Por Natalia Gómez
São Paulo - Para ampliar sua participação no mercado brasileiro, hoje inferior a 1%, a montadora japonesa Nissan estuda o lançamento no País de um modelo compacto e de um carro elétrico. Segundo o presidente do Comitê de Gerenciamento das Américas, Carlos Tavares, o prazo para o lançamento do modelo mais popular ainda não foi determinado e vai depender dos desdobramentos da crise econômica. "Queremos focar em produtos mais competitivos nos mercados emergentes", disse. A estratégia também será adotada pela companhia nos demais países da América Latina.
Para o Brasil, a meta da montadora é ampliar sua participação de mercado para 5%, mais perto da média mundial da empresa, até 2012. No longo prazo, a companhia também pretende dobrar suas vendas no País a partir das 17,4 mil unidades vendidas em 2008. O carro elétrico também não tem um prazo definido de lançamento, mas o executivo destacou que a Nissan tem um plano de longo prazo para zerar a emissão de seus carros.
"Vamos criar condições de fabricar estes carros em grandes volumes e o Brasil não é uma exceção", disse hoje o executivo, em teleconferência com a imprensa. Para ele, um dos maiores desafios para a empresa no momento é introduzir o seu modelo Livina no mercado brasileiro. A produção foi iniciada em março, na unidade que a empresa compartilha com a Renault, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR).
Hoje, a companhia detalhou sua nova estrutura operacional para a região das Américas, que teve início em abril, com o objetivo de fortalecer as sinergias entre as regiões. Segundo Tavares, as operações de logística, engenharia, produção e finanças ficarão alinhadas na região que inclui América do Norte, América Latina e Caribe. Além de um comitê de gerenciamento único, a empresa criou dois novos comitês para operações: um para América do Norte e outro para América Latina e Caribe.
"Temos muitas coisas para aprender e compartilhar", disse. Ele destacou que os países apresentam características muito diferentes, tanto no perfil de seus mercados quanto na participação da Nissan. No México, a empresa tem uma fatia de 20%, enquanto nos Estados Unidos conta com cerca de 7%. Nos demais países latino-americanos, a média é de 8%, com exceção do Brasil, onde tem uma parcela muito menor.
Apesar de demonstrar um otimismo em relação aos países latino-americanos, Tavares afirmou que o aumento de vendas na região não será suficiente para compensar a retração das vendas nos países mais ricos, em especial nos Estados Unidos. "A retração do mercado norte-americano é muito grande e a nossa participação na América Latina ainda é pequena", explicou. A Nissan prevê para este ano uma queda de 30% nas receitas totais em comparação com os dados de 2007.