas margens do varejo de medicamentos e até mesmo no bolso do consumidor, conforme relata o cenário dos setores de Química e Petroquímica e de Comércio e Serviços. De acordo com a Associação Brasileira de Farmácias (Abrafarma), 25% do faturamento bruto dessas empresas - de R$ 7 bilhões no ano passado - vêem da venda de não-medicamentos e a perda dessas receitas poderia pressionar ainda mais as margens do setor ou mesmo levar à alta de preços em alguns produtos.

Fator país

Apesar dos altos investimentos realizados pelas montadoras instaladas no Brasil para atender o crescimento das vendas, o País precisa ganhar mais competitividade para receber aportes mais vultosos das multinacionais do setor, conforme estudo da consultoria WaterhouseCoopers. Segundo aborda o cenário Automotivo, as economias de países como China, Rússia e Índia têm um desempenho hoje que os credenciam a receber um volume maior de recursos das montadoras do que o Brasil. Um fator fundamental para a indústria do setor é a retomada da atratividade das exportações brasileiras, perdida com a valorização do real perante o dólar.

Tecnologia da discórdia

O início das transmissões da TV digital, programado para dezembro deste ano na capital paulista, pode colocar empresas de canais abertos e fechados na arena. O cenário de Telecom e TI mostra que é possível que o confronto não seja direto, mas é certo que a mudança trará importantes desafios às companhias que vendem programação aos telespectadores. Os radiodifusores já começam a falar em cobrar das tevês fechadas a transmissão de seus conteúdos por meio do sinal digital em alta definição. Além disso, existem barreiras tecnológicas, isso porque os decodificadores destas empresas são incompatíveis com as caixas conversoras fabricadas para a TV digital.

Barreiras legais

O cenário de Mineração e Siderurgia mostra as dificuldades para a expansão da extração e a consolidação do Brasil como grande produtor mundial de bauxita, a principal matéria-prima do alumínio. A falta de uma legislação ambiental para o setor poderá impedir, por exemplo, que a região da Zona da Mata de Minas Gerais se torne o próximo pólo de expansão do metal no País, que hoje é o segundo produtor global, perdendo apenas para a Austrália. A produção brasileira anual de bauxita é de 32,97 milhões de toneladas.

Conta não fecha

Dona da segunda maior reserva de gás natural na América Latina, a Bolívia colhe os resultados do processo de nacionalização de suas reservas de hidrocarbonetos, segundo o cenário de Energia. Os investimentos em exploração e produção vêm caindo nos últimos anos e o governo de La Paz assumiu compromissos externos sem ter gás suficiente para atendê-los. Só para cumprir o novo contrato com a Argentina, que começa em 2010, será necessário adicionar 27 milhões de metros cúbicos diários (m³/d) à produção. Mesmo hoje, a Bolívia não tem gás suficiente. O país produz 40 milhões m³/d e têm compromissos de vender 47,2 milhões. Faltam, portanto, todos os dias, 7,2 milhões de m³ para a conta fechar.

Há vagas para empresas

As empresas de corretagem de imóveis estão entre as mais promissoras para a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo. Conforme o cenário de Construção Civil, as corretoras ou intermediadoras imobiliárias são atraentes por conta da diversificação de seus portfólios e pelo fato de não exigirem volumes expressivos de investimentos, diferentemente, por exemplo, das construtoras que operam na bolsa. Os analistas alertam, entretanto, que um fator de risco para os investidores é a tendência de imediatismo na tomada de decisões pelas companhias do setor.

Salto do leasing

De acordo com o cenário do setor Financeiro, a autorização para as empresas cederem crédito para serem securitizados, uma medida que vem sendo estudada pelo Banco Central, poderá ajudar na expansão das atividades do setor de leasing, que vem crescendo a taxas recordes e registrou no primeiro semestre de 2007 o melhor desempenho da década. A previsão é de que a mudança ocorra até o ano do ano que vem mas, para que a securitização ocorra, o BC precisa mudar a forma de reconhecimento da receita e do resultado da operação de cessão dos contratos de leasing para a emissão dos títulos.

Entrando nos trilhos

Os investimentos do setor privado em ferrovias continuam a crescer no País, enquanto os aportes do setor público patinam, conforme o cenário de Transportes e Logística. A produção ferroviária nacional aumentou na faixa de 70% entre 1997 e 2006. Mas, de acordo com um estudo elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), intitulado PLB, o Brasil precisa de pelo menos mais 10 mil quilômetros de ferrovias para alcançar pelo menos o patamar que havia em 1958.

A versão completa dos cenários está disponível para os assinantes na área de Análises & Cenários. Para mais informações, ligue para 0800 011 3000.

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