Representantes legais das cervejarias Cintra e Petrópolis vão se reunir na próxima segunda-feira, dia 16, em uma audiência em São Paulo, às 13h30, para definir em qual Câmara Arbitral será solucionado o conflito entre as companhias. A briga já chegou à Justiça, com a Petrópolis tentando impedir a venda da Cintra para a AmBev.Inicialmente as duas empresas assinaram um contrato de venda da Cintra para a Petrópolis, que foi rescindido pela primeira. No acordo era previsto que qualquer conflito entre as partes deveria ser solucionado por meio de arbitragem, por ser mais ágil do que a via judicial. No entanto, o contrato não especificava quais seriam a Câmara e as regras do processo.Se as partes não chegarem a um consenso, o juiz vai determinar os detalhes. Em média, a arbitragem leva alguns meses para ser concluída, mas em alguns casos pode demorar mais de um ano, de acordo com a complexidade do caso.A disputa entre as empresas começou quando a Cintra desistiu de vender suas operações para a Petrópolis após a assinatura do contrato de venda. A Petrópolis recorreu à Justiça pedindo o cumprimento do contrato. O juiz da 34ª Vara Cível do Fórum Central de São Paulo, Lincoln Andrade de Moura, concedeu liminar proibindo a venda da Cintra para qualquer empresa.Em seguida, a Cintra recorreu da decisão e conseguiu obter a revogação da decisão provisória com o juiz da primeira instância, o que possibilitou a venda das fábricas da empresa para a AmBev. A operação, no valor de US$ 150 milhões, foi anunciada no dia 28 de março pela multinacional. A liminar, no entanto, foi restaurada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ).De acordo com o advogado da Cintra, Heitor Faro de Castro, a decisão do TJ foi posterior à conclusão do negócio com a AmBev. "Quando o tribunal deu uma nova liminar , a compra pela AmBev já havia sido fechada. O juiz arbitral agora vai decidir se a venda de participação é lícita ou não", afirma.Segundo ele, o contrato entre Cintra e Petrópolis previa uma multa "altíssima" para a parte responsável pela rescisão. O valor é de US$ 25 milhões, de acordo com o gerente jurídico da Petrópolis, Jaime Luis Tronco. No entanto, o contrato não poderia obrigar a AmBev e a Cintra a desfazerem o negócio, afirmou o advogado da Cintra. "É improvável que o juiz determine que a Ambev venda as fábricas", disse.Mesmo assim, a Petrópolis ainda tem expectativas de fechar o negócio. "Queremos que a venda seja realizada de acordo com o contrato. Caso contrário, a Cintra deverá pagar a multa pela rescisão", disse Tronco.A Cintra alega que desistiu da venda porque a Petrópolis não teria cumprido as condições de venda previstas no contrato. Uma das condições determinava, segundo ele, que a Petrópolis deveria assumir a dívida da Goldensand (controladora da Cintra) junto à Caixa Geral de Depósitos, em Portugal. A Petrópolis deveria ainda assumir as dívidas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundes).De acordo com os advogados da Cintra, a dívida deveria ser assumida com anuência prévia e expressa do BNDES e do Fundes. Sem essa anuência, a Cintra não teria mais obrigação de vender a empresa à Petrópolis. A Cintra alega que a Petrópolis não comprovou o cumprimento das condições dentro do prazo, que era o dia 28 de fevereiro deste ano.No entanto, a Petrópolis argumenta que a Cintra rompeu o acordo porque recebeu uma oferta maior por parte da AmBev. "A informação de que não cumprimos todas as condições do acordo é falsa. Até hoje a garantia que depositamos em Portugal está retida", disse Tronco.De acordo com ele, os executivos da Petrópolis foram até Portugal no dia 28 de fevereiro para fechar o negócio após o cumprimento das condições. No entanto, o dono da Cintra, José de Souza Cintra, não apareceu no horário combinado. "Acreditamos que ele tenha voltado para o Brasil para negociar a venda para a AmBev", disse. Nos três dias seguintes, a Petrópolis afirma que não conseguiu localizar o presidente da Cintra, até que no dia 6 de março decidiu entrar na Justiça.