O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que a taxa de câmbio atual tem o aspecto positivo de baratear a importação de bens de capital. Ele, no entanto, admitiu que o câmbio "é uma faca de dois gumes" porque encarece o produto exportado. No final desta manhã, o dólar comercial era negociado em torno de R$ 1,68, no mesmo nível de maio de 1999.
A política industrial deve ter um forte viés exportador, principalmente para estimular a venda de manufaturados", acrescentou Mantega, ao se referir à política industrial em elaboração pelo governo. "Queremos manter o setor externo como um pilar da economia brasileira", disse o ministro.
Impostos e juros
Ao ser questionado sobre a elevada carga tributária, o ministro respondeu que a arrecadação de impostos tem subido graças ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "A arrecadação cresce mais que o PIB em períodos virtuosos. Essa é a melhor situação fiscal", disse.
Em relação ao elevado patamar do juro brasileiro, que voltou a ser o maior do mundo em termos reais, Mantega disse que o Brasil tem praticado a menor taxa de juro real da década. Ele disse também que a Selic explica apenas 40% do crédito no Brasil e que as outras linhas de financiamento, como do BNDES e do setor agrícola, têm taxas de juros menores.
"Não podemos falar só sobre juro da Selic. O custo de capital está caindo no Brasil", afirmou ele. Segundo o ministro, o Brasil tem uma taxa básica de juros elevada, mas que poderá cair nos próximos anos.
O ministro se recusou a informar se haverá hoje reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional para votar medidas cambiais para conter a valorização do real.