O alívio com o relatório de inflação ao consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês) motivou uma abertura em alta para as Bolsas de Nova York, enquanto o mercado espera o indicador de confiança do consumidor de Michigan (preliminar) e o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben Bernanke. Às 10h37, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York, subia 0,24%. A Nasdaq, bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet, avançava 0,30% e o S&P 500 ganhava 0,22%.
Os investidores temiam que o CPI pudesse mostrar que os preços no varejo continuaram subindo em fevereiro, mas o índice e o seu núcleo ficaram inesperadamente estáveis. Com isso, as apostas para o corte de 0,75 ponto porcentual no juro básico americano pelo Fed, na reunião da próxima terça-feira (dia 18), foram reforçadas.
Outro reforço para a alta das Bolsas de NY hoje veio do banco de investimento Bear Stearns. Pouco antes da abertura dos mercados em Wall Street, o banco de investimento JPMorgan anunciou que, em conjunto com o Federal Reserve de Nova York, irá fornecer financiamento temporário ao Bear Stearns. Inicialmente, a ajuda será por 28 dias. As ações do Bear subiram 10% no pré-mercado de NY.
Logo após a divulgação do CPI, os contratos futuros dos Fed Funds (fundos federais de reservas bancárias) passaram a embutir 100% de chance de corte de 0,75 ponto porcentual, para 2,25% ao ano, no dia 18, contra 92% de chance antes do dado. Os contratos de maio mostram 100% de chance de a taxa cair para 2% ao ano no encontro de 29 e 30 de abril. O relatório de inflação também fez as bolsas na Europa ampliarem a valorização. Às 10h34, a Bolsa de Londres avançava 0,57%, a de Paris subia 0,64% e a de Frankfurt ganhava 0,9%.
Mas analistas lembram que, com os preços de ouro e petróleo atingindo recorde sucessivos nos últimos dias, o mundo deve enfrentar um longo período de inflação acima da média.
Passada a divulgação do CPI, os investidores aguardam o índice de confiança do consumidor, da Universidade de Michigan, com divulgação às 11 horas (de Brasília). Há ainda expectativa para o discurso de Bernanke em conferência da Coalizão Nacional de Reinvestimento em Comunidades, em Washington, às 14 horas (de Brasília). O discurso pode dar mais sinais aos investidores sobre o plano do Fed sobre os juros para a próxima semana. Embora parte dos temores com inflação pareça ter diminuído no curto prazo, muitos operadores esperam que a recente hiperatividade e criatividade do Fed continuem.
Entre as empresas em destaque, as ações do Yahoo devem subir em reação à notícia do jornal americano Wall Street Journal, citando pessoas próximas à questão, de que executivos da gigante de informática Microsoft e do portal de busca Yahoo se reuniram na segunda-feira para discutir a oferta de aquisição feita pela Microsoft. Segundo o jornal, o encontro não foi uma negociação e não contou com a participação de bancos, mas marca um avanço na comunicação entre as duas empresas, depois do Yahoo ter rejeitado a oferta no mês passado. No pré-mercado em Wall Street, as ações do Yahoo subiram 1,3%.
Outra ação que deve se destacar é a da Boeing, que subiu 2,1% no pré-mercado. O Morgan Stanley elevou a recomendação da companhia de na média do mercado para acima da média do mercado, afirmando que "boa parte das notícias ruins sobre a empresa já se refletiram nos preços, enquanto as notícias positivas duradouras não".
O banco americano Citigroup também está no foco depois que o presidente-executivo, Vikram Pandit, reuniu-se com analistas e falou sobre o futuro da instituição. Segundo a analista da Oppenheimer, Meredith Whitney, "ele reiterou a confiança na posição do capital do Citi e descreveu o futuro. A administração planeja focar nos negócios principais, saindo dos negócios que não são principais (ainda indefinidos)". Mas Mike Mayo, do Deutsche Bank, ponderou que o executivo do banco não descartou novas baixas contábeis significativas, particularmente por conta das recentes movimentações do mercado. As informações são da Dow Jones.