Os investidores se mostram menos pessimistas hoje e as Bolsas em Nova York abriram em alta, principalmente depois dos bancos Lehman Brothers e Goldman Sachs divulgarem resultados financeiros trimestrais que superaram as previsões. A expectativa de um corte de juro agressivo pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) no juro básico, de 1 ponto porcentual, também motiva compras de ações. Às 10h35, o índice Dow Jones registrava alta de 1,70% e o Nasdaq ganhava 2,26%.
Ontem, os mercados tiveram uma sessão volátil em reação à compra do banco de investimentos Bear Stearns pelo JPMorgan por US$ 2 a ação e ao corte emergencial na taxa de redesconto (linha de empréstimo aos bancos) pelo Fed. As notícias haviam reforçado os temores de que outras instituições financeiras pudessem passar por problemas sérios por conta da exposição ao mercado de hipotecas subprime (de alto risco de inadimplência). Os balanços melhores que o previsto dos bancos hoje acabaram trazendo certo alívio.
O Goldman Sachs anunciou lucro líquido de US$ 1,51 bilhão (US$ 3,23 por ação) no primeiro trimestre fiscal, encerrado em 29 de fevereiro. Analistas de Wall Street previam ganho de US$ 2,58 por ação. Já o Lehman Brothers anunciou lucro líquido de US$ 489 milhões no trimestre (lucro por ação de US$ 0,81). Analistas esperavam ganho líquido de US$ 0,72 por ação.
Os resultados dão impulso para as bolsas logo na abertura do pregão regular, mas a grande expectativa do dia está na decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed sobre a taxa básica de juro. Os contratos futuros dos Fed Funds mostram 100% de chance de um corte de 1 ponto porcentual, para 2% ao ano.
Para o banco central dos EUA, "a tarefa é afrouxar o suficiente para reforçar as medidas de liquidez tomadas na semana passada e no domingo, o que exige não decepcionar as expectativas do mercado", disse Laurence Myer, ex-governador do Fed, em nota a clientes. O Fed anunciará a decisão às 15h15 (de Brasília).
Ainda na agenda econômica, relatórios divulgados esta manhã mostraram que os preços ao produtor nos EUA (PPI, na sigla em inglês) subiram 0,3% em fevereiro, em linha com o previsto, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,5%, ante previsão de alta de 0,2%. As informações são da Dow Jones.