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Dólar abre em baixa de 0,24% a R$ 1,685 na BM&F

Por Marisa Castellani  | 10.04.2008 | 09h57

O dólar à vista abriu em baixa de 0,24% hoje, cotado a R$ 1,685 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Ontem, a moeda americana recuou ante o real pela sétima sessão consecutiva. No fechamento, o dólar à vista encerrou o dia a R$ 1,689, em queda de 0,24%.

O clima não é dos melhores no exterior e a dúvida no mercado de câmbio doméstico é sobre se isso será suficiente para que o dólar interrompa ou não a seqüência de quedas que vêm sendo observadas em relação ao real. Em princípio, segundo operadores, o cenário externo desfavorável pode dar mote a um ajuste na abertura - o que significaria dólar para cima -, mas, no decorrer do dia, tudo vai depender do fluxo cambial, que vem mostrando presença forte (as entradas de recursos no País têm superado as saídas), derrubando as cotações da moeda americana aqui.

A expectativa de queda dos juros nos EUA, combinada com a previsão de alta da taxa básica de juros brasileira, a Selic, tem alimentado as perspectivas de arbitragem (operação que busca ganhar com a diferença entre as taxas de juros interna e externa) e, portanto, implicando na valorização do real.

Hoje a divulgação da primeira prévia de abril do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) só deu mais gás a expectativa de elevação do juro por aqui. O índice acelerou para 0,38%, ante o encerramento de março em 0,31% e ficou próximo ao teto das previsões dos analistas. Este foi mais um resultado salgado de inflação, após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março ontem (0,48%), que surpreendeu para cima e alimentou apostas de alta maior da Selic na semana que vem. O mercado de juros agora está dividido entre a idéia de alta do juro básico em 0,25 ponto porcentual e 0,50 ponto. Para o mercado de câmbio, tudo isso significa continuidade das operações de arbitragem, que favorecem a valorização do real.

Em contrapartida, na Europa, algumas bolsas amargavam quedas de mais de 1% após as 9h00 (horário de Brasília) e os índices futuros de Nova York também operavam no negativo, embora com moderação. No mercado europeu, os participantes comentavam artigo do jornal americano Wall Street Journal de que o banco de investimento Lehman Brothers liquidou recentemente três fundos de investimento, diante do estresse dos mercados. O banco assumiu em seu balanço patrimonial US$ 1 bilhão relacionado a essa liquidação e comprou um adicional de US$ 800 milhões de ativos de outros fundos.

Diante do quadro de cautela no exterior, os aplicadores saíam do dólar, em busca de outras moedas estrangeiras, sobretudo o iene e o euro. Pressionado, o contrato futuro de petróleo tipo WTI disparou hoje e chegou a superar o nível de US$ 112 o barril, enquanto o petróleo tipo Brent, em Londres, bateu o recorde de US$ 109,98 por barril, mas reduzia a alta esta manhã. O ouro também avança, em mais um sinal de procura por proteção. O dólar caiu a nova mínima recorde ante o euro, que foi a US$ 1,5915 mais cedo. A moeda européia reduzia a alta, mas pode voltar a testar outro nível de resistência de US$ 1,62.

Pela manhã, o Banco da Inglaterra (BoE, o BC inglês) confirmou o esperado corte na taxa de juros básico em 0,25 ponto porcentual, para 5% ao ano. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, confirmou expectativas de manutenção do juro em 4% ao ano na zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda).

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