O dólar à vista abriu em alta de 0,21% hoje, cotado a R$ 1,695 no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Ontem, o dólar à vista fechou em alta de 1,05%, negociado a R$ 1,6915.
O dólar deve continuar repercutindo hoje os efeitos das mudanças das regras cambiais pelo governo brasileiro. Mas as mudanças só entram em vigor na segunda-feira (dia 17) e o investidor pode aproveitar para antecipar o ingresso de recursos hoje, o que tende a fortalecer o real no curtíssimo prazo. Além disso, o nível de R$ 1,70 é visto como um ponto de entrada para o exportador converter suas receitas em dólar para a moeda local. Mas, o dólar faz uma recuperação técnica ante outras divisas fortes no exterior.
O anúncio das alterações nas regras cambiais esta semana cumpriu, ontem, seu intuito de preservar o real da desvalorização do dólar no mundo, mas a sessão foi marcada por uma forte aversão ao risco, o que afugentou o investidor de ativos mais arriscados. Esta manhã, o ambiente mais aprazível no exterior favoreceu o risco e moedas de países emergentes subiram, mas o dólar está em recuperação ante outras divisas fortes, como o euro e o iene, nas transações que são fechadas na Europa.
O dólar recebe o suporte da expectativa de que o índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) em fevereiro poderá inibir o Federal Reserve (Fed, o BC americano) de cortar em 0,75 ponto porcentual, para 2,25% ao ano, a taxa básica de juros nos EUA na próxima terça-feira (dia 18). Esta manhã, os mercados futuros de Fed Funds (fundos federais de reservas bancárias) embutem 90% de chance de o Fed reduzir a taxa de juro com agressividade. Caso o CPI e o núcleo, com divulgação às 9h30 (de Brasília), fiquem acima das projeções de alta de 0,2% para os dois, o Fed poderá optar por um corte de 0,50 ponto, o que não é propriamente ameno para os padrões locais. Com isso, levaria a taxa de juros nos EUA para 2,5% ao ano, ante a Selic de 11,25% ao ano, com o viés de alta se consolidando ontem após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) esclarecer os motivos para a inclusão do "atentamente" no comunicado da última reunião.
Lá fora, o dólar sobe. O euro, que chegou ao recorde histórico de US$ 1,5653 na Ásia, era cotado a US$ 1,5564, com queda de 0,24%, às 9h12 (de Brasília). O dólar também voltou a cair para abaixo de 100 ienes, mas após chegar aos 99,84 ienes na mínima, a divisa subia 0,08%, a 100,58 ienes.
As mudanças nas regras cambiais, principalmente o início da cobrança de uma alíquota de 1,5% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para compras de títulos públicos, podem ajudar a barrar parte da entrada do fluxo que tem sustentado a valorização do real. Mas a percepção é que isso efetivamente só poderá ser sentido na próxima semana.
O clima mais plácido da manhã permitiu a volta de recursos para várias moedas de países emergentes. O dólar tocou o menor nível em 10 anos e cinco meses ante o baht, a moeda da Tailândia, cedendo a 31,38 bahts, de 31,46 bahts na sessão anterior. O dólar caiu a 2,2672 zlotys, de uma cotação de 2,2749 no dia anterior, enquanto a divisa norte-americana encerrou o dia a 1,2280 lira turca, após ter testado 1,2340 mais cedo, de 1,2335 lira turca na sessão de ontem.