A empresa mexicana Femsa, dona da Kaiser, chegou ao Brasil com grandes ambições. No início do ano, relançou a marca Sol com um poderoso investimento de marketing. Mas apesar de todo o esforço, o grande fenômeno do mercado cervejeiro dos últimos tempos vem do interior de São Paulo. A cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava, acaba de assumir a terceira colocação no ranking, ao deixar para trás a Femsa. Em um ano, a participação da Petrópolis subiu de 6% para 8,1%. Em 2004, a empresa respondia por apenas 3,6% das vendas. Cada ponto corresponde a R$ 100 milhões de faturamento.
A Petrópolis pertence a Walter Faria, um empresário tão discreto quanto polêmico. Aos 52 anos, ele quer se tornar um cervejeiro dos grandes. Tem planos de dobrar a capacidade de produção e chegar a 12 milhões de hectolitros por ano até meados de 2008. Diz que falam mal dele porque sua empresa cresce rápido e incomoda os concorrentes. E provoca a AmBev, líder com 67,2% de mercado. "A verdade é que se não existissem os pequenos no mercado, hoje o brasileiro estaria pagando R$ 5 por uma cerveja."
A quem pergunta sobre as acusações de sonegação fiscal envolvendo distribuidoras das cervejas da Petrópolis, Faria diz que não é com ele. Garante que não é dono de distribuidoras e trabalha com 117 revendas independentes. Ao ser informado que o seu nome aparece no registro comercial da maior distribuidora da Petrópolis, a Praiamar, Faria diz que havia esquecido da sociedade, mas que já não é mais sócio da empresa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.