A produtividade de setores tradicionais da indústria brasileira despencou num período de dez anos. De um total de 43 grupos de atividade industrial, 21 perderam, em média, 16% de eficiência entre 1996 e 2005. Essa é uma das principais conclusões de um estudo inédito da consultoria MB Associados, feito com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os perdedores estão órfãos do câmbio como calçados, móveis, confecções e têxteis.
Os números indicam que o ajuste necessário para contrabalançar os efeitos do câmbio ainda não foi feito nas empresas intensivas em mão-de-obra, diz Sergio Vale, economista da MB Associados que coordenou o estudo. Isso significa que as demissões deverão continuar nesses segmentos.
Em linhas gerais, a produtividade é medida pela capacidade de se produzir ou vender mais com a mesma quantidade de um determinado insumo - que no caso do estudo da MB é representado pela mão-de-obra. Para fazer os cálculos, a consultoria usou dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), recentemente divulgados pelo IBGE, sobre ocupação e valor da transformação industrial (é descontado no preço do produto o custo dos insumos intermediários) dos vários segmentos.