As matérias-primas (commodities) devem continuar ditando o rumo do mercado de ações brasileiro, que abriu em alta hoje. Às 10h10, o índice Bovespa registrava ganho de 0,90% a 59.521 pontos. Na semana passada, o movimento de liquidação nas commodities derrubou as bolsas no mundo inteiro e a Bovespa desabou 5,01% na quarta-feira. Mas na quinta-feira, véspera do feriado prolongado, o mercado doméstico teve uma leve recuperação durante a tarde e acabou encerrando com alta de 0,27%, ajuda pela melhora em Nova York e por compras de Vale e Petrobras, com os investidores aproveitando os preços baixos para recompor as carteiras.
Os analistas atribuem essa queda nos preços das commodities a um movimento especulativo, com os investidores desmontando posições para cobrir perdas em outros mercados. A expectativa ainda é de que a demanda continuará aquecida por um bom tempo e os preços elevados. A dúvida é quanto tempo deve durar esse movimento especulativo.
Esta manhã, os metais apontam para direções divergentes. O feriado prolongado de Páscoa que mantém fechados os mercados na Europa provoca uma redução na liquidez, inclusive nas commodities, que tem na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) um importante referencial de negócios.
Do lado interno, a reunião que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve ter hoje com representantes do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), para discutir a forte elevação do preço do aço e formas de equilibrar a oferta e a demanda dos produtos do setor pode vir a influenciar as ações do setor. A agenda de Mantega não detalha a reunião com o IBS, mas ela poderá ocorrer à tarde. Segundo o noticiário do final de semana, o encontro de Mantega com empresários do setor de siderurgia faz parte de uma série de reuniões que ele pretende ter com representantes de vários setores da economia para discutir medidas para conter o crédito e, com isso, evitar um aumento insustentável da demanda, que comprometa o crescimento em 2009 e 2010.
Nos EUA, as Bolsas que fecharam em alta de mais de 2% na quinta-feira, recuperando boa parte das perdas da véspera, sustentam a trajetória de alta apoiadas na notícia de que o JPMorgan negocia aumentar a sua oferta pelo Bear Stearns para US$ 10 por ação, com intuito de amenizar ameaças dos acionistas insatisfeitos com o negócio, segundo o jornal The New York Times.
Outra notícia relacionada ao setor bancário foi a decisão de sexta-feira, da agência de classificação de risco Standard & Poor's, de colocar os bancos Goldman Sachs e Lehman Brothers em perspectiva negativa, diante de sinais contínuos de que a perda de confiança nos bancos de investimento está prejudicando a lucratividade. No front econômico, os investidores aguardam os dados sobre atividade industrial nacional e vendas de imóveis usados nos EUA.
Do lado doméstico, as ações da Cesp devem continuar atraindo as atenções por causa do leilão de privatização marcado para a próxima quarta-feira (dia 26). Mas para que o leilão seja realizado o governo de São Paulo precisa derrubar pelo menos duas liminares, uma do PSOL e outra do PT de São Paulo.