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Juros futuros fecham em alta com aversão ao risco

Por Denise Abarca  | 14.03.2008 | 16h27

A deterioração dos mercados externos hoje pressionou ainda mais os contratos de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), segmento que já vinha sensível ao viés de alta da Selic lido ontem na ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

Com pouco menos de meia hora para o final da sessão, as taxas bateram as máximas do dia, acompanhando a piora das bolsas nos Estados Unidos e a ampliação da queda nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries). O giro de contratos foi expressivo, motivado pela aversão ao risco que dominou os investidores. No fechamento de hoje, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 avançou a 12,25% ao ano, de 12,17% ontem, com máxima de 12,29% ao ano. O DI com vencimento em janeiro de 2010 fechou a 13,09% ao ano, com máxima de 13,17% ao ano hoje, de 12,98% anual ontem.

O efeito positivo da divulgação da inflação ao consumidor nos Estados Unidos em fevereiro - que mostrou estabilidade para o índice cheio e para o núcleo na comparação mensal, ante previsões de alta de 0,2% para ambos - durou pouco. No meio da manhã, o banco americano JPMorgan anunciou que, em ação conjunta com a unidade regional de Nova York do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), oferecerá um financiamento temporário por 28 dias ao banco de investimento Bear Stearns, que na segunda-feira (dia 10) havia classificado de "totalmente ridículos" os rumores de que estaria com problemas de liquidez.

A instituição estava exposta ao fundo Carlyle Capital, que entrou em colapso esta semana. À tarde, o executivo-chefe do Bear Stearns, Alan Schwartz, disse que os boatos persistentes sobre falta de liquidez fizeram com que credores, clientes e contrapartes solicitassem resgates. Segundo ele, a venda do banco está entre as soluções estudadas para salvar a instituição.

A percepção de que o Bear está à beira da insolvência acirrou as preocupações em relação à saúde financeira de seus pares e os temores de uma crise sistêmica. Na próxima semana, as principais instituições financeiras americanas divulgam seus balanços. Na terça-feira, o Fed reúne-se e deve anunciar um novo corte na taxa básica de juros e o mercado dá como certa uma redução de, no mínimo, 0,5 ponto porcentual do nível atual de 3% ao ano.

Esta tarde, as apostas de que a queda poderá ser de um ponto porcentual avançaram a 58% nos contratos futuros de Fed Funds (fundos federais de reservas bancárias). No entanto, analistas estão céticos em relação à eficácia da medida no que diz respeito ao resgate do setor de crédito americano. "A política monetária americana está de mãos atadas", disse um estrategista, que acredita que um corte de juro na próxima semana não será capaz de estabilizar os mercados.

No Brasil, o anúncio do resultado das vendas no varejo em janeiro, pelo IBGE, corroborou o alerta do Banco Central, feito ontem na ata do Copom, de que a pressão da demanda merece atenção. As vendas subiram 1,8% ante dezembro, que já é um mês tradicionalmente forte para o comércio por causa das festas de fim de ano.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que o consumo do País não pode crescer acima da capacidade produtiva e defendeu mais investimentos em fábricas para suprir a demanda doméstica. "Se crescermos muito e não houver investimentos em novas fábricas, teremos de volta a doença desgraçada que é a inflação", disse.

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