O mercado de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) passou hoje por correção, influenciado pela piora externa. Na sexta-feira, quando a BM&F ficou fechada por conta do Dia da Independência, o resultado fraco do total de vagas criadas nos Estados Unidos reacendeu o temor de recessão no país. E provocou a queda das bolsas no mundo todo. No Brasil, os mercado futuro de juros iniciou o pregão ajustando-se a essa deterioração e continuou assim até o encerramento dos negócios. O contrato de depósito interfinanceiro (DI) mais negociado hoje, para janeiro de 2009, fechou projetando taxa de 11,65% ao ano, ante 11,55% na quinta-feira. O DI com vencimento em janeiro de 2010, o segundo mais líquido, terminou a 11,94% ao ano ao ano em relação a 11,83%.
Na sexta-feira, foi divulgada a queda de 4 mil postos gerados na economia norte-americana em agosto, interrompendo uma série de 47 meses seguidos de crescimento contínuo do emprego. Esse dado, considerado um sinal forte de desaquecimento econômico, consolidou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) terá que cortar a taxa de juros no próximo dia 18. Ou, quem sabe, que haverá uma medida emergencial antes disso.
Se, de fato, o Fed agir logo, pode haver algum alívio dos mercados. Mas dificilmente as preocupações serão dissipadas. Afinal, está cada vez mais forte a percepção de que a crise no mercado de crédito de alto risco deve atingir de forma efetiva a economia real. O que pode ter conseqüências mais amplas e duradouras.
No Brasil, a preocupação com o cenário internacional colocou em segundo plano, segundo operadores, o resultado da pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central. Houve elevação em todas as projeções de inflação para 2007.