As bolsas asiáticas fecharam em alta, com os mercados de Austrália e Cingapura seguindo Wall Street e encerrando em máximas históricas. Mas a queda no mercado chinês fez recuar bolsas que haviam atingido picos durante as sessões. Segundo operadores, os fechamentos recordes em Wall Street sexta-feira atenuaram os temores sobre o desempenho da China, depois de medidas tomadas por Pequim na semana passada para esfriar o mercado acionário.
O índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong subiu 126,72 pontos, ou 0,6% e fechou em 20.729,59 pontos, apesar do declínio das bolsas da China. Ações de empresas relacionadas à China subiram em Hong Kong, lideradas pelas construtoras, que subiram após a companhia de investimentos Wheelock anunciar seus planos para aumentar sua participação de 49,9% no conglomerado Wharf para mais de 50%. Com isso, Wharf disparou 10,5%. As construtoras foram beneficiadas também por essa alta: Hang Lung Properties ganhou 2,0%, Cheung Kong Holdings avançou 1,3%, New World Development valorizou-se 1,3% e Henderson Land teve alta de 1%. A fabricante de baterias Scud Group fechou no sentido inverso, em queda de 12,7%, por conta de prejuízos obtido após um incêndio em uma de suas plantas.
As ações da China ampliaram as perdas nesta segunda-feira, tendo a maior queda em três meses, com os investidores temendo que as autoridades tomem mais medidas para conter o crescimento do mercado acionário após elevar o imposto sobre operações com ações - de 0,1% para 0,3% - na semana passada. O nervosismo do mercado quanto a esse aumento e possível introdução de mais taxação sobre os ganhos de capital persistiu depois que jornais estatais, como The China Securities Journal, Shanghai Securities News e Securities Times, estamparam artigos nas primeiras páginas na tentativa de acalmar os investidores, com o argumento de que a medida será benéfica a longo prazo. O índice Xangai Composto recuou 8,3% e fechou em 3.670,40, a maior queda desde os 8,8% de 27 de fevereiro deste ano. O Shenzhen Composite perdeu 7,9% e encerrou em 1.039,90, a maior queda em seis semanas. O mercado ignorou os editoriais e as blue chips despencaram, junto com os papéis da pequenas companhias. China Petroleum & Chemical recuou ao limite diário de 10%. Tsingtao Brewery também caiu para a fronteira diária de 10%, puxando à mesma queda porcentual Daqin Railway.
A alta na taxa de paridade central dólar-yuan, de 7,6497 yuans para 7,6522 yuans, fez a moeda chinesa fechar em baixa em relação à unidade norte-americana. Na avaliação dos operadores, a forte queda na Bolsa da China teve pouco efeito no mercado cambial. A expectativa é que o yuan retome a valorização sobre o dólar, de forma lenta, até atingir o patamar de 7,6400 yuans. No mercado de balcão, a cotação da moeda norte-americana fechou em 7,6512 yuans, acima da última cotação de sexta-feira, que foi de 7,6473 yuans.
Em Taiwan, o índice Taiwan Weighted da Bolsa de Taipé encerrou em alta de 0,5%, fechando em 8.294,79 pontos - sua melhor pontuação desde 19 de julho de 2000. Segundo Cecelia Lu, da International Securities, os ganhos nos EUA e as boas perspectivas no setor de tecnologia auxiliaram o desempenho do mercado. Papéis do setor de eletrônicos lideraram a alta. PixArt Imaging subiu 5,1%, Silicon Integrated Systems teve aumento de 4,3% e ALi avançou 5%. Já as empresas de setores relacionados com a China sofreram com a queda nas ações do mercado chinês: têxteis caíram 1,9%, empresas de construção tiveram baixa de 0,9% e as do setor alimentício registraram desaceleração de 0,6%.
A Bolsa de Seul, na Coréia do Sul atingiu novo recorde histórico. Foi o sexto pregão consecutivo de ganhos, com grande capitalização de ações de empresas como Samsung Electronics, Posco e Kookmin Bank. O índice Kospi subiu 21,35 pontos (1,2%) e fechou em 1.737,59 pontos. "Não há pausa para tomar fôlego. As ações que estavam paradas passaram a se mover e as ações que tiveram forte alta continuaram subindo", disse Joseph Han, analista da Daewoo Securities. O primeiro caso foi o das ações do setor bancário, cujo índice foi negativo em 0,1% em maio, enquanto o Kospi subia 10,3%. Kookmin Bank fechou em alta de 4,1%. Woori Finance Holdings ganhou 2,5%. Samsung Electronics subiu 2,9%, com expectativas de que os preços do chip DRAM estão sustentáveis novamente. A siderúrgica Posco avançou 4,1%, com perspectivas otimistas de rendimentos no longo prazo. Entre os papéis da construção naval, Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering subiu 5,4% e STX Shipbuilding disparou 9,2%.
