Não é raro esbarrar em alunos vestidos com camiseta do Google, nos corredores do departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ali, a ligação com uma das empresas mais poderosas de internet do mundo extrapola o fascínio pela marca. O departamento está se transformando em um respeitado celeiro de profissionais para a companhia americana.
Neste mês, três cientistas mineiros embarcam para a Califórnia, nos Estados Unidos, para fazer uma residência em tecnologia na sede do Google. É a primeira leva de brasileiros que participa do programa. Ao mesmo tempo, dez profissionais entram na fase final de um curso preparado por professores da UFMG sob medida para o Google. No segundo semestre, outros 20 alunos selecionados pelo Google no Brasil inteiro freqüentarão as salas de aula da mesma universidade. São candidatos a uma vaga na empresa americana que estão em Belo Horizonte para tomar lições de máquinas de busca na internet.
Por trás do processo, há um time afinado de especialistas em tecnologias de busca. Trata-se dos engenheiros Ivan Moura Campos 63, Nívio Ziviani, 60, Alberto Laender, 56, e Berthier Ribeiro-Neto, 47, quatro dos seis ex-sócios da Akwan, empresa nascida dentro da UFMG e vendida em 2005 para o Google por um valor não revelado.
"Na venda, uma das nossas principais metas era contratar um número mínimo de gente para o Google. Não havia máximo. O Larry Page (um dos fundadores) disse que, se encontrássemos 200 engenheiros, podíamos contratar", diz Ziviani, professor desde a década de 70 e empresário a partir dos anos 90. "O grande ativo do Google é gente. E eles estão contratando alucinadamente. Eles nos escolheram porque o grupo de recuperação de informação daqui é um dos melhores do mundo."
Uma pesquisa na internet dá a medida da relevância do quarteto no universo da tecnologia da informação. Há mais referências sobre eles em inglês que em português. Eles participam das principais conferências mundiais sobre o tema,cuja taxa de admissão de trabalhos é da ordem de 10%, ao lado de profissionais das três principais empresas da área (Google, Microsoft e Yahoo).
Outras evidências: Campos foi um dos responsáveis pela implantação da internet no Brasil e Ribeiro-Neto é co-autor de um best-seller na área de recuperação de informação - o livro do mineiro é adotado nas principais universidades de ciência da computação do mundo, inclusive em Stanford, onde nasceu o Google. "Não somos muito bons de marketing. As montanhas de Minas são mais altas aqui. Prova disso é que ficamos nove meses negociando com o Google sem que ninguém soubesse", brinca Laender.