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Temor de novos apertos faz Bolsas da China caírem

Por Priscila Arone  | 29.06.2007 | 08h47

Os mercados asiáticos fecharam sem uma tendência definida, com muitos investidores preferindo realizar lucros ganhos recentemente, produzindo quedas em algumas Bolsas. Compras estratégias para melhorar o perfil do portfólio no final do trimestre ou do semestre também foram o forte em Bolsas que fecharam no positivo. Na China, o yuan alcançou novo recorde de alta frente ao dólar desde a pós-revalorização de junho de 2005.

As expectativas de que o governo irá tomar novas medidas para esfriar o mercado de ações foram as principais razões que levaram a uma nova baixa nesta sexta-feira nas Bolsas da China. Essas preocupações foram confirmadas depois do fechamento do mercado, quando a agência de notícias Xinhua informou que o legislativo concordou com um projeto para cortar ou suspender o imposto de 20% sobre rendimentos de juros, como uma forma de encorajar os chineses a manter seu dinheiro nos bancos em vez de investir em ações. O Xangai Composto, que negocia ações dos tipos “A” e “B”, caiu 2,4% e fechou em 3.820,70 pontos. O Shenzhen Composto teve baixa de 3,1%, encerrando aos 1.077,92 pontos. O legislativo chinês também aprovou uma autorização para o Ministério de Finanças emitir 1,55 trilhões de yuans em bônus especiais do Tesouro para compra de moeda estrangeira. Os recursos serão usados para capitalizar a agência de investimentos em moeda estrangeira planejada por Pequim. Outro sinal de aperto monetário foi dado pelo regulador bancário, que exigiu que pequenos e médios bancos impeçam seus clientes de, ilegalmente, investirem seus empréstimos em ações e propriedades. Dentre os papéis mais negociados, o conglomerado Orient Group registrou queda limite de 10%. China Life Insurance recuou 4% e Shanghai International Airport teve perdas de 4,3%.

O yuan encerrou em uma nova alta pós-revalorização ante o dólar, uma vez que as vendas da divisa americana aumentaram durante a sessão devido a preocupações de que o governo poderia revelar no fim de semana mais medidas de aperto monetário para esfriar a economia. Se houver tais medidas - como, por exemplo, um aumento da taxa de juro -, o dólar pode cair à cotação de 7,6000 yuans nas próximas duas semanas. No mercado de balcão, o dólar fechou cotado a 7,6132 yuans, ante 7,6151 yuans de ontem. Foi o menor nível desde a revalorização do yuan em julho de 2005.

Na Bolsa de Hong Kong, realizações de lucros nas blue chips que tiveram ganhos na sessão de ontem fizeram o índice Hang Seng cair 165,49 pontos, ou 0,75%, fechando em 21.772,73 pontos. Segundo operadores, o mercado "deu uma pausa", com os investidores segurando os lucros depois da alta de ontem e preferiram ficar de lado devido ao fim de semana prolongado, já que segunda-feira será feriado no país. China Mobile (-1,1%) e HSBC (-0,7%), as maiores companhias do índice, recuaram por conta de realizações de lucros. Quanto às petrolíferas, a despeito da alta do preço da commodity, não houve comportamento homogêneo: CNOOC subiu 0,6%, mas Sinopec caiu 0,8% e Petrichina recuou 0,9%. Zijin Mining, mineradora de cobre e ouro da China, ganhou 0,2% após informar que vai adquirir uma unidade da britânica Avocet Mining para ganhar direitos de mineração de ouro em Tajikistão. Tao Heung Holdings, uma operadora de restaurantes de Hong Kong, teve alta de 2,5% em seu debut na Bolsa, fechando cotada a preço acima do obtido em sua oferta pública inicial.

Em Taiwan, o mercado fechou moderadamente em baixa pelo segundo dia consecutivo, já que os investidores continuam realizando lucros obtidos no início da semana. O índice Taiwan Weigthed da Bolsa de Taipé caiu 0,1%, encerrando o dia aos 8.883,21 pontos. O subíndice do setor financeiro caiu 0,9%, liderando a baixa do mercado. Cathay Financial Holding recuou 1,8%. “As pessoas realizaram lucros de papéis financeiros, que subiram um pouco demais nos últimos dias”, disse Edward Lien, da Fubon Securities. “Afinal de contas, as condições das companhias financeiras de Taiwan não melhoraram significativamente”. A expectativa de fortes ganhos no segundo semestre elevaram os preços de empresas de fundição. TSMC teve alta de 0,7%.

