O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que o seu ministério estuda uma nova política industrial para o País, em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o ministro, as condições da economia e de juros no País mudaram de 2003 para cá e geraram a necessidade de uma revisão da atual política industrial, implantada naquele ano. Jorge disse que a estimativa é de que a nova política, que está sendo elaborada em parceria também com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), seja anunciada em dois ou três meses.
O ministro afirmou que a participação do BNDES no estudo é fundamental, porque o presidente da instituição, Luciano Coutinho, "é um especialista em política industrial". Jorge está participando hoje de uma audiência pública na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, na Câmara dos Deputados.
Na sua exposição inicial, o ministro destacou as políticas de desoneração tributária adotadas por seu ministério e afirmou que elas são uma saída para qualquer país que queira ter um crescimento econômico e tornar competitivo o setor produtivo. Miguel Jorge destacou a queda das taxas de juros no País. Reconheceu que as taxas ainda estão acima do desejado, mas disse que deverão continuar caindo.
Balança comercial
O ministro previu que o superávit da balança comercial, no primeiro semestre deste ano, deve superar US$ 20 bilhões, batendo um novo recorde para o período. Em 2006, o saldo no primeiro semestre foi de US$ 19,5 bilhões.
O ministro destacou ainda o fato das exportações continuarem batendo recordes e afirmou que a valorização do real frente ao dólar se deve à competitividade da economia brasileira e do surto exportador dos últimos anos. Segundo ele, muitos setores produtivos estão aproveitando o momento para modernizar o seu parque industrial. Ele alertou que há setores importantes da economia, que já trabalham com o nível médio de utilização da capacidade instalada acima de 90%, há mais de 12 meses. Ele citou como exemplo os setores metalúrgico e de papel e celulose.
Segundo Jorge, os setores afetados pelo câmbio têm sido amparados pelo governo. "O câmbio no Brasil é flutuante e é natural que a taxa oscile em busca do equilíbrio de mercado. O papel do governo é criar as condições de infra-estrutura, crédito e regulamentação para que a nossa economia ganhe competitividade", afirmou o ministro.
De acordo com ele, o ministério também tem adotado medidas para proteger os setores prejudicados pelas importações da China. Ele disse que o ministério tem feito um minucioso acompanhamento dos preços de importação de calçados, para apurar e evitar fraudes e subfaturamentos.
Miguel Jorge destacou ainda a necessidade de o Congresso Nacional aprovar com urgência as ações previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a reforma tributária. "O crescimento da indústria e a geração de empregos no Brasil dependem de uma abordagem suprapartidária para essas questões", disse o ministro.
Miguel Jorge ainda destacou que a taxa de investimento no País, que já está em quase 17% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda é insuficiente para gerar um crescimento robusto e de longo prazo. Ele também ressaltou a meta do governo de promover um crescimento econômico de 5% do PIB ao ano, nos próximos quatro anos, o que, segundo ele, seria o mínimo necessário para um crescimento sustentado.
Energia nuclear
O ministro defendeu a decisão do governo de retomar a construção da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, na Câmara dos Deputados, um parlamentar lhe perguntou se a escassez de energia elétrica não poderia prejudicar o desenvolvimento econômico do País. Miguel Jorge afirmou que a construção de Angra 3 é um projeto "imprescindível" para o País e vai gerar "energia limpa e segura".
O ministro do Desenvolvimento acrescentou que vários países estão investindo em energia nuclear, e aqueles que não o fazem compram a energia nuclear do país vizinho. "Angra 3 terá um papel importante na nossa matriz energética", declarou Miguel Jorge.

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