O domínio do Iguatemi São Paulo e da Daslu no comércio de alto luxo da Zona Sul da capital paulista será posto à prova a partir de 2008 e 2009, com a entrada de três concorrentes de peso - os shoppings centers Vila Olímpia e Cidade Jardim e o empreendimento que a Iguatemi Empresa de Shopping Center (Iesc) desenvolve em parceria com a Wtorre. A concentração da disputa pelos consumidores Classe AA de São Paulo numa mesma região levanta dúvidas sobre a viabilidade econômica de todos os projetos. Especialistas acreditam que alguns deles possam ter que buscar outros públicos para sobreviver no mercado.
Na avaliação do sócio da consultoria Intermart Austin, Marcos Romiti, o mercado de luxo já está bem atendido pelos empreendimentos existentes. "Quando todos os projetos em desenvolvimento na Zona Sul de São Paulo voltados para o alto padrão derem início às suas atividades, não haverá demanda suficiente", diz. Um ou dois deles terão de ir para a classe média, cujo consumo está em franco crescimento, acrescenta o consultor.
O diretor executivo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Luiz Fernando Pinto Veiga, tem uma visão mais otimista sobre esse mercado. Os projetos são de empresas consolidadas, que não partem para aventuras, diz o diretor. Veiga destaca que os projetos são desenvolvidos apenas após a realização de pesquisas sobre o potencial de consumo desses mercados.
Grifes disputadas - Atentas às oportunidades desse mercado, as empresas de shopping centers estão disputando lojas de grifes que possam atrair o público de alto padrão e também outras marcas sofisticadas. Para quem trabalha no mercado de luxo, é importante quais outras lojas já estão naquele empreendimento. Boas marcas funcionam como aval para os shopping centers, diz Romiti, da Intermart Austin. Veiga, da Abrasce, lembra que, na disputa dos lojistas pelas empresas de shopping do mesmo segmento - no caso, o alto padrão - pesa também o preço da locação das lojas.
Cada empresa busca atrair as grifes para seu empreendimento com condições que as distingam das concorrentes. A Iesc, proprietária do Iguatemi São Paulo e parceira da WTorre no shopping da Juscelino, e a Multiplan, que detém participação no Vila Olímpia e no Morumbi Shopping, podem se valer da base de operações que possuem em outros shopping centers para atrair clientes para os novos empreendimentos, segundo o consultor da Intermart Austin.
Há possibilidades de barganha para conquistar essas operações: a negociação casada de contrato de aluguel em loja de um shopping com a garantia de ampliação da área locada pela mesma grife em outro shopping com perfil semelhante da mesma rede. Segundo o diretor-presidente da MCF Consultoria, Carlos Ferreirinha, o Cidade Jardim será o primeiro exercício da América Latina de um empreendimento focado essencialmente no mercado de luxo. Para o novo Iguatemi, ele avalia que o projeto deveria seguir um modelo de modo a complementar a operação da Daslu, já que será seu vizinho.
Para Felisoni, do Provar, as marcas de luxo terão mais poder de negociação em virtude da grande concorrência que irá se estabelecer entre os empreendimentos da área. É possível que algumas delas não sejam exclusivas e estejam em mais de um dos novos shoppings. Mas Ferreirinha, da MCF Consultoria, alerta: as marcas não vão concorrer entre si em empreendimentos tão próximos. Não temos capacidade ainda para a atratividade de tantas marcas de alto luxo internacionais, avalia.