O mercado sul-coreano caiu nesta sexta-feira, liderado pelo movimento de realização de lucros dos papéis de estaleiros. O índice Kospi da Bolsa de Seul recuou 0,5%, fechando aos 1.743,60 pontos, depois de subir 22% na primeira metade do pregão. Hyundai Mipo Dockyard teve perdas de 2,7% e Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering caiu 4,6%. Corretoras, que lideraram a alta na primeira parte da sessão, fecharam mistas. Samsung Securities teve baixa de 0,7%, mas Hyundai Securities subiu 2,4%. Seguradoras registraram bom desempenho, em razão das expectativas sobre a melhora de seus lucros. Hyundai Marine & Fire Insurance avançou 2,5% e LIG Insurance teve aumento de 0,4%. A siderúrgica Posco encerrou o dia em alta de 1,5% por causa das informações de que estaria estudando uma cooperação com a líder mundial do setor, Arcelor Mittal.

O mercado tailandês caiu, pressionado por realizações de lucros de papéis de bancos que ofuscaram ganhos de companhias de energia. bancos. O índice SET da Bolsa de Bangcoc caiu 0,1% e fechou aos 776,29 pontos. A mineradora de carvão e geradora de energia Banpu, a ação mais ativa, subiu 4,7%. Bangkok Bank caiu 1,7% e Siam Commercial Bank recuou 0,7%.

As fortes compras de papéis de empresas de serviço público e de bancos, em razão de estratégia de "window-dressing" do final do trimestre, fizeram com que a Bolsa de Manila, nas Filipinas, fechasse em alta nesta sexta-feira. O índice PSE Composto subiu 0,6%, fechando aos 3.665,23 pontos. Ainda assim, está quase 1% abaixo do registrado semana passada, quando atingiu recorde de alta. Manila Electric Co B avançou 8,5%; Metropolitan Bank & Trust (MBT.PH) teve aumento de 4,4% e SM Prime Holdings (SMPH.PH) subiu 4,4%.

O mercado australiano subiu nesta sexta-feira, liderado pelas mineradoras BHP Billiton e Rio Tinto em razão da alta dos preços do zinco, chumbo e zinco. O índice S&P/ASX 200 da Bolsa de Sydney teve alta de 0,2%, fechando aos 6.274,9 pontos. No começo do pregão, o índice havia recuado com a realização de lucros no último dia do ano fiscal. BHP teve alta de 0,4%; Rio Tinto registrou a mesma alta porcentual e Alumina avançou 2,8%. As atenções estarão dirigidas para o Coles Group, que irá a leilão na segunda-feira. Seus papéis caíram 0,1%. Já Wesfarmers, bem cotada para vencer o leilão, subiu 2.1%. As ações da CSR avançaram 0,3% depois que a empresa comprou, por 690 milhões de dólares australianos, a Pilkington Glass da japonesa Nippon Sheet Glass Co.

A Bolsa de Cingapura fechou em alta ainda por conta de procura por papéis baratos, a despeito das quedas em Wall Street. O índice Straits Times subiu 9,97 pontos, ou 0,3%, e fechou em 3.548,20 pontos. Para analistas, é possível que o STI se consolide ao redor dos 3.500 pontos, já que a decisão do banco central dos EUA (Fed) de manter intacta a taxa de juros pode ajudar a manter em alta o mercado local. O setor imobiliário foi o mais beneficiado com as compras de ofertas: CapitaMall disparou 8,2%, Ascendas REIT saltou 6,5% e CapitaLand avançou 5,2%. Genting International caiu 2,6% e Singtel recuou 2,9%.

O mercado indonésio continuou a recuperação iniciada segunda-feira, por conta de expectativas de queda da inflação, o que pode inspirar o banco central a cortar a taxa de juro no mês que vem. O Índice Composto da Bolsa de Jacarta (JSX) subiu 1,3% e fechou aos 2.139.27 pontos. "Gestores de fundos estão comprando ações para aumentar seus portfólios para o fim de junho", disse um operador. Telkom subiu 1,6% na expectativas de obter altos dividendos em 2006; a fabricante de cimento Semen Gresik saltou 5,7%.

O índice composto de 100 blue chips da Bolsa de Kuala Lumpur (Malásia) subiu 0,3% e fechou aos 1.354,38 pontos. A alta deveu-se a compras estratégicas para o fim do primeiro semestre (window-dressing). Entre as altas, Genting subiu 2,5%, Petronas Dagangan ganhou 3,9%. MMC saltou 6,8%, KNM teve alta de 1,5%. Na direção oposta, Gamuda declinou 1,8%, Maybank caiu 1,6%. PSCI despencou 14,1% com realizações de lucros. As informações são da Dow Jones.

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