As fortes compras de blue chips, estimuladas por dados econômicos acima dos esperados, fizeram com que a Bolsa de Manila, nas Filipinas, registrasse recorde de alta. Segundo analistas, alguns fundos que estão realizando lucros no mercado chinês estão redirecionando seus investimentos para o mercado filipino. O índice PSE Composto subiu 2,1% (75,59 pontos) e fechou em 3.622,94 pontos. Lawrence de Leon, analista da Accord Capital Equities Inc., disse que Manila está entre os beneficiários das vendas ocorridas na China. "Se os investidores estão vindo para o mercado, deve haver uma razão. Isso é claramente visto nos papéis do setor imobiliário, no qual o forte crescimento econômico e as baixas taxas de juros irão resultar em aumento das vendas, disse o presidente da PCCI Securities, Francisco Liboro. Ayala Land Inc. registrou seu maior preço em 52 semanas, com alta de 4,5%. Megaworld Corp., outra empresa do setor imobiliário, avançou 6,3%. Metropolitan Bank & Trust Co. teve alta de 2,2%, Bank of the Philippine Islands avançou 1,4% e Banco de Oro-EPCI Inc teve ganho de 1,5%. Philippine Long Distance Telephone Co. subiu 2,1%, seguindo a alta de 2,7% de seus ADRs na sexta-feira.
A Bolsa de Sydney, na Austrália, fechou em alta recorde, apoiada pela elevação dos preços das commodities, que puxaram as ações das mineradoras locais, e pelos bons números do mercado dos EUA, que reforçaram o sentimento positivo por meio dos papéis do setor industrial. O índice S&P/ASX 200 subiu 59,4 pontos, ou 0,9%, e fechou em 6.392,9 pontos, após atingir, no início do pregão, uma pontuação histórica de 6.409,2 pontos. A queda no mercado da China reduziu o índice australiano, mas não trouxe muita preocupação para os dealers. Entre as companhias mineradoras, BHP Billiton fechou em alta de 2,1%. Newcrest Mining subiu 5,2%, com o avanço do ouro no mercado à vista ocorrido na sexta-feira. Entre as indústrias, Brambles avançou 2,8% e Leighton Holdings ganhou 3%. ANZ liderou a recuperação no setor bancário, com alta de 1,1%.
O índice Strait Times da Bolsa de Cingapura fechou em recorde de alta com os ganhos em Wall Street sexta-feira, ignorando o declínio na China. O índice subiu 0,87% e fechou em 3.579,35 pontos. O operador da bolsa, Singapore Exchange, teve a maior alta, de 7,6%. Olam ganhou 1,2%. Empresas de tecnologia também tiveram resultados positivos. United Test & Assembly Center avançou 6,6%, Stats Chippack subiu 1,2% e Venture adicionou 1,3%. No setor imobiliário, CapitaLand subiu 0,6%, City Developments fechou estável e Keppel Land caiu 2,1%.
O mercado indonésio também experimentou alta recorde. O índice JSX Composto da Bolsa de Jacarta teve alta de 1,3% e fechou em 2.111,75 pontos, com expectativas de que a inflação abaixo da estimada estimule o banco central a cortar a taxa básica de juro quinta-feira. A Agência Central de Estatísticas informou que a inflação em maio foi de 0,1%, ante 0,28% esperada pelo mercado. Telkom ganhou 2,1% com a alta de suas ADRs em Nova York; a mineradora de carvão Bukit Asam avançou 6,7% por conta de expectativas de lucros robustos no primeiro semestre devido à alta nos preços da commodity.
Ganhos de blue chips, em uma sessão agitada, fizeram o índice SET da Bolsa de Bangcoc, na Tailândia, subir 2,2%, para fechar aos 770,61 pontos. Investidores estrangeiros esperam continuar a ganhar com ações tailandesas, enquanto aplicadores locais entram no jogo otimistas com a melhoria do cenário político. Entre os papéis mais negociados, PTT ganhou 4,7%, Thai Oil subiu 4,4%, Siam Cement avançou 5,8% e Kasikornbank somou 2,8%.
O índice composto de 100 blue chips da Bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, fechou estável, aos 1.360,27 pontos (alta de 0,01%), com volume moderado de negócios, principalmente realizações de lucros que fizeram o índice recuar do recorde intraday de 1.374,54 pontos. Para operadores, o recuou deveu-se à queda no mercado chinês. Entre os papéis que tiveram alta, TA Enterprise disparou 9,8%, Transmile avançou 11,7%. Na direção oposta, IOI Corp caiu 1%, Tenaga recuou 2,5% e Genting perdeu 3%. As informações são da Dow Jones.