O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje que o desenho da renegociação das dívidas agrícolas está praticamente pronto, mas evitou adiantar detalhes que serão apresentados amanhã em reunião da comissão encarregada de definir as propostas. A Agricultura tem o projeto pronto, mas falta compatibilizar a proposta com o Ministério da Fazenda, citou Stephanes, ao participar da abertura da Expodireto Cotrijal, feira agrícola realizada em Não-Me-Toque, a 280 quilômetros de Porto Alegre (RS).
Os prazos de pagamento em discussão variam de cinco a vinte anos, conforme Stephanes, citando que haverá dívidas com renegociação no período intermediário de 10 e 15 anos. A rolagem deve ficar de acordo "com a taxa de juros atual" e não com a da época em que foi contratada, acrescentou o ministro, que falou em "tirar a gordura" da dívida. Um atraso no pagamento atualmente gera correção pela Selic, taxa básica de juros, exemplificou o ministro, ao considerar que a taxa é "inadequada para a agricultura".
Além de mexer na "gordura" da dívida, a proposta deve prever um desconto, que Stephanes chamou de "bônus", para o agricultor que tiver condições de pagar a dívida antes do tempo. Ele considerou fundamental abranger os próximos quatro anos, período que concentra os vencimentos. Conforme o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), os vencimentos somam cerca de R$ 60 bilhões entre 2008 e 2011. A idéia é contar com um prazo de carência mínima de dois anos na renegociação, disse Heinze, que também participou da abertura da Expodireto.

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