O dólar à vista abriu em baixa de 0,33% hoje, cotado a R$ 1,658 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial também abriu em baixa, de 0,42%, a R$ 1,657.
O dólar reage em baixa em relação ao real hoje, com os investidores ajustando suas posições à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 11,75% ao ano. Ontem à noite, após o fechamento dos mercados, o Copom anunciou a decisão unânime. O mercado financeiro estava dividido entre uma alta de 0,25 ponto porcentual e uma elevação de 0,50 ponto, enquanto entidades industriais nacionais e órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, defendiam a manutenção em 11,25% ao ano.
O primeiro efeito da alta do juro já pôde ser sentido antes mesmo do fim da reunião do Copom ontem. A expectativa de elevação da taxa Selic fez o dólar cair para R$ 1,664 (-1,13%) no mercado interbancário ontem, no menor valor desde maio de 1999.
Para analistas, a alta do juro deverá reforçar a tendência de ingresso de recursos de curto prazo no País, contribuindo para maior valorização do real ante a moeda americana. A entrada de recursos será estimulada porque vai aumentar a diferença entre os juros no Brasil e os cobrados nos principais mercados externos. Assim, os investidores serão incentivados a fazer as chamadas operações de "arbitragem", em que captam recurso lá fora e aplicam no mercado brasileiro, ganhando com a diferença entre as taxas.
"A queda das taxas nos EUA e o aumento do juro no Brasil são um tremendo atrativo para o investidor estrangeiro, que continua ingressando no País, diz o economista-chefe do Banco Fator, José
Francisco de Lima Gonçalves. Atualmente, o juro básico americano está em 2,25% ao ano.
Hoje, o dólar deve cair abaixo do nível de suporte de R$ 1,65, pois é hora de embutir a elevação de 0,50 ponto porcentual na Selic. "Hoje o câmbio vai derreter", sentenciou o professor de Economia da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzo, chefe da secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda no governo Sarney.
E não só isso. Em comunicado, o comitê observou que "entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado".