Um estudo realizado pelo Escritório Nacional de Estatística da China alertou que a economia "está sob o risco de trocar o rápido crescimento pelo superaquecimento" e pediu novas medidas de aperto para controlar o excesso de liquidez presente na economia. A análise não representa necessariamente uma visão oficial do governo chinês e pode ter sido concluída antes do anúncio da série de medidas de aperto na sexta-feira passada, mas sua publicação hoje, no site do órgão, sugere que as preocupações do governo sobre a economia podem aumentar se a liquidez abundante não for controlada.
O estudo afirmou que a chave do excesso de liquidez da China é o crescente superávit comercial, que nos quatro primeiros meses do ano somou US$ 63 bilhões, ou 35% do total registrado em 2006 (US$ 177,5 bilhões). Segundo o documento, a liquidez excessiva tem causado concorrência acirrada entre os bancos comerciais, aumentado os riscos de crédito e elevado as pressões inflacionárias. "O contínuo problema de liquidez excessiva, se não for bem controlado, pode deixar de ser um problema setorial para se tornar um problema de larga escala", diz o texto, que destacou o aumento dos preços de imóveis e o rali das bolsas como resultados da questão da liquidez excessiva.
O estudo ofereceu uma lista de políticas, que incluem medidas fiscais, monetárias e de câmbio para ajudar a corrigir o problema econômico, salientando que nenhum instrumento por si só poderá controlar a liquidez efetivamente. Segundo a análise, na atual situação econômica, a China "deveria, de forma adequada" elevar as taxas de juros e o compulsório bancário novamente. Na sexta-feira, o Banco do Povo da China (banco central do país) elevou na sexta-feira a taxa de empréstimo em yuan de um ano em 0,18 ponto porcentual, de 6,39% para 6,57%, a taxa de depósito de um ano será elevada em 0,27 ponto porcentual, de 2,79% para 3,06%, e o compulsório bancário em 0,50 ponto porcentual para 11,50%.
Para o documento, as taxas de empréstimo e de depósitos de curto prazo devem ser menores, enquanto as de médio e longo prazo devem ser maiores. Tais medidas visam a desacelerar a extensão do declínio das poupanças dos últimos meses. Os chineses têm retirado dinheiro de suas poupanças para colocá-los em ativos mais líquidos, para poder investir no mercado acionário local.
Segundo o documento, a China também pode "aumentar apropriadamente a flexibilidade do mecanismo de câmbio" e estimular empresas e indivíduos que comprem e mantenham moedas estrangeiras. Na sexta-feira, o BC chinês também anunciou a ampliação da banda de flutuação do yuan perante o dólar para 0,5% acima ou abaixo da taxa central de paridade. O estudo destacou que o yuan valorizou-se ante o dólar e o iene, enquanto teve seu valor depreciado contra o euro. A queda do yuan ante algumas moedas, afirmou o documentou, tem ajudado a acelerar o crescimento das exportações.
O estudo recomendou reduzir os descontos sobre as taxas de exportação e aumentar as tarifas sobre as exportação de produtos intensivos em energia. Ao mesmo tempo, o governo chinês deve reduzir as taxas de importação para estimular as compras externas de matérias-primas e de tecnologia de ponta, como maneiras de reduzir o superávit comercial. Nesta semana, o Ministério das Finanças anunciou uma série de medidas, que entrarão em vigor em 1º de junho, que impõem ou elevam as tarifas de exportação sobre itens como aço, zinco bruto, chumbo refinado e coque, além de retirar a taxa de importação de produtos como carvão.
A análise destacou ainda o papel dos gastos fiscais, que podem estimular a demanda doméstica ao serem direcionados para serviços públicos como educação, saúde e cuidados médicos. Além disso, o documento recomendou a implantação de políticas fiscais para estimular o consumo. As informações são da Dow Jones.