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Bolsa abre volátil e recua com mau humor externo

Por Sueli Campo  | 10.04.2008 | 10h26

O índice Bovespa, que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), abriu em alta hoje, apesar do comportamento negativo dos índices futuros em Nova York e das perdas superiores a 1% nas principais bolsas européias. Às 10h12, o Ibovespa subia 0,11%, a 63.547 pontos, após ter atingido alta de 0,27%, na pontuação máxima do dia até o momento, a 63.646 pontos. Entretanto, o Ibovespa não conseguiu manter o sinal positivo, pressionado pelo mau humor no exterior e, às 10h23, o índice recuava 0,13%, a 63.395 pontos. Na mínima do dia até este horário, o Ibovespa caiu 0,17% a 63.371 pontos.

No cenário externo, os investidores analisam atentamente os resultados das varejistas que estão sendo divulgados esta manhã, em mais um tentativa de dimensionar o tamanho do estrago da crise financeiras americano no consumo da população. O Wal-Mart divulgou hoje aumento de 0,7% nas vendas, em março, em lojas abertas há mais de um ano, e aumentou as previsões de ganhos para o primeiro trimestre. Além disso, o mercado digere os dados de pedidos de auxílio-desemprego feitos nos EUA na semana encerrada no último sábado (dia 5), que mostraram queda de 53 mil solicitações para 357 mil.

Na Europa, a queda das bolsas reflete a preocupação dos investidores com a safra de balanços do primeiro trimestre das empresas e com a percepção de que a recuperação da economia americana pode ser mais lenta do que o imaginado. Também pesa na Europa, a notícia sobre a liquidação de três fundos de investimentos pelo banco Lehman Brothers. A decisão dos bancos centrais da região não surpreendeu. Tanto o BC inglês (BoE) com o BC europeu (BCE) confirmaram as expectativas em relação à taxa de juros. O Banco da Inglaterra reduziu o juro básico em 0,25 ponto para 5% ao ano, e o BCE manteve o juro em 4% ao ano.

Agora, os investidores aguardam o discurso que o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben Bernanke, fará às 14 horas (de Brasília), em um fórum sobre estabilidade financeira, promovido pelo World Affairs Council of Greater Richmond.

Mercado doméstico

Hoje, a Bovespa, deve mostrar oscilações ao longo do pregão, se os mercados em Nova York manterem o sinal negativo após a abertura. Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,65%, realizando lucros, na esteira do recuo das bolsas americanas, mas contida pelo novo recorde do preço do petróleo, que favoreceu as ações da Petrobras.

Hoje, o petróleo opera em baixa moderada, após o contrato futuro com vencimento em maio do petróleo tipo Brent, negociado na plataforma ICE, em Londres, ter estabelecido novo recorde de alta hoje pela manhã, na Europa, a US$ 109,98 o barril. Às 10h18, as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da Petrobras subiam 0,67% e 0,32%, respectivamente.

O recuo da Bolsa ontem também foi influenciado pela preocupação com o esperado início do ciclo de alta do juro no Brasil, a partir da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana. As apostas do mercado dividem-se entre uma elevação de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 11,25% ao ano.

No setor de siderurgia, a notícia de que a Venezuela reestatizou a siderúrgica Ternium, conhecida como Sidor, deve ter impacto negativo nas ações da Usiminas, que tem 16,6% das ações do Consórcio Amazônia, empresa controladora da Sidor. O Consórcio Amazônia detém 60% das ações da Ternium-Sidor. O Estado venezuelano tem 20% das ações, e os outros 20% são controlados por trabalhadores e ex-trabalhadores da indústria. O investimento da siderúrgica brasileira no consórcio foi de US$ 100 milhões. Às 10h20, as ações PN classe A (PNA) da Usiminas cediam 1,33%, a R$ 105,50.

O setor de energia também continua no radar. Hoje, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) faz uma reunião extraordinária para votar as regras, entre as quais o preço-teto para a energia da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, cujo leilão está marcado para maio. Ontem, o Tribunal de Contas da União (TCU) sugeriu uma redução R$ 6 no preço-teto da energia da hidrelétrica, caindo dos R$ 91 por megaWatt/hora (MWh), propostos pela EPE, para R$ 85. Às 10h21, as ações ON e PN classe B da Eletrobras subiam 0,27% e 0,52%, respectivamente.

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