O sinal positivo vindo dos mercados futuros estrangeiros deixa espaço para que as taxas projetadas pelos contratos mais longos de DI (Depósito Interfinanceiro) prossigam em sua reação à melhora vista ontem à tarde em Nova York. Ontem, os DIs já ecoaram a melhora tardia de Nova York. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI janeiro de 2010, que estava em 11,17% ao ano no fechamento, cedia 11,07% às 10h12.
A agenda internacional é mais leve hoje, mas a volatilidade deve seguir dando as cartas, como ficou nítido na guinada de ontem do mercado acionário norte-americano. O dado de pedidos de auxílio-desemprego, divulgado instantes atrás nos EUA, não desviou os índices referenciais das ações da alta do início do dia, sugerindo que esta quinta-feira pode ser um dia mais tranqüilo. O número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana que terminou em 28 de julho subiu 4 mil, mas essa elevação foi inferior ao aumento de 9 mil pedidos previsto por analistas. O número não deve provocar mudanças significativas para posicionamentos para os números mais amplos do mercado de trabalho norte-americano, com divulgação prevista para amanhã, às 9h30. Os economistas projetam a criação de 130 mil vagas em julho na economia dos EUA, segundo pesquisa conduzida pela Dow Jones.
Nos Estados Unidos, os índices futuros operavam em alta. Na Europa, as bolsas também subiam, animadas pelos balanços da Nokia, Unilever e Société Generale. O euro apresentava alta de 0,02%, a US$ 1,3662, sem reação significativa à decisão do Banco Central Europeu, que manteve a taxa de refinanciamento na zona do euro inalterada em 4%, como o esperado. Mas o BCE surpreendeu ao anunciar uma coletiva de imprensa. A fala do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, à imprensa é o procedimento padrão do banco, mas ela é normalmente suspensa em agosto por conta das férias de verão no hemisfério Norte. O anúncio da coletiva inesperada pegou o mercado desprevenido e alimentou a especulação de que Trichet poderá usar a coletiva para sinalizar um aumento dos juros em setembro. Os comentários só serão divulgados em instantes. Outra decisão de política monetário hoje também não trouxe surpresas. O Banco da Inglaterra manteve sua taxa de recompra em 5,75%.
No cenário doméstico, o Tesouro deve anunciar pela manhã a portaria do tradicional leilão de LTN (prefixadas) e de NTN-F (prefixadas com pagamento periódico de juros). Na quinta-feira da semana passada, os leilões foram cancelados, em virtude das condições convulsionadas vigentes no mercado financeiro no dia. Foi uma decisão preventiva para que os participantes do leilão não oferecessem taxas distorcidas pela fervura do clima externo naquele dia. Na ocasião, o coordenador de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Guilherme Pedras, afirmou que nada mudava na estratégia da administração da dívida com o cancelamento do leilão e acrescentou que a demanda pelos títulos continua "presente".