O tombo das bolsas norte-americanas fez a Bovespa, enfim, interromper os ganhos, após sete sessões consecutivas em alta. A realização de lucros, que foi firme durante todo o dia, se acentuou ainda mais na reta final da sessão, levando o Ibovespa, principal índice, a cair 3,15%, aos 63.489,3 pontos.
Com tamanha perda, a alta acumulada em fevereiro, de 6,72%, foi insuficiente para anular a queda de 6,88% registrada em janeiro. No ano, a Bovespa ainda acumula um resultado negativo de 0,62%. O resultado de fevereiro foi o melhor desde outubro de 2007 (+8%). Na semana, a Bovespa caiu 1,73%. Hoje, o índice oscilou entre a mínima de 63.482 pontos (-3,16%) e a máxima de 65.553 pontos (estabilidade). O volume financeiro totalizou R$ 6,465 bilhões.
Em Nova York, o índice Dow Jones fechou o dia com retração de 2,51%, o S&P caiu 2,71% e o Nasdaq perdeu 2,58%, deixando a Bolsa doméstica sem alternativa que não acompanhar a comitiva.
Crise
O tombo de hoje no mercado de ações americano foi motivado por vários favores, incluindo balanços péssimos e indicadores fracos. O indicador de preços de gastos com consumo (PCE), o mais importante da agenda, acabou saindo em linha e não comprometeu, mas o dado de atividade industrial regional dos gerentes de compras de Chicago caiu para 44,5 em fevereiro, de 51,5 no mês passado. Abaixo da previsão de 51 dos analistas e inferior a 50, o que indica contração na atividade. O índice de sentimento econômico final da Universidade de Michigan foi melhor, embora tenha recuado de 78,4 em janeiro para 70,8 em fevereiro.
Também não ajudaram os mercados o balanço da gigante de computadores Dell, que reportou queda de 6% no lucro no quarto trimestre, a notícia de que a seguradora American International Group (AIG) perdeu US$ 7,23 bilhões com derivativos de crédito no fim do ano passado e os comentários do banco UBS de que o setor financeiro pode perder US$ 600 bilhões com a crise.
Pesaram ainda as declarações do presidente da regional de St. Louis do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), William Poole, de que está preocupado com o potencial de problemas "substanciais" das agências de crédito imobiliário patrocinadas pelo governo. Para ele, o Fed deve dar prioridade ao controle da inflação, e os participantes do mercado devem assumir o custo de suas apostas ruins. Também foi pessimista a previsão do diretor do Fed Frederic Mishkin de que o efeito propagador do "derretimento" do mercado hipotecário pode subtrair mais de um ponto porcentual do crescimento geral do PIB dos EUA.
Juros
Depois do pessimismo de hoje, as apostas de um corte mais robusto no juro básico dos EUA em março cresceram. As chances de um corte de 0,75 ponto porcentual no juro, para 2,25% ao ano, segundo as projeções dos contratos futuros de Fed Funds com vencimento em abril, foram elevadas de 28%, no fechamento de ontem, para 60%.
Próxima semana
Para a próxima semana, a agenda segue forte, com discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, índice ISM de atividade industrial, sumário sobre as condições econômicas dos Estados Unidos (Livro Bege) e relatório da mão-de-obra americana. A Bovespa, porém, pode seguir seu "descolamento", embasada pelos indicadores econômicos favoráveis e pelo ingresso de recursos no País. Vale lembrar que na segunda-feira sai o balanço da Petrobras, para o qual os analistas não estão muito otimistas.
Ações
O ranking de maiores perdas do Ibovespa foi dominado pelas blue chips (ações de primeira linha) Vale e Petrobras. Vale ON liderou, com queda de 6,14%, seguida de Petrobras ON, que caiu 6,10%, Petrobras PN, que recuou 5,46%, e Vale PNA, que cedeu 5,03%. As quatro ações fecharam com seu menor preço do dia.