Depois de muita expectativa e de um pregão praticamente inteiro operando acima do recorde de 6 de dezembro de 2007 - 65.790 pontos -, o que sinalizava a ruptura de um importante patamar com o qual os investidores vêm flertando nas últimas semanas, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, frustrou os anseios a minutos do fechamento. O índice, mais uma vez, ficou apenas na promessa, hoje afetada pela piora de desempenho das bolsas nova-iorquinas a minutos do fim do pregão.
O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,75%, aos 65.677,7 pontos. Oscilou entre a mínima de 65.191 pontos (+0,01%) à máxima de 66.025 pontos (+1,29%) - a maior pontuação histórica, de 66.529 pontos, é de 7 de dezembro de 2007. Com o desempenho de hoje, a Bolsa acumula ganhos de 7,72% em abril e de 2,80% em 2008. O volume financeiro negociado totalizou R$ 5,673 bilhões.
Antes de ampliar um pouco as perdas, as bolsas americanas operaram indecisas, ao redor da estabilidade. Mas o Dow Jones acabou recuando 0,16%, aos 12.871,8 pontos, e o S&P encerrou em baixa de 0,11%. O Nasdaq conseguiu sustentar a alta e subiu 0,06%.
A agenda carregada da semana nos EUA pesou sobre o noticiário corporativo favorável: na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) se reúne e deve cortar a taxa de juros (o mercado espera mais 0,25 ponto porcentual de redução, para 2% ao ano); na quinta-feira, sai o índice de preços dos gastos com consumo pessoal; e, na sexta, o relatório da mão-de-obra de abril. O que vinha sustentando os índices de ações americanas até então eram as notícias de que a maior fabricante de gomas de mascar do mundo, a Wm. Wrigley Jr, pode ser adquirida por US$ 22 bilhões pela fábrica de doces Mars em conjunto com o grupo Berkshire Hathaway e de que o grupo de investimento Tracinda pretende ampliar em mais 1% sua participação de 4,7% nas ações da Ford.
A trégua vinda do lado externo o dia todo permitiu à Bovespa reagir ao balanço favorável do Bradesco, que se refletiu sobre todo o setor financeiro, além de ter o fôlego reforçado pelas altas de Vale e Petrobras. O Bradesco anunciou lucro líquido 23,3% maior no primeiro trimestre, para R$ 2,102 bilhões, resultado recorde para o período e também a maior cifra em 20 anos, segundo cálculos da Economática. Os números levaram os investidores às compras dos papéis do segmento como um todo. As ações PN do Bradesco, no entanto, passaram por realização de lucros e caíram 1,03%, enquanto as ON subiram 0,06%. Bradesco Participações PN subiu 1,52% e ON, 2,22%.
Contrabalançou o índice, no entanto, a queda das ações de Brasil Telecom (BrT) e Oi, com os investidores refazendo as contas sobre quais seriam os preços justos às ações após a operação de compra do controle da primeira pela segunda. Telemar (Oi) ON liderou as perdas ao cair 10,92%, seguida por suas ações PN (-9,69%) e por BrT Operadora PN (-4%). BrT Participações ON caiu 3,38% e foi a quinta maior baixa do índice.
As ações da Vale e da Petrobras desequilibraram o Ibovespa para cima. As ações da mineradora seguiram a alta dos metais no exterior e também as perspectivas de aumento de suas receitas por conta do reajuste do minério de ferro e pelotas, assim como de aquecimento da demanda. Vale PNA ganhou 1,55% e Vale ON subiu 1,37%.
Petrobras, mais uma vez, contou com o empurrão do petróleo no exterior. A commodity renova seus recordes a todo o momento. Pela manhã, foi atingido o patamar histórico de US$ 119,93 por barril. A possibilidade de um aumento iminente dos combustíveis também levou muitos investidores às compras. Reportagem veiculada ontem em O Estado de S. Paulo informava que a estatal já tem pronto o cálculo para aumentar a gasolina e o diesel nas refinarias, que seria algum número possivelmente superior a 5%. O problema é que o Planalto resiste ao anúncio por causa das eleições de outubro. Mas os analistas acreditam que o governo não terá como impedir a alta. Petrobras PN fechou em alta de 1,04% e Petrobras ON avançou 0,68%.