Um dia após o anúncio da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o investimento estrangeiro em títulos de renda fixa, o Tesouro Nacional foi obrigado a cancelar o leilão de papéis prefixados. Com correção definida na hora da venda, esses papéis têm sido os preferidos dos investidores estrangeiros nos últimos dois anos, depois que o governo concedeu isenção do Imposto de Renda (IR) sobre os ganhos obtidos por eles nas aplicações de títulos públicos.
A tributação desses investimentos com 1,5% do IOF, incluída no minipacote cambial anunciado na quarta-feira, vai atingir em cheio esse tipo de aplicação. Ontem, a medida, que vai entrar em vigor na próxima segunda-feira, já provocou uma elevação dos juros no mercado futuro, que balizam preços pedidos pelos investidores ao Tesouro. O leilão marcado para ontem, e seu cancelamento, foi um ingrediente a mais para o nervosismo do mercado financeiro.
O Ministério da Fazenda atribuiu a suspensão do leilão à volatilidade do mercado. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, as turbulências vindas do cenário externo foram um dos motivos para o aumento da instabilidade e, conseqüentemente, para o cancelamento do leilão. O clima é volátil e o Tesouro vê o quadro externo como um complicador, informou a assessoria, acrescentando que, assim que a normalidade voltar, o leilão será retomado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.