O superávit da balança comercial brasileira acumulado no primeiro trimestre de 2008 - de US$ 2,837 bilhões - é o menor desde o primeiro trimestre de 2002, quando o saldo comercial positivo foi de apenas US$ 1 bilhão. Na comparação com os primeiros trimestres dos últimos quatro anos, o superávit é bem menor: em 2007, foi de Us$ 8,7 bilhões; em 2006, de US$ 9,3 bilhões; em 2005, de US$ 8,3 bilhões; e em 2004, de US$ 6,1 bilhões.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, afirmou que a queda no superávit se deve ao aumento das importações, e não à queda das exportações. Ele disse que o governo quer estimular as vendas externas e lembrou que está sendo preparado um conjunto de medidas para estimular as exportações. "As exportações continuam crescendo muito. Temos que continuar neste esforço", disse o secretário.
Barral disse que dois fatores estão levando ao aumento abrupto das importações: a competitividade sistêmica da indústria brasileira, que tem aproveitado para aumentar o parque industrial, e a taxa de câmbio favorável. O secretário destacou que houve no mês de março um aumento de 70% nas importações de bens de capital, enquanto as importações de bens de consumo foram menores, de 32,4%. No caso de bens duráveis, a expansão nas compras no exterior foi de 54,1%, mas, excluindo-se os automóveis, o porcentual cai para 26%.
"As importações têm um papel importante na contenção da inflação, mas, no agregado, está havendo um aumento maior de (importações de) bens de capital para ampliação do parque industrial. Se excluirmos os automóveis, o crescimento (das importações) de bens de consumo é irrisório", disse o secretário.
