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Fecomercio: consumidor paulistano está mais endividado

Por Pedro Henrique França  | 25.06.2007 | 16h18

Após um recuo de dois pontos porcentuais em maio, o índice de endividamento dos paulistanos voltou a subir em junho, para 62%. Com relação ao mês de junho de 2006, quando esteve em 57%, houve alta de cinco pontos. As informações constam da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), divulgada hoje. Segundo a entidade, a expansão de novos empréstimos e aquisição de crédito para quitar dívidas em atraso estão entre as possíveis causas para a elevação verificada.

O estudo aponta ainda uma discreta melhora no número de inadimplentes (endividados com contas em atraso), com queda de dois pontos porcentuais, passando de 43% em maio para 41% em junho. No comparativo anual, foi registrada alta de 2 pontos porcentuais.

A pesquisa traz novas informações a partir deste mês, entre elas o tempo de atraso das dívidas, o motivo, o tipo de dívida e o tipo de despesa. Segundo o levantamento, para 35% dos consumidores inadimplentes o atraso é de até 30 dias, enquanto para 26% o atraso é de 30 a 60 dias. Para 15% dos casos o tempo é de 60 a 90 dias e outros 24% dos entrevistados afirmaram que o atraso é superior a 90 dias.

Entre os motivos apontados pelos consumidores para o atraso das dívidas, a falta de controle financeiro e desemprego lideram, com 31% cada. Quando a questão era sobre o tipo de dívida mais freqüente, o cartão de crédito foi apontado como o grande vilão para 43% dos consumidores. Os carnês aparecem em seguida, com 21%.

Com relação a qual o tipo de despesa que mais afetou as dívidas atuais, 17% dos consumidores paulistanos atribuíram os gastos com alimentação. Já vestuário (16%) e veículos (12%) foram outras despesas que comprometeram o orçamento do consumidor.

O estudo da Fecomércio informa ainda que 71% dos pesquisados declararam a intenção de pagar total ou parcialmente suas dívidas em atraso. A intenção de pagamento aumenta de acordo com o nível de renda. Enquanto entre os consumidores com rendimentos de até 3 salários mínimos a intenção de pagar total ou parcialmente suas dívidas é de 64%, entre os consumidores com rendimentos superiores a 10 salários mínimos este porcentual é de 74%.

O comprometimento da renda dos consumidores com o pagamento de dívidas mostrou retração em junho, com queda de 3 pontos porcentuais, chegando a 32%. Segundo a entidade, mesmo com a queda este indicador ainda está em patamar muito elevado.

Faixa salarial

Na análise por faixa salarial, a pesquisa aponta que entre os consumidores com renda de até 3 salários mínimos, o endividamento em junho aumentou 2 pontos porcentuais e foi para 67%. Entre os consumidores com rendimentos de até 10 salários mínimos, o índice foi de 69%. Já entre os consumidores que ganham acima deste patamar o porcentual foi de 49%.

O nível de inadimplência se mostra mais elevado entre os consumidores que ganham até 3 salários mínimos, atingindo 59% dos entrevistados. O porcentual cai para 39% entre os consumidores com rendimentos de até 10 salários, e para 27% entre aqueles que recebem acima desta faixa salarial.

Na segmentação por sexo, as consumidoras paulistanas estão ligeiramente mais endividadas, com índice de 62%, que os homens (61%). Em relação à inadimplência a diferença também é pequena: 42% das mulheres estão inadimplentes, ante 41% dos homens.

Na divisão por faixa etária, os consumidores com idade inferior a 35 anos apresentam-se mais endividados (66%) do que os consumidores acima desta idade (55%). Com relação à inadimplência, 40% dos consumidores com idade inferior a 35 anos estão com dívidas em atraso, em contraponto a 44% dos consumidores com idade acima de 35 anos que estão na mesma situação.

A Peic é apurada mensalmente pela Fecomercio-SP desde 2004, com dados coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo.

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