As cotações dos contratos futuros de petróleo fecharam praticamente inalteradas na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) e em leve baixa na Bolsa Intercontinental (ICE, de Londres), um dia antes de o Departamento de Energia (DoE) dos EUA informar os dados semanais sobre os estoques norte-americanos e depois de terem atingido a máxima em nove meses e meio ante a possibilidade de uma greve geral na Nigéria.
A reversão da tendência de alta veio depois de os contratos para julho na Nymex terem alcançado os US$ 69,56 o barril, aproximando-se da marca psicológica de US$ 70. Os preços estão no nível mais alto desde 1º de setembro de 2006.
Alguns participantes do mercado disseram que o recuo aconteceu em meio à cautela em relação aos dados que o DoE divulga amanhã, que mostrará variações mínimas, para cima ou para baixo, nos estoques de petróleo dos EUA, e uma elevação na taxa de utilização das refinarias, caso se confirmem as expectativas dos analistas.
"Acho que o mercado pareceu ganhar mais alguma força com a notícia de que pode acontecer a greve na Nigéria", afirmou o analista Tom Bentz, do BNP Paribas Futures em Nova York. "Creio que as pessoas estão esperando para ver se haverá um aumento considerável nos estoques de gasolina e no funcionamento das refinarias. Se não, o céu é o limite", acrescentou Bentz.
Analistas ouvidos pela Dow Jones prevêem que o Departamento de Energia mostrará crescimento de 0,6 ponto porcentual na taxa de utilização das refinarias, aumento de 1 milhão de barris nos estoques de gasolina e de 900 mil barris nos estoques de destilados, que incluem óleo para calefação e óleo diesel. Já os estoques de petróleo bruto devem apresentar queda de 150 mil barris, segundo a média das estimativas.
A alta inicial representou "mais um receio do que poderíamos ou não ver no relatório do DoE", disse o presidente da firma de administração de risco de energia Cameron Hanover, Peter Beutel, para quem a utilização das refinarias será um "fator importante". "Acho que qualquer aumento menor do que um ponto porcentual será visto como causador de alta", disse Beutel.
Os contratos futuros de gasolina foram pressionados pela expectativa de um aumento na taxa de utilização das refinarias e nos estoques do combustível. Os futuros da gasolina já subiram mais de US$ 0,12 desde que, na semana passada, o relatório do DoE revelou uma surpreendente queda na utilização das refinarias. Mas em outros contratos do complexo de energia os preços tiveram ganhos retardatários nesta semana, enquanto os operadores vêem melhorar a situação do abastecimento.
Os participantes do mercado vão se manter atentos à produção das refinarias com a aproximação do feriado do Dia da Independência nos EUA e do pico de demanda que ocorre no verão. Também é motivo de preocupação a chegada da temporada de furacões e seu possível impacto sobre o sistema de refino.
Os futuros de petróleo na Nymex ultrapassaram os US$ 69 o barril ontem pela primeira vez desde setembro, após ataques de milícias às instalações petrolíferas da Nigéria e das convocações de greve geral naquele país, em protesto contra um aumento no preço dos combustíveis. O governo nigeriano do recém-empossado presidente Umaru Yar'Adua tentou evitar a paralisação, marcada para começar amanhã, oferecendo diminuição do reajuste dos combustíveis, cancelamento de um aumento do imposto sobre valor agregado e reajuste de 15% no salário mínimo. Os sindicatos, porém, rejeitaram as concessões do governo.
"Se eles forem adiante com a greve, acho que teremos grandes problemas", declarou o analista Phil Flynn, da Alaron Trading. "Mas o mercado é sempre cético sobre esses rumores de greve. A principal questão no curto prazo é a produção atual - o quanto ela está paralisada."
Os contratos de petróleo bruto para julho fecharam a US$ 69,10 por barril na Nymex, em alta de US$ 0,01, ou 0,01%; a mínima foi em US$ 68,50 e a máxima em US$ 69,13. Na ICE, os contratos do petróleo Brent para agosto fecharam a US$ 71,84 por barril, em baixa de US$ 0,34, ou 0,47%, com mínima em US$ 71,61 e máxima em US$ 72,25. As informações são da Dow Jones.