O alívio de ontem se mostrou momentâneo e os juros futuros voltaram a registrar forte alta hoje, acompanhando a renovação do nervosismo nos mercados financeiros dos Estados Unidos e, por tabela, do Brasil. O temor dos investidores é que a crise no setor de crédito imobiliário norte-americano de alto risco contamine o apetite por consumo na maior economia do mundo.
O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 terminou o dia a 11,46% ao ano, contra taxa de 11,30% ao ano projetada no encerramento dos negócios ontem.
A maior varejista do globo, Wal-Mart Stores, reduziu hoje sua projeção de lucro para o ano, o que agravou o pessimismo nas bolsas de valores. A empresa disse que seu desempenho no segundo trimestre não foi o que esperava e que muitos de seus consumidores enfrentam pressão financeira.
O crescimento econômico dos EUA está fortemente baseado no consumo: o cálculo do PIB do país é composto em dois terços por esse tipo de gasto. Por isso um alastramento da crise de crédito imobiliário para o setor de consumo tanto assusta os mercados financeiros.
Mais cedo, os mercados já tinham com desempenho ruim por causa da notícia de que o fundo de investimentos Sentinel Management Group, também dos EUA, pediu à Comissão de Negociação Futura de Commodity autorização para suspender os resgates de recursos solicitados por seus clientes. O Sentinel fornece aconselhamento e serviços de investimentos a várias instituições e clientes corporativos.