A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retoma a rota de alta na abertura do pregão hoje, respaldada pelo clima ameno no exterior. A retomada da queda do dólar ante o real e a desaceleração da inflação pelo IPCA-15 também dão suporte aos ganhos das ações, já que os dados recentes de inflação estavam gerando um certo incômodo no mercado acionário.
A Petrobras tem motivos específicos para se movimentar, incluindo a nova descoberta de petróleo leve no campo de Tupi. O índice Bovespa ganhava 1,28% a 57.635 pontos, às 10h08.
Após subir 5,38% nos últimos dois pregões, a Bovespa fechou em queda ontem, cedendo à tarde, quando a alta do dólar interrompeu a resiliência da manhã ao ajuste de baixa nas Bolsas norte-americanas. O Ibovespa caiu 0,62%, aos 56.906,4 pontos no encerramento.
As ações da Petrobras devem reagir positivamente à confirmação, ontem, de novas descobertas de petróleo leve no campo de Tupi, na Bacia de Santos.O óleo encontrado no local possui 28 graus API (medida que indica a leveza do petróleo: quanto mais próximo de 50 graus, mais leve). A área de Tupi está localizada no Bloco BM-S-11 que é operado pela Petrobras (65%) em consórcio, tendo a BG Group (25%) e a Petrogal-Galp energia. Em Londres, as ações do BG Group subiam 1,06%, em reação à informação sobre exploração no Brasil.
"As ações devem reagir ainda ao encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu colega venezuelano, Hugo Chávez", previu uma fonte. Ontem, Chávez negou que a PDVSA estaria pleiteando 60% do controle acionário da refinaria Abreu e Lima, a ser construída em Pernambuco. Mas a pretensão foi confirmada pelo Itamaraty e Petrobras.
Lula e Chávez não chegaram a firmar nenhum acordo oficial, mas acertaram que representantes dos governos dos dois países irão se reunir pelo menos quatro vezes por ano para intensificar a aliança e discutir temas de interesses bilaterais. O contrato do petróleo Brent para novembro caía 0,18% para US$ 78,95 o barril em Londres, após atingir recorde histórico de US$ 79,35 o barril, mais cedo. Na plataforma eletrônica da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato de mesmo vencimento caía 0,40% para US$ 81,45 o barril.
A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,29% em setembro, ante 0,42% em agosto, segundo divulgou o IBGE. O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela redução no ritmo de crescimento do IPCA-15 de agosto para setembro.
Na China, novas medidas foram anunciadas para controlar a inflação, mas elas não devem provocar reações significativas nas ações negociadas na Bolsa. O país vai liberar reservas de grãos e óleo vegetal, além de ter cortado a tarifa de importação da soja de 3% para 1%. O governo começou a oferecer suínos da reserva central e irá liberar cerca de 30 mil suínos vivos até 15 de outubro a preços abaixo do nível de mercado, afirmou hoje uma fonte próxima da situação. A China também cortou de 3% para 1% a tarifa de importação de soja. "As medidas não devem ter impacto significativo sobre as ações da Sadia e da Perdigão, que tem a Rússia como principal compradora de seus produtos", disse uma fonte.
A Satipel faz sua estréia na Bovespa, quebrando o jejum da temporada de entrada de novos papéis no mercado. A estréia anterior foi a da Cosan Limited, em 17 de agosto. Nesse meio tempo, houve as férias de verão no Hemisfério Norte e o mercado passou por momentos turbulentos, por conta da crise do crédito imobiliário nos EUA.
Apesar da melhora do cenário, a venda de 30,6 milhões de ações da Satipel foi fixada no piso da referência, que era de R$ 13,00 a R$ 17,50. Com isso, a fornecedora de painéis de partículas de média densidade (MDP) para as indústrias moveleira e de construção civil captou R$ 397,888 milhões, com a venda de 30,6 milhões de ações ordinárias (ON). "Podemos ver um pequeno ágio no preço, mas a maior expectativa é quanto à Sul América", observou uma fonte. O período de reservas para a oferta da SulAmérica começa segunda-feira. A empresa fará uma colocação primária de 21,7 milhões de units, com preço entre R$ 30,00 e R$ 40,00.
No exterior, o clima é ameno. O S&P 500 futuro subia 0,76% em Nova York, enquanto o Nasdaq 100 futuro ganhava 0,79%, às 10h09, graças aos bons resultados apresentados ontem pela Oracle e Nike.

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